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Blair apóia ingresso do Brasil no Conselho de Segurança da ONU

15.07.2003 | Fonte de informações:

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O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, formalizou o apoio à candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), informou a BBC Brasil. A declaração foi dada durante o encontro da Cúpula da Governança Progressista, do qual participou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros líderes mundiais em Surrey, nos arredores de Londres.

A presença do Brasil no Conselho de Segurança constaria do projeto de reforma do conselho que o Reino Unido pretende apresentar em setembro. De acordo com a proposta britânica, o Conselho seria ampliado de cinco para dez países. Os cinco integrantes originais do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) manteriam o poder de veto e os cinco novos não teriam o mesmo direito.

Segundo fontes da delegação brasileira, Blair considerou que é preciso que exista uma presença latino-americana e que o Brasil é o melhor candidato a ocupar esse posto. As fontes do governo brasileiro consideraram hoje "muito importante" a declaração do primeiro-ministro britânico. Blair afirmou que todo o mundo vê no Brasil uma boa candidatura e que o Reino Unido apóia a entrada do país no Conselho de Segurança.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discutiu esse projeto com o colega britânico, Jack Straw. Ao sair do encontro, Amorim disse que o anúncio de Blair "foi muito positivo em relação ao Brasil e à reforma do Conselho em geral". Segundo o chanceler brasileiro, "sem entrar em detalhes, nós discutimos não só o apoio ao Brasil, mas formas de acelerar o processo de reforma".

Resistência Na avaliação de Amorim, a proposta de reforma do Conselho de Segurança deve ser recebida com resistência pelos Estados Unidos, mas ele acredita que, nesses últimos dez anos, este é o melhor momento para realizar a reforma. "Você não reforma a casa quando ela está direitinha, mas quando ela tem problemas", disse o ministro.

Segundo o ministro, a reforma envolveria também outras discussões como formas de a ONU lidar com o terrorismo, a questão das armas de destruição em massa e maneiras de o conselho se tornar mais efetivo quando ameaças não justifiquem o uso da força, mas exijam outro tipo de ação.

A participação no Conselho de Segurança encareceria as contribuições do Brasil para a ONU — o país tem uma dívida de US$ 100 milhões — e geraria custos adicionais com as missões de paz, já que os membros permanentes tem obrigação de enviar tropas. O México é outro forte candidato na América Latina a uma vaga no conselho.

Comércio internacional Os dois ministros também falaram de temas econômicos, como as negociações de liberalização do comércio da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio), sobre o maior engajamento da Grã-Bretanha nas negociações entre a União Européia e o Mercosul e sobre o processo de paz no Oriente Médio.

A Grã-Bretanha tem uma posição semelhante à do Brasil com relação à eliminação dos subsídios agrícolas de exportação, já que o país arca com uma boa parte dos recursos, que consomem quase 50% do orçamento da UE. Segundo Amorim, na parte bilateral com o Mercosul, o Brasil gostaria que a Grã-Bretanha "estivesse mais engajada", e Jack Straw disse que tem interesse neste engajamento.

O ministro brasileiro também expôs a política do presidente Lula de prioridade para a América do Sul, "que cria oportunidades para investimentos de empresas britânicas e européias, principalmente no setor de infra-estrutura".

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