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Lula defende competitividade contra protecionismo

08.06.2003 | Fonte de informações:

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"O Brasil precisa entender que em comércio exterior ninguém faz concessões. Por isso propus à China, Rússia, Índia que precisamos fortalecer nosso comércio para enfrentarmos em pé de igualdade o G8 (grupos dos oito países mais ricos)", disse o presidente.

Lula lembrou que, pela primeira, um presidente latino-americano foi convidado a participar da reunião do G8. Ele disse que percebeu os países mais pobres presentes ao evento reclamarem "o tempo inteiro" que a Europa e os EUA não fazem por eles o que poderiam. O presidente recordou seus tempos de sindicalista, quando "em vez de ficar chorando na mesa de negociação", ele "ia à luta para conquistar o que queria".

O presidente exemplificou que os EUA estão produzindo um álcool de milho três vezes mais caro que o álcool de cana brasileiro, para demonstrar como os países ricos protegem sua agricultura.Lula disse que se os países em vias de desenvolvimento se unirem numa troca de mercados, vão se fortalecer "e os países do G8 é que vão oferecer seus mercados para nossos produtos".

Malha ferroviária "Um governo pode até não construir estradas novas, mas tem a obrigação de manter as que já existem", disse Lula. O presidente ressaltou que o investimento em infra-estrutura de transportes é fundamental para que o país se torne competitivo comercialmente. Ele disse ter orgulho de poder fazer a viagem de trem pelo Alto Araguaia, pois nunca entendeu porque o Brasil desmontou sua malha ferroviária, se os trens são o principal e mais barato meio de transporte na Europa. Lula acredita que o transporte intermodal, que integra rodovia, ferrovia, aerovia e hidrovia pode reduzir riscos e custos para o comércio, além de melhorar "a qualidade de vida dos caminhoneiros".

Lula disse que vai abrir mesas de negociação entre "aqueles que querem construir e aqueles que defendem o meio ambiente" para acordos sobre desenvolvimento sustentável do país. "Temos um povo com expectativa como nunca houve, um setor empresarial disposto e governantes motivados para fazer este país crescer", disse.

História de atrasos O presidente disse que vai fazer em quatro anos o que outros governantes não fizeram em dez. "A única explicação para a situação em que estamos é que não fizemos as coisas no momento certo". Lula citou várias mudanças ocorridas no país atrasadas em relação a outros países em situação semelhante, tais como a abolição da escravidão, a independência política e o direito das mulheres ao voto. "O analfabetismo não foi enfrentado como deveria na década de 50 e se tivéssemos feito a Reforma Agrária quando o mundo todo fez, não teríamos violência no campo e disputa por terra".

Lula lamentou também o fato dos governos brasileiros terem "destruído" sua malha ferroviária. "São governantes que pensam pequeno e olham apenas para as belezas da Europa e dos EUA, em vez de olhar para as potencialidades do Brasil", declarou. O presidente voltou a anunciar algumas medidas que está tomando para compensar este atraso. Lula falou do Plano de Safra, que qualifica como o maior já feito pelo governo, e que deve chegar aos agricultores sem atrasos. Falou ainda da agricultura familiar e sua importância para manter as famílias no campo, em vez de favelas nas cidades. Falou ainda do compromisso de uma nova agência da Caixa Econômica Federal na região da Ferronorte, "com dinheiro para crédito", acreditando no desenvolvimento da região.

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