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Lula: Brasil quer exportar US$ 2 bi em tecnologia

11.08.2004 | Fonte de informações:

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A iniciativa da HP representa a adesão ao projeto de fomento às exportações de serviços de tecnologia proposto pelo Ministério do Desenvolvimento, cuja meta é alcançar US$ 2 bilhões em exportações de software e serviços de tecnologia de informação até 2007. "Temos interesse em deixar de ser um país em desenvolvimento. O Brasil não quer só exportar matéria-prima, mas também exportar conhecimento e tecnologia de ponta", declarou o presidente.

Segundo Lula, o Brasil tem potencial e criatividade para fazer bons negócios e proporcionar a inclusão digital. A tecnologia apresentada pela HP Brasil e a proposta de parceria é, segundo o presidente, o motivo de sua presença e de três ministros naquela empresa. "O Brasil precisa de bons parceiros para produzir mais e melhor na área da informação", disse.

Lula destacou ainda que diversos ministérios estão envolvidos no esforço de tornar o Brasil mais competitivo no setor de tecnologia da informação. Entre eles, o Ministério das Comunicações, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o Ministério da Educação, a Casa Civil e o Ministério da Fazenda.

País de tecnologia

Em seu discurso, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, disse que o setor de tecnologia da informação pode criar 60 mil empregos para jovens capacitados. Furlan ressaltou a meta de exportação de US$ 2 bi em software e serviços tecnológicos até 2007. Atualmente, as exportações brasileiras atingem US$ 100 milhões. Muitos desses serviços exportados não são contabilizados pelo governo, pois saem do país por via eletrônica. Por meio do projeto, o governo vai poder controlar a quantidade de software que sai do país e aumentar a competitividade do Brasil, inserindo-o no cenário mundial dos prestadores de serviços dessa natureza.

Furlan afirmou que a plataforma da HP intensifica a parceria entre o setor público e privado. Respondendo à demanda dos produtores de software por desoneração de impostos, o ministro disse que o governo está estudando o assunto. "O modelo está sendo analisado pelo governo e espero que seja convergente com os anseios do setor. Queremos mostrar que o Brasil não é só um país do alegre carnaval, mas também um país de tecnologia de ponta", afirmou o ministro, citando como exemplos os casos das pesquisas em biotecnologia e a aviação.

Inclusão digital

Desenvolvido para um de seus clientes – um laboratório farmacêutico -, a Plataforma de Exportação de Serviços Vinculados à Tecnologia da Informação (PES) consiste em infra-estruturas de exportação de serviços tecnológicos. A empresa espera que o governo implemente a PES, que, entre outras medidas, visa reduzir impostos para empresas que desenvolvam esse tipo de tecnologia. Segundo Hugo Valério, diretor de Assuntos Corporativos da HP Brasil, independentemente da aceitação do governo, o "porto virtual" já está sendo implementado. "Com a desoneração de vários segmentos do processo, desde equipamentos, instalações e mão-de-obra, os custos do serviços podem ser reduzidos e se tornam mais competitivos", disse o representante da empresa.

Ecoando a proposta da HP Brasil, Lula demonstrou haver receptividade da Fazenda à proposta de incentivos fiscais ao dizer que está em estudo uma política de concessão de benefícios para tornar viável o projeto de inclusão digital no país. "O Brasil precisa de uma política especial para que possamos produzir mais e melhores computadores, que possam ser vendidos a preços mais baratos para que as pessoas possam comprá-los", disse o presidente.

Lula afirmou que considera um erro pensar que, distribuindo 100 mil computadores para escolas, se faz inclusão digital. Para ele, isto é política social. O presidente explicou que a política de inclusão digital é aquela em que o governo cria condições para produzir internamente ou para importar máquinas mais modernas possíveis a preços compatíveis com a possibilidade de pagamento médio da sociedade brasileira. "É aí que entra o papel do governo, de discutir quais políticas tributárias terá para o setor", afirmou.

Filósofa e tecnóloga

O evento em Barueri contou com a presença da presidente mundial da Hewlett-Packard, Carly Fiorina. A executiva reuniu-se antes da cerimônia com o presidente Lula e seus ministros. Furlan vinha articulando o encontro desde que se reuniu com Fiorina em janeiro, em Davos (Suíça). Em seu discurso, Fiorina enfatizou o tamanho reduzido da infra-estrutura necessária para a exportação de tecnologia do conhecimento. "As pessoas são tudo. As barreiras físicas são poucas e o Brasil vence várias delas como a distância dos países importadores, o acesso a recursos naturais e o tempo expresso nos fusos horários das nações envolvidas", disse.

A executiva ressaltou o fator humano em seu projeto. Ela disse ter formação como historiadora e filósofa, além de ter se tornado "tecnóloga". "Queremos que a PES seja uma oportunidade não somente para os negócios, mas também para as pessoas do Brasil", disse. Ela enfatizou os projetos de inclusão digital em curso no Brasil. Durante a cerimônia, Lula recebeu um quadro pintado por jovens carentes atendidos pelo projeto Garagem Digital da HP.

Novas amizades

Lula disse ainda que é preciso abrir novos mercados para que o Brasil não fique restrito a negociar com os Estados Unidos e com a União Européia. Ele comemorou o entendimento alcançado na Organização Mundial do Comércio (OMC), neste fim de semana, como resultado da união dos países emergentes. No sábado, países ricos e emergentes chegaram a um acordo para o corte de bilhões de dólares em subsídios agrícolas pelos países desenvolvidos. "Abrir novos espaços foi uma tarefa muita grande que conseguimos coroar com êxito. Em Genebra, conseguimos sensibilizar corações e mentes americanas e européias e o subsídio já não é mais um entrave tão grande para que possamos exportar determinados produtos ", disse.

Lula afirmou que as relações de cooperação entre os países da América do Sul e da África são importantes não só para estreitar os laços políticos, mas também para aumentar as exportações. "A boa lógica indica que você precisa garantir que os países tenham ascensão, até para consumir aquilo que você pretende vender". Lula alertou que, apesar de muitas pessoas "olharem com desprezo" para a América do Sul, o continente tem um mercado de 350 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 1 trilhão. "O que não é pouca coisa", ressaltou.

O presidente disse ainda que recuperar as relações com países pobres e emergentes foi um passo importante de seu governo. "Nós achamos que era preciso estabelecer essa política porque nossa relação com os Estados Unidos e com a União Européia já é muito forte e sólida. Quanto mais você tem relações com blocos fortes, vai ficando menos espaço para crescer porque eles já são os maiores parceiros nossos. Então, abrir novos mercados foi uma tarefa muito grande que nós conquistamos", afirmou.

Em seu discurso, Lula lembrou que, entre 1950 e 1980, o Brasil foi um dos países que mais cresceram em todo o mundo. Segundo o presidente, isso não significou repartição da riqueza. Lula ressaltou que, apesar de o Brasil já ter sido a oitava economia do mundo, o país passou cerca de 20 anos com a economia estagnada. Enquanto isso, a população brasileira dobrou entre 1970 e 2004. "Quando nós tomamos posse, havia o compromisso ético e moral de recuperar o tempo perdido", afirmou o presidente.

 
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