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Babá explica

16.04.2004 | Fonte de informações:

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Unir forças para lutar pela ruptura com o FMI

Dois meses e meio após o lançamento do Movimento da Esquerda Socialista por um Novo Partido, podemos afirmar que estamos no caminho certo. Os socialistas, os defensores da liberdade, da honestidade e da coerência abraçam o novo projeto calorosamente em todo o Brasil. Isto demonstra que ele é uma necessidade para milhares de militantes que querem dedicar sua capacidade de lutar para mudar a realidade atual porque estão conscientes de que o sistema capitalista ameaça a vida e o planeta, disseminando miséria, violência e barbárie, destruindo os recursos naturais vitais e insubstituíveis. O novo partido é um abrigo para aqueles que querem uma organização de combate, mas que saiba ser fraterna, unitária em seus princípios fundamentais, cultivando o respeito às diferenças políticas, às minorias e ao direito de tendência como quem guarda um santuário intocável. Um novo partido é uma necessidade objetiva para milhões de trabalhadores que nos últimos vinte anos construíram o PT e lhe deram a extraordinária possibilidade de abrir as portas para um Brasil sem miséria e sem exploração e viram suas lutas, seus sonhos e expectativas traídas. O PT sepultou esta extraordinária oportunidade histórica e assim sepultou a si mesmo. Os atos finais de sua cerimônia fúnebre foram as expulsões de Babá, Luciana Genro, João Fontes e Heloísa Helena. Mas o cenário ficou completo com a divulgação do trágico desempenho da economia a partir da opção pela continuidade do modelo FHC. A redução do PIB, numa relação de causa e efeito, como o registro de desemprego recorde, simultâneo à diminuição da renda dos mais pobres, após um ano de governo Lula, são a prova definitiva de uma traição sem retorno a duas décadas de lutas do povo que votou na esperança contra o medo. Traição comprovada na escandalosa operação para abafar a CPI dos bingos suscitada pelo caso Waldomiro Diniz. Nesse pacote de anomalias, a conseqüência só poderia ser a política de coalizão com o PL,PMDB,PP, PTB e setores do PFL. Mas tal guinada não se concretiza sem ônus político. Para amplas parcelas da população e da opinião pública já não há dúvida quanto ao caráter real do governo Lula. Um governo voltado para o atendimento dos mais sórdidos interesses do capital financeiro, não se vexando, para isso, em manter no Congresso, as sórdidas fórmulas do toma-lá-dá-cá, como meio de construir sua base de sustentação parlamentar. Os últimos acontecimentos revelaram também que, por trás da propalada aparência de força e de estabilidade da "santa aliança" entre o PT e os representantes do grande capital, esconde-se um governo frágil, refém da chantagem, da corrupção e dos métodos delinqüentes de pressão utilizados por seus aliados que podem desencadear novas e explosivas crises em função de seus interesses particulares. Esta construção política sobre a qual se assenta o governo Lula pode ter sido surpreendente, mas não é inédita. Ela é a continuidade radicalizada de tudo o que se fez a partir da transição pelo alto que sucedeu ao regime ditatorial. Ela é a consolidação do processo de introdução do neoliberalismo, com todas as suas seqüelas, a partir do governo Collor, mas consolidado nos oito anos de FHC. Lula ganha o aplauso fácil dos centros do capital financeiro e também das oligarquias locais enquanto foi instrumento útil para a manutenção de suas obscenas taxas de concentração de renda e patrimônio. Mas, aos primeiros sinais de esgotamento da popularidade e da perda da capacidade de neutralização de setores do movimento social - característica essencial na distinção dos governos similares anteriores - será descartado. Quando passar a ser simples cópia dos antecessores, será substituído por exemplar original. Hoje nos vemos diante do paradoxo de ver o PSDB e o PFL, com a ajuda subalterna do PDT, lançando frentes em defesa do desenvolvimento e do emprego. Pura demagogia e oportunismo, e para isso devem estar atentas as lideranças dos movimentos sociais. Não se pode esquecer que o mandarinato tucano-pefelista de FHC, com ajuda decisiva do PMDB, foi o responsável pela década de desmonte do Estado brasileiro, com a entrega da maioria de nossas principais empresas públicas estratégicas ao capital internacional. Tudo, com financiamento importante do próprio BNDES. Parlamentares, intelectuais e militantes da esquerda petista reafirmando a idéia, há muito superada, de que o governo lula está em disputa, lançaram um movimento pedindo mudanças no conteúdo da política econômica vigente. Reafirmamos o respeito a muitos socialistas ainda militantes do Partido dos Trabalhadores e nosso desejo de que sejamos logo parte de um projeto comum, mas consideramos que alimentar equívocos e ilusões quanto às possibilidades de que o governo Lula possa voltar às suas origens políticas e ideológicas significa contribuir para confundir e debilitar a luta socialista no Brasil. Diante desta situação o Movimento da Esquerda Socialista e Democrática Por Um Novo Partido considera necessário a construção de uma frente de ação, política e social, que unifique para a luta as organizações socialistas ,os movimentos e as forças sociais anti-capitalista e também as de cunho popular e democrático . A construção desta frente política social para a ação, deve fundar-se na compreensão de que para mudar o país e resolver os problemas dos trabalhadores e das amplas massas populares não existe outro caminho a não ser o da unidade e mobilização unitárias, que tenha como objetivo o rompimento com as políticas ditadas pelo FMI e á conseqüente suspensão dos pagamentos e á auditagem das dívidas externa e interna. Só esta medida, possibilitará começar a resolver os problemas estruturais prementes da realidade brasileira atual. Tamanho desafio só pode ser realizado por milhões de trabalhadores organizados e mobilizados, e por uma ampla unidade de forças políticas e organizações sociais. Queremos dialogar, especialmente, com os que ainda permanecem no PT; com o PSTU, com o PCB, com os companheiros da Consulta Popular. Queremos uma aproximação efetiva com as organizações sociais que lutam pela democratização da propriedade da terra no país, com destaque para o MST, por sua representatividade e imortância na luta pela reforma agrária, mas buscando unificar em torno de si diversas outras organizações que lutam pelo mesmo objetivo, dentre as quais destaca-se o MTL (Movimento Terra Trabalho e Liberdade). É imprescindível buscar a cooperação com os servidores públicos, que enfrentaram a reforma da previdência, e também com os trabalhadores da iniciativa privada que, junto com eles, resistirão à reforma sindical e trabalhista e enfrentarão a burocratização e a desmobilização política por parte da direção da CUT. Assim, ao mesmo tempo em que estamos empenhados na construção de um novo partido, tratando de construir uma alternativa política partidária anticapitalista e democrática, não poupamos esforços para unir forças com outros setores dispostos a enfrentar os ataques aos direitos dos trabalhadores e a defender os interesses do povo pobre e da soberania nacional.

Dep. Babá

 
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