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Leia a íntegra do pronunciamento de Lula à nação

09.04.2003 | Fonte de informações:

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Há pouco mais de três meses, tomei posse como Presidente da República. E, apesar de muito pouco tempo, acredito que vocês já começam a sentir que hoje o Brasil tem um Governo diferente. Um Governo que conhece muito bem o tamanho das nossas dificuldades, mas que acredita num futuro bem melhor para o nosso país e para o nosso povo.

Ao longo do meu Governo quero, de quando em quando, conversar com vocês diretamente, como faço neste momento. Quero que vocês saibam sempre, exatamente, o que pensa o seu Presidente em cada momento da vida nacional.

Vamos começar essa conversa de hoje pela grave crise econômica que o nosso país enfrentava quando assumi a Presidência. Todos vocês sabem que, quando tomei posse, a economia brasileira vivia um momento dramático. O dólar chegando a quatro reais. O risco Brasil disparando. A inflação voltando a crescer e o crédito internacional, para as empresas brasileiras, praticamente a zero. Alguns diziam que o Brasil estava à beira da falência.

Vejam, não estou reclamando, esse não é o meu estilo. Até porque, eu e minha equipe já sabíamos o que viria pela frente e tínhamos consciência de que fomos eleitos para mudar tudo isto. Quando falo para vocês desses três primeiros meses, é importante falar com clareza: não se trata de jogar a culpa em ninguém. Trata-se apenas de deixar bem claro como recebemos o país. Para que vocês possam compreender, de verdade, a dimensão do esforço e a importância do trabalho que fizemos para mudar este quadro. Acreditem, não é exagero afirmar que o futuro do país e praticamente de todo o meu Governo dependia desse começo.

Locutor: O começo da mudança.

Presidente da República: Com as viagens internacionais que fiz, mostrei ao mundo que tínhamos um projeto de Governo sério e responsável, capaz de replanejar o Brasil não apenas para os próximos 4 anos, mas, sim, para os próximos 20 ou 30 anos. Sobretudo, mostrei que o Brasil é o país do carnaval e do futebol, sim, e com muito orgulho, mas que somos, também, o país da indústria, da agricultura, do comércio e do turismo. Enfim, um país imenso, com grande potencial de crescimento. E, o mais importante, com um povo sério e trabalhador. Ao mesmo tempo, internamente tomamos medidas firmes que, creiam, me custaram algumas noites de sono: aumentar juros, cortar despesas. Mas o sacrifício não está sendo em vão. O dólar caiu, o risco Brasil caiu mais da metade, a inflação está caindo, os títulos brasileiros lá fora recuperaram muito do seu valor e o crédito externo para as nossas empresas já está de volta. O mundo voltou a acreditar no Brasil. Foi um remédio amargo? Eu sei que foi. Mas, para mudar o país, de verdade, muitas vezes o remédio amargo é a única alternativa. Agora é seguir em frente, com cuidado, sem otimismo exagerado, com os pés no chão, mas com a certeza de que dias melhores virão.

Locutor: Salário Mínimo.

Presidente da República: Não vejo a hora de os juros baixarem e a economia retomar seu crescimento. E como eu gostaria de dar já, agora, um aumento maior para o salário mínimo. Mas 240 reais, neste momento, creio, é o máximo que a prudência e a cautela me recomendavam. Mas quero repetir a vocês o que disse durante toda a campanha: até o final do meu Governo vamos dobrar o poder de compra do salário mínimo.

Locutor: Fome Zero.

Presidente da República: Começamos o Fome Zero. Esse é o maior programa contra a fome que já foi feito no Brasil. É verdade que tivemos alguns tropeços no início, mas este é um programa complexo, que implica várias mudanças estruturais no país. É por isso que nunca foi feito antes.

Quero aproveitar para agradecer a todos que nos têm ajudado. Já disse, e não me canso de repetir: ficarei realizado se, ao terminar o meu Governo, nenhum brasileiro ou brasileira depender de doação de cesta básica para se alimentar. Mas, vocês sabem, não se consegue isto sem muita luta.

Locutor: Reforma tributária e reforma da Previdência.

Presidente da República: A reforma tributária e a reforma da Previdência são fundamentais para o Brasil. Durante os próximos meses vou falar sobre elas, faço questão de que o povo brasileiro entenda, exatamente, por que elas são tão necessárias para o nosso futuro. Com as reformas, vamos corrigir distorções, combater a corrupção e incentivar o desenvolvimento, única forma de gerar os empregos de que tanto precisamos.

Os projetos dessas reformas serão encaminhados, ainda este mês, ao Congresso Nacional. E eles estão sendo feitos de forma absolutamente democrática, ouvindo todos os setores organizados da sociedade, numa perfeita sintonia com Governadores e Prefeitos de todos os partidos. O nome disso é mudança. Mudança de estilo, mudança de forma de agir.

Locutor: Apoio à indústria nacional.

Presidente: Mudança importante, também, é dar prioridade às empresas nacionais. Foi isso que levou a Petrobrás a rever a concorrência para a construção das plataformas P-51 e P-52, iniciadas no Governo passado.

Antes, os termos da concorrência não davam nenhuma chance às empresas brasileiras, que levavam, para fora do nosso país, milhões de dólares e milhares de empregos. A nova concorrência garante que, pelo menos, 65% da construção das plataformas sejam feitas aqui, gerando milhares de empregos aqui no Brasil e não lá fora.

É esse tipo de mudança que quero para o nosso país. Mudança de atitude, mudança de mentalidade do Poder Público, que pode e deve ajudar a construir um país mais forte, mais competitivo.

Locutor: Retomada de obras paralisadas.

Presidente: É importante acabar, de uma vez por todas, no Brasil, com a prática de deixar obras paradas pela metade. Muitas delas, apenas porque foram iniciadas por um outro Governo. Um verdadeiro absurdo! Milhões de reais gastos em estradas, pontes, viadutos e túneis, alguns quase prontos.

Mandei fazer um estudo detalhado de cada uma dessas obras e corrigir o que tiver que ser corrigido. E já determinei a retomada de centenas delas, principalmente algumas estradas importantes, que se encontram em estado de verdadeira calamidade.

Locutor: Segurança Pública.

Presidente: Na Segurança Pública, também estamos começando a mudar. Sem dúvida, essa é uma área muito complexa. Junto com a maioria dos Governos estaduais e, também, muitas Prefeituras, estamos trabalhando para implantar um sistema único de segurança pública.

Será a primeira vez que todas as forças policiais do país trabalharão em conjunto, compartilhando cadastros, sistemas de informação e técnica de investigação. Afinal, para combater o crime organizado, precisamos de uma Polícia mais organizada ainda.

Determinei, também, a construção de cinco presídios federais de segurança máxima. E o primeiro estará pronto ainda este ano. Enviei ao Congresso medida provisória, aumentando em quase 70% o atual efetivo da Polícia Federal. Hoje, temos 7 mil agentes, e vamos para 11 mil e 500 policiais federais em todo o país.

Locutor: O futuro.

Presidente: Como todos sabem, chegamos ao Governo num momento muito complicado para o Brasil. Mas não há de ser nada. As coisas já estão mudando e vão mudar muito mais.

Com a força de vocês, com o trabalho dos meus Ministros, o apoio do Congresso, dos Governadores e dos Prefeitos, vamos vencer todos os desafios.

Afinal, estamos apenas começando. E eu estou muito otimista com o futuro do nosso país. O mundo inteiro acha que estamos no caminho certo.

Portanto, só tenho uma coisa a pedir: continuem confiando no seu Presidente. E, o mais importante: continuem confiando no seu país. Vem de vocês a energia que precisamos. É ela que me dá força e coragem para mudar o Brasil.

Muito obrigado e boa noite a todos.

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