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História Real

15.07.2005 | Fonte de informações:

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Quando assumiu o governo do Estado, Christiano Dias Lopes enfrentou de cara uma situação de verdadeira calamidade pública, principalmente gerada pela erradicação de 200 milhões de pés de café, numa ação discutível patrocinada pelo IBC/GERCA, que acabou respondendo pela liberação de 180 mil braços na lavoura, desequilibrando todo o estágio econômico, já difícil, que enfrentava o sofrido Espírito Santo.

Depois de renhida luta junto ao IBC, cobrando responsabilidade sobre o quadro estadual, Christiano conseguiu, após três encontros difíceis com os tecnocratas do IBC, que a entidade liberasse a fundo perdido, 500 milhões de cruzeiros, que seriam destinados a projetos e pesquisas que contribuíssem para o equilíbrio das finanças estaduais e levasse esperança e tranqüilidade ao meio rural.

Claro que uma fuga em massa se registrou, por força da erradicação, levando capixabas para outros Estados e, principalmente para a área metropolitana de Vitória, que passou a ganhar favelas, invasões e graves fatos policiais, num desafio que assustava e parecia desenhar um perigoso clima de insegurança e incertezas.

O Governador Dias Lopes enfrentava, com uma equipe experimentada e competente, o furacão que batia nas costas do Estado. Tentativas foram feitas e os anais daquele período registram, porque nele nasceu o Seminário realizado no Estado, em parceria com o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e, logo em seguida coroado com a conquista do Decreto Lei 880, carta de alforria do novo Espírito Santo.

Mas no curso de tantas lutas e desafios, um fato nós registramos, aproveitando o transcurso do aniversário de 70 anos das Empresas Tristão, como homenagem ao então rapazola Jônice Siqueira Tristão, hoje maior exportador mundial de café solúvel.

Dias Lopes, depois de conseguir em Brasília, numa quebra de braço memorável, três cotas para fábricas de café solúvel no Espírito Santo, resolveu convocar todas as lideranças empresariais do setor de café e da nossa nascente indústria para anunciar a boa nova e formar um grupo para implantar a futura industria de solúvel. Esta histórica reunião foi realizada no Salão Nobre do Palácio do Café, então na Praça Costa Pereira.

Feita ampla e objetiva exposição pelo Governador, abordadas inclusive as vantagens federais, os estímulos estaduais e, com destaque o fato de que o Governo entraria, via CODES, como sócio do empreendimento. Concluída a apresentação, o debate foi aberto.

Os industriais presentes, pela palavra de seu Presidente, não gostaram da idéia, já que segundo alguns deles, era um empreendimento de grande risco. Os comerciantes de café, representando algumas das maiores empresas do Estado, também não se interessaram pelo café solúvel. Diziam eles que a indústria era de alta tecnologia e exigiria volumosos capitais.

Na mais do que de repente, uma voz quebra o silêncio e, do fundo do plenário arriscou uma pergunta: Senhor Governador, será que o Governo aceitaria eu e meu pai – firma José Ribeiro Tristão – como sócios do empreendimento? Eu fui testemunha dos sorrisos matreiros e incrédulos que surgiam nas faces dos líderes empresariais presentes.

O Governador Dias Lopes aceitou a oferta e determinou que CODES iniciasse o processo de associação e parceria.

Registramos, ainda, que o Governador Dias Lopes tentou motivar seu cunhado Manoel Ferreira, um dos líderes do comércio de café, a entrar no negócio. Não foi bem sucedido, pois Manoel Ferreira não se entusiasmara pelo solúvel.

Assim nasceu a REALCAFÉ SOLÚVEL, hoje inteiramente sob controle do Grupo Tristão, depois de longa e corajosa parceria com a então CODES, que viria a ser o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo.

O então atrevido rapazola – Jônice Siqueira Tristão – é atualmente o maior exportador de café solúvel do mundo.

Para o Espírito Santo este título é um prêmio, pois ele também se reflete, por outro ângulo, em Jair Coser, também capixaba e hoje o maior exportador de café em grão do mundo.

É hora de muitos de nossos leitores virem ao Espírito Santo, porque aqui se bebe o melhor café do mundo.

J.C.Monjardim Cavalcanti (jcrepres@ebrnet.com.br)

 
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