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BORRACHA NELES

09.06.2004 | Fonte de informações:

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O que já foi um arrojado sonho do passado, quando um modesto e corajoso empresário capixaba resolveu, por sua conta, risco e confiança, iniciar no Sítio Tira Teima, à margem da BR-101, nas imediações de Jucú, o plantio de seringueiras, transforma-se hoje numa grande opção empresarial e agroflorestal para ao norte do Estado, dando novo e seguro impulso a Sooretama, São Mateus e Linhares, gerando mais um ciclo de comprovada viabilidade econômica, com reflexos excelentes na agro-indústria regional, ampliando a faixa de emprego e renda e cimentando o equilíbrio social que se advinha para os próximos anos, também no meio rural.

Quando o Governo do Estado, a Prefeitura de Linhares, com o apoio da INCAPER e das lideranças rurais que sempre defenderam a cultura da seringueira para a região se associam ao Projeto que pretende, no seu curso, recuperar áreas degradadas e produzir borracha de qualidade, estão mantendo o Espírito Santo como terceiro produtor de borracha do país e no rumo certo para conquistar muito breve posições de liderança, viabilizando, sem dúvida, a próxima implantação de uma indústria.

Num momento de afirmação como este que acaba de ser oficializado em Linhares, olhamos para o passado, com muito carinho e respeito, quando o empresário Paulo da Rocha Cirne, com coragem e pioneirismo, plantava em área de 30 hectares, há 40 anos, 11 mil seringueiras, preparando, ainda, 300 mil mudas para oferecer, com enxertos tecnicamente perfeitos, porque ele se valeu da experiência de agricultores amazonenses e baianos, para oferecer aos capixabas que desejassem aceitar a nova cultura.

Estas lembranças justificam alguns desafios que os Cirnes comandaram, ao lado de Paulo, quando Jorginho e Fernando se lançaram, em Guarapari, à implantação dos hotéis Tourist e Thorium e a outras iniciativas empresariais em Vitória e, posteriormente, com êxito internacional, na construção do Paradise Resort, na Bahia, hoje vendido a uma poderosa cadeia internacional.

Paulo Cirne que hoje se encontra na Bahia, em sua fazenda, abriu um sorriso de satisfação quando soube que o Espírito Santo estava lançando o Projeto Seringueira, com a oferta de 300 mil mudas e sob a valiosa e competente assistência técnica da INCAPER. E Paulo recordou o fato de ter fretado com recursos próprios aviões cargueiros da Cruzeiro do Sul para trazerem de Manaus e Salvador mudas e, também, os melhores profissionais do setor, especialmente bons sangradores.

É hora de lembrar o pioneirismo de Paulo Cirne, quando expressivas lideranças patrocinam o Projeto Seringueira, cicatrizando no coração dele – estamos certos – quando o Espírito Santo perdia milhares de pés de café e ainda se dava ao luxo de debochar da seringueiras – as gozações do passado, que motivaram a venda da área com a sua cultura – que hoje estão lá como um exemplo de sucesso e elástica visão.

Registramos hoje com entusiasmo o esforço e a capacidade do empresário rural Emir de Macedo Gomes Filho, que cultiva a seringa há mais de 20 anos, com tecnologia de alta produtividade, que ao lado do técnico Pedro Arlindo de Oliveira Galveas, da INCAPER, com o apoio e entusiasmo do Prefeito Guerino Zanon lideram o processo de transformação do agro-negócio na região, já que a cultura da seringueira tem excelentes condições para efetivação de consórcios agrícolas, especialmente com cacau, palmito, mamão, feijão, banana. café, abacaxi e pimenta do reino, dando nova contextura aos cultivos perenes ou de ciclo curto, revelando seguros fatores de produção e renda.

Destacamos recentemente a ativa participação da Inducompre, sob a gerência de Mário Antônio Aguirre , que concluiu a aquisição de 1.000 cargas de borracha na região, representando 45% da matéria prima utilizada pela sua fábrica na Bahia. Reside nos aspectos atuais de crescimento e afirmação da cultura a possibilidade de Linhares ganhar uma indústria para o setor, já que se afirma e respeita o fato de que o cultivo da seringueira tem vida longa, pois se estima que nos próximos 50 anos a borracha ainda será um artigo de mercado e muito valorizado.

Nossa confiança cresce, ainda, quando ficamos conhecendo a capacidade e produtividade da AGROBOR, que em Sooretama, sob o comando de Paulo Caliari, já produz 700 toneladas/ano, utilizando apenas 30% da capacidade da usina e oferecendo uma produtividade de 1.700 quilos por hectare, verdadeiro recorde nacional.

Borracha neles, gente. No bom sentido.

J.C.Monjardim Cavalcanti (jcrepres@ebrnet.com.br)

 
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