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Conversando sobre o Iraque

16.03.2003 | Fonte de informações:

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O Euro? Ou o ouro negro? Não, o Euro, e o ouro negro.

Espera aí, eu pensava que se tratava dum plano imperialista dos americanos ganharem controlo sobre os recursos do Médio Oriente como um primeiro passo na senda de ter domínio sobre os vastos recursos da Ásia Central e depois, Sibéria, com alguns sicofantas, como Blair, Aznar e dia sim, dia não o José Barroso de Portugal, isso é quando não está a dizer que o que realmente quer é a paz. Bem, esse é o ponto de vista simplista mas as coisas são bem mais complexas. Olha, o George Bush sabe que a sua economia está mais perto dum colapso total do que muitos imaginam. Não vais ler nada disso na imprensa internacional, porque é guardado como segredo.

O quê? A seriedade da situação. A economia norte-americana está a viver na corda-bamba, tem um défice público de trilhões de dólares. Se o dólar entrasse em queda livre, os EUA e os países cujas economias Washington controla, baseadas inteiramente num USD artificialmente inflacionado e fundamentadas 100% na indústria de petróleo, a crise da Argentina mais pareceria uma piada. Os EUA e a América Latina estariam falidos dentro de poucos dias.

Puxa, parece o Armagedon financeiro! Isso não é exagero, não.

Mas qual é a ligação com Saddam Hussein? Quero dizer, estás a dizer que isso não tem nada a ver com o terrorismo? Alto aí. Tens estado a ouvir muitas histórias contadas pelos órgãos de notícias ocidentais. Saddam Hussein não tem nada a ver com terrorismo. Já agora, devo dizer-lhe que Osama bin Laden o odeia, considerando-o “socialista e infiel”. No entanto, George Bush tem de apresentar o seu caso e não pode falar em público que a economia dos EUA está à beira dum colapso.

Porque não? Pelo menos seria honesto. Seria muito estúpido. A economia está fundamentada em confiança. Por exemplo, um líder que abana os braços e entra em histeria, gritando “Isso é um caos!” é irresponsável, nada faz para criar um clima de bem-estar. Se o George Bush começasse a dizer que o BRF estava em pânico, ninguém saberia do que estava a falar.

O BRF? Banco de Reserva Federal, ou Federal Reserve Bank. OK vou explicar. Esta crise foi iniciada pelo Iraque em Novembro de 2000.

Ai é? Mas foi em 1990 que invadiram o Kuwait, não foi? Vamos focar nos assuntos reais, não os pretextos e assuntos laterais. Em Novembro de 2000, o Iraque adoptou o Euro como meio de pagamento para as suas exportações de petróleo, quando o Euro tinha o valor de 0.80 USD, assim evitando inteiramente os efeitos negativos da desvalorização do dólar. A instabilidade nos Estados do Golfo está aumentando e Washington teme que se todos os estados da OPEP adoptassem o Euro e não o USD para as exportações de petróleo, então os países que compram o seu petróleo teriam de vender os seus dólares nos seus bancos centrais e comprar Euro para fazerem a transacção.

Mas o quê é que isso quer dizer? Basicamente, isso quer dizer que o dólar iria desvalorizar até 40%, o que, de acordo com alguns analistas, significaria uma profunda crise económica mundial. Os EUA estariam falidos, juntamente com todos os países cujas economias estão controladas pelo FMI, dependentes dos EUA e das importações de petróleo.

Então porquê o Iraque? Bem, o Iraque é o único país na região em que Washington não tem qualquer influência. Com a instabilidade nos outros Estados no Golfo, Washington teme que só se agir rapidamente, fazendo-se um poder regional, controlando directamente os 10.7% de reservas mundiais de petróleo no Iraque e depois alastrar as suas redes de influência nos outros países da região, alguns dos quais já estão dominados, poderá manter o OPEP sobre o seu controle e manter o USD artificialmente inflacionado, salvando a economia dos EUA.

Mas o quê é isso tudo acerca do regime? Não é porque Saddam Hussein é tirano? Bem, é uma história longa. Saddam Hussein tinha antigamente relações de amizade com o Donald Rumsfeld, apesar do facto que este nega alguma vez o ter encontrado. A câmara não mente. Também lá estava a CIA, na altura em que o exército do Irão foi gaseado quando ameaçou romper as linhas de defesa do Iraque e entrar de rompante no Golfo.

Mas ele utilizou gás contra os Curdos? De facto, os britânicos utilizaram gás contra os Curdos nos anos 1920, nisso não há nada de novo. Porém tem havido alguma discussão sobre o tipo de gás, se foi um gás que Saddam Hussein tinha no seu arsenal ou não, e se foi o mesmo tipo utilizado contra os iranianos. Sabes, George Bush tem de alcançar o homem na rua. Jogando as cartas “regime mau”, “tirano sanguinário”, “terrível ditador”, ganha credibilidade para a sua guerra, mais do que referências obscuras ao Euro branco e ao ouro negro.

Agora já não sei o que acreditar. Pois…

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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