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Observatório do Jornal Nacional

08.05.2005 | Fonte de informações:

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Ao noticiar as rebeliões dos jovens em São Paulo, o JN destacou nesta quinta (5/5) frases como “Febem parecia praça de guerra” e “4 meses, mais de 20 rebeliões”. Pecou novamente pelo discurso da autoridade, fechando a matéria com o secretário de Justiça de São Paulo e presidente da FEBEM, Alexandre de Moraes, dando sua "solução" final e mágica para o problema.

Por sinal, Moraes teve o privilégio de aparecer duas vezes, pois foi citado no final da edição por ter sido eleito para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão responsável pelo controle externo do Poder Judiciário. Faltou dizer que Moraes foi indicado pelo PFL e PSDB, em parceria com o nada popular Severino Cavalcanti, para derrotar o governo, como informa o jornal O Globo de sexta (6/5).

Em outras palavras, não foi possível deduzir que aquele cara que, no primeiro bloco, dava a solução final para o problema na FEBEM - mesmo que, como presidente da instituição, seja um dos principais responsáveis pela situação - era o mesmo que ganhava uma vaga no CNJ, com apoio do "barrigudo" da Câmara que acha que empregar parentes no Congresso e favorecer amigos é fazer um serviço para o Brasil.

Talvez não seja educado expor essa ligação. Até porque é o PSDB.

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Solução instântanea: desarmamento civil

Já está virando prática na Globo dar como resposta para qualquer vandalismo armado o Estatuto do Desarmamento. Agora que ele foi aprovado, parece restar uma estranha campanha pelo plebiscito contra as armas. Pra quê, se a opinião já está controlada?

Desta forma, o JN divulgou ontem uma espécie de ranking da violência, com o Brasil em segundo lugar em mortes por arma de fogo e a Venezuela - para eles, o satã - em primeiro. “Israel, que vive um conflito armado, ficou em 26º”.

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Lutas "despercebidas"

Continuando a onda irracional de ataques ao movimento dos sem-terra - o que rompe brutalmente com a tal imparcialidade jornalística -, o Jornal Nacional mostrou nesta quinta (5/5) imagens da Marcha a Brasília, organizada por quatro entidades ligadas aos movimentos sociais - e não só pelo MST, como afirmou o JN. Antes, fez duas chamadas (uma no começo e outra antes do intervalo): “Dinheiro público financia a marcha dos sem-terra a Brasília”. Dava a nítida impressão de que vinha bomba. O tom era de denúncia.

O conteúdo: a ajuda vinha de governos estaduais, municipais, ONGs e igrejas. Veja a diferença entre “Dinheiro público financia a marcha dos sem-terra a Brasília” e o fato de o dinheiro vir de um monte de lugares, incluindo ONGs e igrejas. O único embasamento que poderia - e apenas poderia - se tornar uma denúncia é o seguinte: "(...) o ministério público estadual de goiás estuda a possibilidade de abrir inquérito sobre o repasse de verbas públicas".

Antes, William Bonner havia feito um pequeno melodrama sobre o caso de uma adolescente grávida na cidade de Marabá, no Pará. Ela não havia feito pré-natal - "como muitas nesse país" - e, para sua surpresa, teve tri-gêmeos. A cidade, de 200 mil habintantes, não tinha condições de atender um caso mais grave como o dela e não possuía ambulância adequada. Como a capital, Belém, ficava a 580 quilômetros, os três bebês morreram.

William Bonner, em tom de indignação: "Vamos destacar uma informação que poderia passar despercebida, mas que o JN faz questão de destacar". Aí entra o jornalismo messiânico, para "chamar a atenção de autoridades".

Se há, como eles dizem, preocupação com a vida de pessoas humildes, porque o descaso com os camponeses do MST? A indignação serve apenas para pessoas isoladas que não conseguem seus direitos? O direito à propriedade para todos, no campo ou na cidade, não é igualmente importante? Pelo jeito, não quando há a "ameaça" da auto determinação dos povos.

Como a propriedade (da mídia) é deles - e estamos falando de pessoas que não aceitam que uma emissora de televisão é concessão pública, e não deixa ninguém saber disso - nós temos que continuar lidando com a desonestidade diária contra o povo organizado e consciente.

PS: Só mesmo na Globo o caso dessa adolescente "poderia passar despercebido". Quem não publicaria esse fato lamentável?!

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Piada de mau gosto

“Não esqueçam das vítimas nem dos assassinos”. De Ariel Sharon, em Auschwitz.

De maneira bíblica, o correspondente da Globo fala em "inferno nazista" e "demônio do holocausto" - uma maneira fácil e preguiçosa de "explicar" a História.

Deveriam verificar, aliás, que boa parte dos assassinos foram acomodados pela Casa Branca após a segunda guerra, como mostram os jornalistas norte-americanos de renome, em livros sobre o assunto.

Gustavo BARRETO

 
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