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Luizianne Lins em entrevista

11.10.2004 | Fonte de informações:

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Como vai ser sua campanha neste segundo turno?

Vamos manter a mesma estratégia de campanha do primeiro turno. Será uma campanha propositiva. Nosso slogan é “Por Amor a Fortaleza”, com a clara intenção de dizer que nossa cidade é muito bonita, que a natureza foi muito generosa com Fortaleza. Mas a cidade hoje está suja, desorganizada. Tenho dito que as políticas sociais estão na idade da pré-história em Fortaleza. Então, vamos manter essa linha propositiva, de acreditar que é possível um governo que, se não pode resolver todos os problemas, pode fazer com que o povo participe das decisões com este modo petista de governar. O PT tem 15 anos de experiência e participação popular. Temos tudo para fazer a melhor administração que Fortaleza já teve. O PT e o PSB, que está na nossa coligação, já administraram quase 300 cidades, e com experiências muito exitosas. Então temos tudo para ser uma síntese do que há de melhor nas administrações, levar para Fortaleza idéias, propostas, projetos e, junto com o apoio do governo federal — que, independentemente de ser do PT, o governo federal tem obrigação de ajudar —, vamos conseguir começar a mudar a cara de Fortaleza.

Quais são os principais problemas da cidade e suas prioridades de governo?

Fortaleza tem tantos problemas estruturais que é difícil dizer qual é a prioridade. Mas tenho falado muito sobre a questão da saúde pública, porque lá, conseguir atendimento para o usuário do SUS (Sistema Único de Saúde) é ainda uma humilhação: consultas e exames são marcados para quatro, seis meses depois. Temos que universalizar a saúde básica. Fortaleza só tem 15,6% de atendimento do Programa de Saúde da Família, que é a base do atendimento, é apostar na saúde preventiva. Mas nunca houve um concurso público para implantação do Programa de Saúde da Família, nunca houve um concurso público para agregar dentistas no programa. Isso significa que tudo vai bater na alta complexidade, na atenção terciária. A saúde é um caos. Então é uma questão fundamental.

Quais são seus planos para a Educação?

Basicamente, a melhoria da qualidade da educação. Os governos, de uma forma muito desastrosa e incompetente, promoveram uma certa universalização, mas comprometeram a qualidade do ensino. Eu sou professora universitária e me perguntam sempre: ‘Você, como professora universitária, vai tomar qual atitude em relação à educação?” Eu digo sempre: melhorar a qualidade da educação para que a gente possa ter nossa juventude saindo da escola pública com auto-estima para enfrentar os desafios do mercado de trabalho, da mesma forma que ocorre com o estudante de escola particular.

Além disso, quero cuidar da cidade. Fortaleza teve um meio ambiente completamente deteriorado. Foi uma cidade que, nos últimos 15 anos, sofreu intervenções sob alegação de atrativos urbanos que fragmentaram completamente a cidade, tiraram o sentido de cidade. Então, nós vamos começar a reconstruir Fortaleza.

Como fazer um programa de governo voltado para todos?

Governando com coerência. A classe média sempre foi eleitora do PT porque sempre reconheceu no partido um partido capaz de transformar a realidade dentro de uma outra postura ética, moral, política e, principalmente, com bandeiras históricas do povo brasileiro. Então acho que não podemos abrir mão disso. Como prefeita, vou buscar de todas as formas fazer uma administração coerente com tudo o que pensei e disse até aqui. E chamar a sociedade para dialogar. No caso de haver alguma mudança de rumo, é fundamental o diálogo com a sociedade. A classe média é um setor que, como já teve algum nível de cidadania, espera ver uma cidade limpa, organizada, minimamente segura, bem cuidada, com sistema de transporte público que possa atender a população com conforto. Isso faz a diferença para aqueles que já têm uma estrutura. Temos que chamar os formadores de opinião a participar das decisões, sem que isso seja uma imposição. Tem de ser um processo de convencimento, que é longo, difícil, mas vale à pena. E, para a população que não tem nada, temos que resolver saúde, educação, habitação, saneamento. Hoje, 31% da população vive em situação de favela, porque não tem saneamento básico. São quase 800 mil pessoas vivendo nesta situação. São muitos desafios.

O que será feito em relação à habitação?

Eu já estou dizendo que vou, a partir de janeiro, se for eleita, ter um cuidado muito especial como as áreas de risco, inapropriadas para habitação. Toda vez que chove, vira calamidade. O período de chuvas começa em abril, então já vou convocar a sociedade civil a partir de janeiro. Esperamos que a sociedade venha ajudar. Primeiro, para ter impacto imediato de tirar essas pessoas do risco de vida. E, depois, para fazer um grande movimento de cidadania que estamos chamando de movimento ‘por amor a Fortaleza’. As pessoas têm que ter humildade para governar. O fato de Lula estar no governo federal — isso foi uma luta de muitos anos — não pode tirar a humildade do PT de ouvir, dialogar, radicalizar a democracia interna. Temos que dar respostas a problemas seculares que este país tem. E acho que vamos conseguir juntar essas energias boas da sociedade.

 
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