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O Brasil vai de mal a pior

17.07.2003 | Fonte de informações:

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Comparado com a maior economia do mundo, em 98 o Brasil representava 8,76% da economia norte-americana. No final do ano passado, este índice despencou para 4,25%.

Os dados da tabela estão representados em bilhões de dólares. Compara o Produto Interno Bruto (Gross Domestic Product), as Exportações e as Importações.

Ano 1998 1999 2000 2001 2002 GDP USA 8984 9516 9953 10152 10588 GDP BRA 787 529 595 504 450 % 8,76 5,56 5,98 4,96 4,25 EXP USA 979 1031 1119 971 1025 EXP BRA 51,1 48 55,1 58,2 60,4 % 5,22 4,66 4,92 5,99 5,89 IMP USA 1096 1317 1513 1315 1501 IMP BRA 57,7 49,3 55,8 55,6 47,8 % 5,26 3,74 3,69 4,23 3,18

Esta outra tabela mostra o Produto Interno Bruto, o índice de desemprego, as exportações, as importações, as reservas e os investimentos internacionais.

Ano PIB (US$ em bilhões) Desemprego (% da força de trabalho) Exportações (US$ em bilhões) Importações (US$ em bilhões) Reservas Internacionais (US$ em bilhões) Investimentos Estrangeiros (US$ em bilhões) 1998 787 8,3 51,1 57,7 44,6 25,9 1999 529 8,3 48,0 49,3 36,3 30,0 2000 595 7,8 55,1 55,8 33,0 30,8 2001 504 6,8 58,2 55,6 35,9 24,7 2002 450 8,0 60,4 47,8 38,0 16,0

Por que a economia brasileira está encolhendo? Ou por que o Brasil está ficando cada vez mais pobre? Como é possível reacender o crescimento do Brasil?

Os dados provam que o Brasil não está conseguindo falar a linguagem do mercado. Se o Brasil fosse uma empresa, a fórmula de crescimento seria proporcional a sua capacidade de responder cada vez melhor às necessidades e expectativas do jogo mercadológico.

O Brasil continua sendo um dos principais celeiros do mundo. No entanto, a maioria de suas exportações refere-se a produtos in natura, sem valor agregado, sem elaboração, sem manufatura.

Os governantes não conseguem adequar seus custos à nova realidade. Para compensar suas contas, ampliam pesadamente as cargas tributárias.

De aproximadamente 27% do PIB, o governo arrecada hoje quase 35%.

O povo brasileiro trabalha para manter as contas do governo. Nos Estados Unidos, a arrecadação do governo é aproximadamente 17% do PIB.

De certa forma, esse ônus é o ajuste do jogo da corrupção. Com a nova legislação, cada governante só pode gastar o limite de sua receita. Ampliaram-se os controles e as fiscalizações dentro do próprio governo.

Anteriormente a legislação facilitava o enriquecimento dos governantes. Agora está um pouco mais difícil.

Esta situação força o governo a pensar exclusivamente em si próprio. Quando na verdade, o governo deveria se preocupar exclusivamente com a melhoria de qualidade de vida de todos os brasileiros.

A pergunta crucial é até quando as empresas brasileiras vão conseguir rebocar o governo?

Cada empregado brasileiro, oficialmente registrado, custa 104 moedas para cada 100 moedas que recebe em suas mãos. Em outras palavras: o trabalhador custa 204 moedas por mês e recebe apenas 100. A diferença fica para ancorar o governo.

Esse exemplo se multiplica em quase todos os demais níveis.

Esse processo estimula a economia informal. É muito mais negócio acertar um trabalhador por 150 moedas. O empregador e o empregado ficam satisfeitos. Mais tarde, o trabalhador espera encontrar um caminho para conquistar sua aposentadoria.

De outro lado, o governo começa a enfrentar sérios problemas na previdência social. Vai chegar um momento em que o montante arrecadado não será suficiente para pagar os aposentados.

O motivo é óbvio: o mercado informal vem crescendo a passos largos.

Será que desapareceram da economia brasileira os 300 bilhões de dólares ou eles se deslocaram para a economia informal? Se em 1998 o PIB era de 787 bilhões de dólares e em 2002, caiu para 450, a diferença é de 337 bilhões de dólares. É muito dinheiro. Ele evaporou?

O maior problema do Brasil não é a inflação, ou o FMI, ou a dívida externa, ou as barreiras do jogo internacional.

O maior problema, sem dúvida, é o governo. Pesado. Tradicional. Inflexível.

Cada país do mundo não é diferente de qualquer condomínio urbano. Para cuidar do interesse de todos, as pessoas se reúnem e elegem um síndico ou um administrador. Cabe ao síndico zelar pelo bem público, promovendo a melhoria deste condomínio.

As universidades brasileiras, responsáveis pela transmissão e produção de conhecimentos, deveriam estar voltadas para o desenvolvimento dos negócios, das pessoas, da sociedade em si. Infelizmente, seguem isoladas do processo de desenvolvimento.

Formam engenheiros que depois vão trabalhar em tudo, menos na profissão que estudaram. Isso é igual com as demais profissões.

Todo cidadão, qualquer que seja, deve participar do trabalho para enriquecer seu país. Para isso ele é educado, treinado, preparado. Na hora de procurar emprego, não tem emprego.

Como ele se vira? Afinal todos precisam viver. Na verdade, ele dá um jeito.

Imagine neste cenário a proposta do Fome Zero. Se o governo vai cuidar dos famintos e miseráveis, por que trabalhar? O projeto proposto pelo atual governo corre o risco de esconder uma grande demagogia. É a velha história do pão e circo para o povo.

O Brasil não está voltado para o mercado internacional. A cultura difundida é só interna. É como se existisse no mundo inteiro apenas os 170 milhões de brasileiros. Esse distanciamento do jogo do mercado é a grande causa do empobrecimento da América Latina e da África.

De um lado estão os países ricos: Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália com aproximadamente 70% do PIB mundial e apenas 500 milhões de habitantes, menos de 10% da população da terra. O restante está alijado do paraíso terrestre.

Onde se esconde o Brasil?

Qual é seu potencial?

Quando o gigante adormecido vai despertar?

Enquanto isso, seguimos de mal a pior. Resta, todavia, a esperança. De ganhar na loteria. Ou de supor que Deus é brasileiro.

Orquiza, José Roberto 51 anos, consultor de marketing, autor dos livros “O Jogo da Vitória” (Editora Juruá); “Dez Lições de Sucesso” (Editora Posigraf); “Fato ou Boato: Você Decide” (Ieditora).

 
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