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BNDES cresce com reorientação de financiamentos

07.05.2004 | Fonte de informações:

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Os dados comprovam, ainda, a superioridade do desempenho do banco na gestão Lula em comparação com o último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. O balanço do crescimento do lucro e do patrimônio do BNDES, assim como da capacidade de investimento, desmentem críticas feitas ontem (5) pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em palestra na Universidade de São Paulo.

Os desembolsos do BNDES em 2003 chegaram a R$ 33 bilhões, desempenho 6% superior aos R$ 31 bilhões de 2002. Entre outros fatores, o relatório de desempenho divulgado em fevereiro de 2004 revela que este aumento expressivo se deve ao crescimento das liberações para as micro, pequenas e médias empresas, que chegaram a R$ 10 bi, com crescimento de 22% em relação ao ano anterior. Em 2003, o volume de liberações do BNDES para o segmento representou 32% do total desembolsado pelo Banco.

O planejamento do governo também inclui uma inversão em relação ao governo anterior ao redirecionar os investimentos do BNDES para o setor de infra-estrutura. O próprio ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse, em março, que o banco nacional, junto com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estavam orientados a priorizar investimentos em modernização de portos e rodovias, com a finalidade de viabilizar a exportação da produção brasileira de grãos. “No BNDES são R$ 47 bilhões para investir. A Caixa vai dobrar, serão R$ 11 bilhões. O Banco do Brasil tem R$ 7,5 bilhões”, disse o ministro.

Era do desemprego

A cerca de 300 pessoas em seminário sobre "Desafios da Ordem Internacional", FHC questionou a competência do banco para gerir o financiamento do desenvolvimento do país. Ele ironizou ainda que, se o governo Lula tem um projeto de governo, ainda não conseguiu descobrir qual.

Na era FHC (1995-2002), o BNDES era orientado a abrir crédito a empresas estrangeiras e oferecer empréstimos a empresas fraudulentas como a falida Enron (EUA) para que comprassem empresas estatais brasileiras. Muitos desses empréstimos, hoje, são difíceis de serem recuperados. Empresários brasileiros também reclamavam quando empresas como a Ford receberam quase R$ 1 bi para instalar fábrica na Bahia. Com isso, a Ford fechou unidade no Rio Grande do Sul, desempregando, para gerar poucos empregos no Nordeste. Parte dos recursos de empréstimos às empresas era aplicado em informatização do processo produtivo, gerando mais desemprego.

Competência

Mesmo com mudanças tão significativas na gestão do BNDES, o balanço de desempenho e lucro do banco apresentou resultado histórico de R$ 1,038 bilhão, no ano de 2003. Esse desempenho, 89% superior ao obtido em 2002, é o maior lucro nominal de sua história. Houve crescimento no patrimônio do banco e rentabilidade de 8,2% sobre o patrimônio líquido médio, índice que em 2002 havia sido de 4,5%. Mesmo com todo o desmonte do patrimônio estatal de empresas, com suposta finalidade de reduzir o déficit público, o BNDES não foi capaz de ter lucros similares.

Segundo avaliação do superintendente Roberto Fiorêncio, os indicadores mencionados mostram o fortalecimento do BNDES. A renegociação da dívida da AES, controladora da Eletropaulo, ocorrida no ano passado, teria possibilitado a melhoria generalizada nos diversos itens do balanço do banco. A empresa que ameaçava declarar falência para não pagar a dívida acabou negociando com o banco.

A inadimplência total na carteira do BNDES, que era de 6,1% em setembro, caiu para 3% em dezembro. O diretor financeiro Roberto Timótheo da Costa revelou que a inadimplência foi reduzida de R$ 7,1 bilhões em setembro para R$ 3,7 bilhões em dezembro de 2003.

Primeiro trimestre

Neste ano, o aumento dos investimentos orientados pelo governo Lula mantém uma escala ascendente. Os desembolsos efetuados pelo BNDES no primeiro trimestre deste ano cresceram 72% em comparação a igual período do ano passado, totalizando R$ 8,49 bi contra os R$ 4,95 bi referentes ao primeiro trimestre de 2003.

De acordo com os números divulgados pelo banco, as aprovações cresceram 73% no trimestre, com R$ 6,9 bi, enquanto os enquadramentos alcançaram R$ 14,5 bi, sendo este último resultado 262% superior ao do mesmo período do ano passado. Em março, os pedidos de financiamento aptos a receber apoio do BNDES atingiram a cifra de R$ 10,37 bi, contra R$ 1,39 bi em igual mês de 2003. Já as aprovações de empréstimos somaram R$ 3,46 bi contra R$ 1,45 bi em março do ano passado.

Passo inicial para os pedidos de financiamento a projetos no BNDES, as cartas-consulta enviadas por empresas à instituição saltaram de um volume de R$ 2,2 bilhões em março de 2003 para R$ 9,57 bilhões em março de 2004. Na avaliação do BNDES, as consultas traduzem “a disposição do empresariado em realizar investimentos produtivos no futuro do país”.

Arranjos produtivos locais

O BNDES estabeleceu para 2004 um conjunto de iniciativas a serem realizadas no sentido de, nas palavras de sua diretoria, “contribuir para a retomada do crescimento, superar os gargalos que impedem o desenvolvimento e promover a inclusão social”. Para cumprir suas metas, o Banco prevê o desembolso de R$ 47,3 bilhões, recursos 43% maiores do que o realizado em 2003.

O BNDES criou linhas específicas de crédito para projetos de inclusão social, recuperação e desenvolvimento da infra-estrutura nacional, modernização e ampliação da estrutura produtiva, promoção das exportações e aumento do apoio a micro, pequenas e médias empresas, “com atenção especial para o desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs)”. Os APLs são organismos geralmente formados por ONGs, sindicatos, cooperativas e associações empresariais no processo de articulação entre as empresas de uma mesma região. As gestões municipais petistas têm atenção especial com a dinamização da economia local via APLs.

Partido dos Trabalhadores

 
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