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Luciana Genro: Fragmentos de um ano que marcou a história do país

05.01.2004 | Fonte de informações:

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Sr.Presidente, peço a V.Exa. que considero como lido pronunciamento em que faço a cronologia do ano, que se iniciou com a posse do Presidente Lula e a nomeação do seu Ministério, dentre eles o Presidente do Banco Central, Deputado eleito pelo PSDB, ex-presidente de um dos maiores conglomerados bancários do mundo e o 4º maior credor da dívida externa brasileira, e que se desenrolou passando pela Reforma da Previdência, reforma tributária, por diversos ataques aos direitos da classe trabalhadora e a negação da história do PT.

Agora, se encerra com um ano com crescimento do PIB próximo de zero, queda na renda do trabalhador, 1 milhão e meio a mais de desempregados e também com a nossa expulsão do Partido dos Trabalhadores. É, portanto, um ano histórico e que merece ser registrado.

Quero também, Sr. Presidente, que V.Exa. considere como lido discurso que pronunciei no último domingo, na reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, quando, por 55 votos a 27, foi aprovada a minha expulsão, a dos Deputados Babá e João Fontes e a da Senadora Heloísa Helena, do Partido dos Trabalhadores.

Tivemos 15 minutos para nos defender e, evidentemente, não nos defendemos porque não nos consideramos criminosos ou alguém que cometeu delito e que merece perdão. Apenas tentamos mostrar que a nossa expulsão é o símbolo da degeneração do PT como partido de esquerda e que é necessário que as bandeiras que foram abandonadas pela cúpula do partido sigam sendo levantadas. Muito obrigada.

Cronologia 2003

Janeiro - Lula e seus Ministros tomam posse em meio a uma grande festa popular. No Ministério destaca-se a presença de Luís Fernando Furlan, quase ministro de FHC e dono da Sadia, maior empresa exportadora de alimentos do país; do grande empresário do agribusiness e conhecido defensor dos transgênicos, Roberto Rodrigues, e do deputado eleito pelo PSDB, Henrique Meirelles, ex-presidente do segundo maior credor da dívida brasileira, o BankBoston, que torna-se presidente do Banco Central do Brasil.

- Fórum Social Mundial em Porto Alegre. Chávez, que junto com Fidel Castro é o único presidente que segue contrário a ALCA, participa de ato na Assembléia Legislativa, contra o golpe na Venezuela, articulado pelo MES e pelo Mandato Luciana Genro com o Embaixador Vladimir Villegas.

- Lula vai a Porto Alegre e depois dirige-se a Davos, o Fórum dos capitalistas e neoliberais.

Fevereiro

- Carta de intenções do governo ao FMI. Compromisso de aumentar o superávit primário para 4,25% do PIB, fazer as reformas da previdência e tributária, aprovar a Lei de Falências, privatizar lguns bancos estaduais e abrir caminho para a autonomia do Banco Central.

- Início dos trabalhos legislativos: PT apóia Sarney para presidência do Congresso e Comissão de Assuntos Econômicos do Senado vota a indicação de Henrique Meirelles para Presidente do Banco Central.

Heloísa Helena recusa-se a votar em Sarney e Meirelles

- Governo anuncia corte de R$ 14 bilhões no orçamento, atendendo à exigência de superávit primário acordada com FMI. Reduz em 80% os investimentos e tira R$ 5 bilhões das áreas sociais.

- Dia 15 ocorre o Dia Mundial Contra a Guerra. Milhões no mundo manifestam-se contra a guerra de Bush.

Março

- Inicia a guerra imperialista de Bush contra o Iraque. No mundo inteiro vão acontecer manifestações de protesto. Lula faz pronunciamento em tom crítico pela falta de "aval da ONU", sem denunciar a guerra enquanto tal.

- Senador Aloísio Mercadante em pronunciamento elogia a "grande contribuição" do governo anterior e diz que o PT errou ao não apoiar as reformas de FHC.

- Luciana apresenta projeto que, se aprovado, possibilitaria o cumprimento do compromisso de campanha de dobrar o valor real do salário mínimo em 4 anos, promessa de Lula na campanha.

- Governo anuncia reajuste de R$ 40,00 no salário mínimo, praticamente zero de aumento real (acima da inflação).

Abril

- 100 dias do governo Lula: os juros aumentaram, os gastos públicos diminuíram, o pagamento de juros aos banqueiros cresceu, a renda do trabalhador caiu, a Operadores da Bolsa de Valores inadimplência aumentou e o consumo diminuiu. O risco país, índice usado pelos mercados internacionais para medir a capacidade e a vontade do governo de atender seus anseios, este caiu brutalmente. O governo conseguiu ganhar a confiança dos banqueiros. Pesquisa Datafolha revela que para 45% da população o governo fez menos do que se esperava. No quesito combate ao desemprego só 19% aprovam o governo.

- Votação da PEC 53/99, de autoria do ex - Senador José Serra, que abre caminho para a autonomia do Banco Central. "O Banco Central já tem autonomia demais, e a autonomia oficial é a blindagem econômica e financeira que os mercados desejam para ter certeza que a política econômica do governo não mudará." afirma Luciana Genro em sua declaração de voto. Babá, João Fontes e outros deputados do PT expressam a mesma posição.

- Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência. No RJ, Heloísa Helena, Luciana Genro, Babá e João Fontes reúnem-se na mobilização com milhares de servidores. Atos em todo o país iniciam a batalha contra a reforma. Os "radicais" do PT se empenham no apoio aos servidores e nos próximos meses vão viajar por todo o Brasil em apoio à luta.

- Ocorrem greves e paralisações de metalúrgicos e químicos. Durante a greve da General Motors em São José dos Campos, o Ministro do Trabalho diz que governo vai intervir se eles conquistarem gatilho salarial, pois seria "incompatível com a lei".

Maio

- Os atos de 1º de maio são fracos em todo o país. Centrais Sindicais limitam-se a realização de festas

- Começa a perseguição contra os "radicais" pela cúpula do PT. Ato em Porto Alegre com os três deputados reúne mais de 500 pessoas e inicia a resistência, que se espalhará pelo país nos próximos meses.

Executiva nacional do PT abre o processo de expulsão contra Heloísa Helena, Luciana Genro e Babá na Comissão de Ética. Bancada suspende João Fontes por divulgar fita com declarações antigas de Lula contra a reforma da previdência.

Luciana Genro se solidariza e é suspensa também. Pedida a expulsão de João Fontes, que sequer vai para a Comissão de Ética.

- Lula envia a PEC da Reforma da Previdência.

- Liderança da Bancada retira Luciana Genro da Comissão Especial da Reforma da Previdência

- Grande ato contra a Reforma da Previdência em Aracajú (SE) reúne os 4 parlamentares ameaçados de expulsão e mais de 1500 pessoas Um novo tempo, um novo partido

- Começa o debate sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Luciana, João Fontes e Babá apresentam emendas propondo zerar o superávit primário destinando o dinheiro para um aumento real de 25% do salário mínimo e aumento de 25% das verbas para saúde, educação e assistência social. Além disso, inspirados em Projeto de Decreto Legislativo apresentado em 2000 pelo então deputado federal José Dirceu, propõe condicionar o pagamento da dívida interna a uma prévia auditoria e o pagamento da dívida externa a um plebiscito para que a população decida sobre a dívida externa e a manutenção dos acordos internacionais entre o governo brasileiro e o FMI.

- No Rio de Janeiro a violência urbana - brutal e crescente em todo o país - se expressa nas queimas dos ônibus efetuada em nome do tráfico de drogas, ferindo e aterrorizando os passageiros.

- Desemprego em SP atinge 20,6%, sendo quase 2 milhões de pessoas sem emprego na região. O Produto Interno Bruto cai 0,1 % no primeiro trimestre do governo Lula.

- PT faz programa de TV com slogan: " a gente sente, o Brasil está diferente".

- É oficialmente declarado o fim da guerra do Iraque. Segue a ocupação norte americana e a resistência do povo. Até o final do ano vão morrer mais soldados norte americanos do que durante o período oficial da guerra.

Junho

- Nível de investimento público é o menor em 9 anos. Os R$ 173 milhões gastos nos primeiros 5 meses são menos da metade do pior resultado da era FHC. Em 12 anos é o maior arrocho para pagar juros, divulga a imprensa. Até agora foram R$ 32,7 bi para os banqueiros.

- O governo Lula produz 580 mil novos desempregados em cinco meses.

- PMDB formaliza adesão ao governo, e avisa que vai cobrar cargos.

- Governo anuncia 1% de reajuste para os servidores públicos.

- No Congresso da CUT a vitória é da Articulação Sindical, corrente ligada ao governo federal, com o apoio do PC do B e da Democracia Socialista. Lula comparece e é vaiado pela oposição à Articulação Sindical.

- Primeiro grande protesto em Brasília contra a Reforma da Previdência reúne mais de 30 mil manifestantes que ameaçam o governo com uma greve geral e recebem os "radicais" como seus representantes. Os deputados petistas que defendem "melhorar" a reforma Primeiro ato contra a reforma da Previdência em Brasília são hostilizados. O presidente da CUT, Luís Marinho, não consegue falar.

- Muitas lutas no campo, marchas e ocupações. Os latifundiários organizam uma contra marcha em defesa da propriedade do fazendeiro Alfredo Southall, uma fazenda de 13 mil hectares em São Gabriel, no RS. " O MST está exagerando. Não aceitamos bloqueios de pedágios e conflitos em áreas produtivas" declara o presidente do PT José Genoíno.

- Governo envia a Reforma Tributária ao Congresso. Prorrogação da DRU, que desvia 20% das verbas da educação e saúde para os juros da dívida; manutenção da CPMF e das distorções tributárias que levam os pobres a pagar proporcionalmente muito mais imposto do que os ricos. Bancos vão continuar lucrando loucamente.

- BankBoston, ao qual Henrique Meirelles segue vinculado por uma aposentadoria milionária, é a instituição financeira que apresentou o maior crescimento do lucro nos três primeiros meses do ano. Crescimento foi de 410%.

- Tribunal Aberto em SP, organizado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior e Robério Paulino, reúne intelectuais e militantes para defender os parlamentares ameaçados de expulsão.

- Heloísa Helena, Luciana Genro e Babá são ouvidos na comissão de ética do PT. Chico Oliveira, Paulo Arantes, Plínio de Arruda Sampaio, Ricardo Antunes, Reinaldo Gonçalves, Emir Sader, Dalmo Dallari, Senador Suplicy, Presidente do Andes/SN Luís Carlos Lucas, entre outros, são testemunhas de defesa dos "acusados".

- Lula anuncia o "espetáculo do crescimento" a partir de julho

- O país estagnado. Juros em 26% sofrem corte de mísero 0,5 ponto. Palocci vai à TV e fala que os planos originais do governo foram adiados e substituídos por "medidas duras e amargas" para colocar o país na rota do crescimento.

- Congresso da UNE. Distante da base estudantil, o congresso dá a vitória mais uma vez à UJS que busca atrelar ainda mais a entidade ao governo. A juventude do MES, junto com a juventude da CST e do PSTU montam uma oposição de esquerda.

- Dia do Orgulho Gay. Centenas de milhares reúnem-se no Brasil inteiro para dizer não à discriminação por orientação sexual.

- Grande ato na Assembléia Legislativa do RS em defesa da Varig, contra a fusão com a TAM. Associação dos Pilotos denuncia que o governo Lula, através do BNDES, irá financiar a demissão de mais de 6 mil trabalhadores.

Julho

- Começa a greve dos servidores públicos contra a reforma da previdência, que vai durar quase dois meses

- Governo aprova a reforma na CCJ. No último momento tem que substituir deputados que recusam-se a votar e João Paulo, presidente da Câmara, chama a PM para dentro da Casa em uma repressão inédita. Rogério Marzola, dirigente da Fasubra é espancado dentro da Câmara.

- Lula vai aos EUA encontrar-se com Bush. Selado o compromisso de cumprir o calendário de implementação da ALCA até 2005.

- Articulado pelo MES e a CST, Luciana Genro, Babá e João Fontes, junto com Luís Carlos Lucas ( presidente do ANDES/SN), Maria Lúcia Fatorelli (presidente da UNAFISCO), os intelectuais Roberto Romano, Reinaldo Gonçalves, Plínio de Arruda Sampaio Júnior, Ricardo Antunes e milhares de outros militantes e lutadores sociais divulgam o MANIFESTO DE URGÊNCIA contra a fome, para garantir salário, emprego e terra.

- As ocupações continuam. Despejos ocorrem em vários estados, como em Pernambuco, no Engenho do Prado, onde a polícia desaloja 1500 sem terras. José Genoíno, apela para os movimentos sociais: " parem de multiplicar as invasões".

- José Rainha, líder dos sem terra do Pontal, é preso.

- Grande ocupação de sem teto no terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Luciana e Babá vão levar solidariedade. Neste período outras ocupações ocorrem em SP. A burguesia pressiona o PT por medidas enérgicas e repressivas. A repressão foi montada no terreno da Volkswagen, repetindo a política que já estava sendo posta em marcha na capital. As ocupações diminuem e o PT se fortalece aos olhos da burguesia como um governo capaz de deter e derrotar o movimento.

Agosto

- Segundo grande ato em Brasília contra a Reforma da Previdência. São cerca de 70 mil manifestantes. Governo dá um golpe na Marcha e coloca a reforma em votação um Lula brinda dom Bush o compromisso de implementação da ALCA até 2005

- 21 dia antes de sua chegada em Brasília. A PEC é aprovada por 358 votos a 126, mas os servidores não se dão por derrotados. Realizam uma grande manifestação e prometem voltar no segundo turno. Luciana Genro, Babá e João Fontes são os únicos petistas que votam contra.

- Acidente na base de lançamento de Alcântara mata 21 funcionários e deixa a suspeita de que ocorreu por falta de investimentos.

- Crise no Inca - Instituto Nacional do Câncer. Mais de 100 médicos rebelam-se e devolvem a chefia de seus setores pela falta de drogas quimioterápicas, infra estrutura básica para tratar os doentes.

- Segue a marcha dos sem terra pela desapropriação da fazenda em São Gabriel. No meio da tensão entre os latifundiários e sem terras, o STF anula desapropriação da fazenda, a primeira de Lula no RS.

- Bandas armadas dos latifundiários agridem sem terras em Alagoas e trabalhadores rurais da Organização da Luta do Campo (OLC) de Pernambuco. Enquanto Lula fala de paz no campo, homens encapuzados e armados com metralhadoras, pagos pelo latifúndio, mostram a violência e a impunidade.

- Marcha das Margaridas em Brasília, com mais de vinte mil mulheres, reivindica reforma agrária e valorização do salário mínimo.

- Movimento Esquerda Socialista junto com o Mandato da deputada Luciana Genro organiza Seminário Internacional em Porto Alegre, com a presença de François Chesnais, economista, professor da Universidade de Nanterre, diretor da revista Carré Rouge e dirigente da ATTAC França. Além de outros convidados internacionais o seminário contou com a presença dos intelectuais brasileiros Paulo Arantes, Ricardo Antunes e Plínio de Arruda Sampaio Júnior. As falas de todos os presentes apontam para a degeneração do PT que deixa um grande vazio na esquerda brasileira. A necessidade de iniciar a construção de um novo partido de esquerda no Brasil começa a ser debatida publicamente.

- Revolta do "buzum". Milhares de estudantes paralisam Salvador por uma semana contra o aumento das passagens. Conquistam parcialmente suas reivindicações e dão o exemplo de combatividade para todo o país.

- Morre o dono das organizações Globo, Roberto Marinho. O dono da emissora que ajudou Collor a derrotar Lula em 89 e que apoiou o regime militar é chamado por Lula de "grande amigo" e ganha luto oficial.

- Lula confessa: "Nunca fui de esquerda".

Setembro

- Ministro Miguel Rosseto demite Marcelo Rezende da presidência do INCRA. Dom Tomás Balduíno reage: " O Rosseto está comprometido com a reforma agrária de mercado, que pode trazer de volta o Banco da Terra, combatido pelos movimentos sociais. É possível compreender melhor agora por que ele não deu nenhuma agilidade ao plano de reforma agrária, que após oito meses de governo ainda não começou a andar".

- Luciano da Silva, o " grilo", militante petista e líder do MST em Alagoas é assassinado por pistoleiros. Neste momento, no decorrer do ano, já tinham tombado mais de 50 lideranças da luta pela terra no Brasil. Diolinda Alves é presa em SP, sendo mais uma liderança dos sem terra sem liberdade no Estado. Zé Rainha e Mineirinho continuam encarcerados.

- Heloísa, Luciana Genro e Babá vão ao Pontal do Paranapanema levar solidariedade a José Rainha, Diolinda e Mineirinho, que assim como dezenas de outras lideranças dos sem terra, estão encarcerados. Os parlamentares unem-se em uma campanha pela LIBERDADE AOS PRESOS POLÍTICOS DO MST e demais lideranças da luta pela terra.

- Marchas dos Excluídos de 7 de setembro são fracas, destacam-se as Romarias da Igreja Católica.

- Breve moratória na Argentina expõe o tamanho da covardia do governo Lula frente aos credores internacionais.

- Reunião da OMC em Cancún é palco de grande manifestação. Um agricultor sul coreano se suicida em protesto. Governo Lula passa a defender abertamente ALCA light.

- Sociólogo e fundador do PT Chico Oliveira afirma que a elite do sindicalismo nacional, e por consequência o grupo dirigente do PT passou a constituir uma nova classe social, gestora dos fundos de pensão. É a explicação sociológica do giro à direita do PT.

- Aprovada na Câmara a Reforma Tributária. Mais uma vez os três "radicais" votam contra e denunciam as medidas que só interessam ao FMI.

- Em nova carta ao Fundo governo promete privatizar os bancos estaduais que foram federalizados por FHC, "até o final do ano".

- Para indignação dos familiares de desaparecidos políticos, o Governo recorre da sentença judicial que determinava a abertura dos arquivos sobre a guerrilha do Araguaia. Familiares e grupos de luta pelos Direitos Humanos denunciam a "total falta de vontade política de esclarecer, de fato, os crimes de lesa-humanidade que foram cometidos pelas Forças Armadas na guerrilha do Araguaia". Luciana aprova realização de audiência pública sobre o tema na Comisssão de Direitos Humanos.

- Ampliando a caça às bruxas, PT de São Carlos expulsa sumariamente a vereadora Julieta Lui. Outros dirigentes partidários e sindicais filiados ao PT são perseguidos por recusarem-se a virar "pelegos", a exemplo da vereadora Ceres Figueiredo (Olinda), e Edna Nascimento, presidente da ADUFPI. Muitos começam a pedir desfiliação.

- Estoura o escândalo envolvendo o governador de Roraima, recentemente filiado ao PT. Ele é acusado de ser cúmplice e participante de um esquema de corrupção que sugou, em média, R$ 70 milhões por ano dos cofres do Estado. É a praga dos gafanhotos, que comem a folha salarial através dos desvios, atingindo em cheio o critério ético do new PT.

- Greve dos Trabalhadores dos Correios. Categoria exige reposição salarial imediata. Após alguns dias os dirigentes nacionais, ligados ao PC do B e Articulação, desmontam a greve sem nenhuma garantia de conquistas.

Outubro

- Insurreição popular e indígena derruba o presidente da Bolívia Sanchez de Lozada. A luta começou contra a entrega do gás para os EUA, que o governo reprimiu furiosamente causando dezenas de mortes, mas as mobilizações continuam até a queda do presidente. Lula envia seu assessor Marco Aurélio Garcia para apoiar uma saída que contenha a insurreição e garanta a posse do vice, Carlos Mesa.

- Ministro Roberto Rodrigues leva a melhor na briga com Marina Silva e o governo edita Medida Provisória atendendo os interesses dos grandes produtores rurais e da Monsanto, liberando os transgênicos sem nenhum estudo de impacto ambiental. Vários deputados do PT divulgam nota pública contra, lembrando a posição do partido em 1999 "de absoluto desacordo e confronto para com a condução suspeita e irresponsável do governo FHC relativa à Desenho boliviano contra o presidente "goni" e mineiros se dirigindo a La Paz liberação desses produtos no Brasil, a toque de caixa e sem o conhecimento científico dos riscos impostos à população e ao meio ambiente".

- Deputado Fernando Gabeira anuncia sua desfiliação do PT. "Sonhei o sonho errado", diz ele.

- Depois de ser conivente com as prisões e a violenta repressão promovida pelo latifúndio, o governo começa a liberar algumas verbas para as cooperativas dos sem terra e anunciar concessões formais. - Palocci volta à TV e em tom modesto diz: "Não quer dizer que todos os nossos problemas tenham sido resolvidos, mas sim que vamos viver um novo tempo daqui para frente". Ao mesmo tempo, diz que agora cabe aos empresários investir, depositando nas mãos dos grandes capitalistas o futuro imediato do país.

- O desemprego segue em alta, os salários e o consumo em queda livre. Segundo pesquisa CNT-Sensus, a popularidade do governo petista é a pior desde a posse. Recua de 55,1% para 46,7% o percentual de entrevistados que acham positiva a condução da política econômica; levantamento mostra que o povo não esqueceu as promessas de campanha e tem o emprego como principal preocupação.

- Ato em Porto Alegre contra as reformas neoliberais do governo Lula e contra a expulsão dos parlamentres coerentes. Heloísa Helena, Luciana Genro, Babá e João Fontes junto com diversos sindicatos participam do ato com mais de 800 pessoas. Novas manifestações acontecem em várias capitais. Em Belém são mais de 500 pessoas.

- Governo aprova a nova Lei de Falências. Desta vez a bancada não fecha questão e outros deputados somam-se no voto contra, além de Luciana Genro, Babá e João Fontes. Os deputados denunciam que os créditos trabalhistas perderão prioridade em relação às dívidas trabalhistas.

- Diretório Municipal do PT/SP impede o registro da candidatura de Plínio de Arruda Sampaio Júnior que disputaria prévias com a Prefeita Marta Suplicy.

- Greve dos Bancários do BB e da CEF. Mobilização arranca melhoria nas propostas.

- Aquartelamento da PM no Rio Grande do Norte.

- Ministra Benedita da Silva vai a compromissos particulares em Buenos Aires com dinheiro público. Lula a perdoa mas ela acaba tendo que devolver o dinheiro.

- Começa a Operação Anaconda, que desnuda elementos de crise e a corrupção no Poder Judiciário.

Novembro

- Governo anuncia novo acordo com o FMI, nos mesmos moldes dos acordos de FHC. Cerca de 30 parlamentares petistas divulgam manifesto: NÃO À RENOVAÇÃO DO ACORDO DO BRASIL COM FMI. Luciana Genro, junto com João Fontes, Babá e Heloísa Helena preparam Ação Popular contra o acordo. Todos os deputados que assinaram a nota são convidados a participar da Ação.

- Os gastos do setor público com os juros da dívida atingem R$ 123,7 bilhões nos dez primeiros meses do governo, 42% a mais do que em igual período do ano de 2002 e correspondente a 9,77% de toda a riqueza produzida no país (Produto Interno Bruto).

- Aprovada MP dos Transgênicos. Bancada não fecha questão e vários deputados do PT votam contra.

- Ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, suspende os proventos dos velhinhos de mais de 90 anos, alegando fraudes. Filas imensas de idosos para se recadastrar acabam fazendo o Ministro, após resistir bastante, voltar atrás. Lula defende seu amigo em cadeia nacional de rádio. Poucos dias depois, novas filas para pedir revisão dos pensões obrigam o Ministro novamente a voltar atrás e prorrogar os prazos.

- Ministério da Fazenda divulga documento alegando que o governo gasta muito com os mais ricos. Ameaça de acabar com os serviços públicos universais volta à tona. Universidade pública é o primeiro alvo.

- Plano Plurianual e orçamento de 2004 são enviado ao Congresso. Para os próximos 4 anos o governo Lula propõe superávit primário de 4,25% do PIB. Cortes na saúde deflagram movimento de deputados para garantir as verbas constitucionalmente destinadas à área. Também na educação governo não quer cumprir a lei. Os Ministério do Desenvolvimento Agrário, da Assistência Social, de Minas e Energia, e dos Transportes também perdem verbas em relação ao orçamento de 2003. Previsão para investimentos é de R$ 7,8 bilhões e para pagamento de juros é de R$ 117,8 bi.

- Audiência Pública promovida por Luciana Genro na Comissão de Direitos Humanos faz ecoar no parlamento a indignação dos familiares de desaparecidos políticos. Vitória Grabois, que perdeu o pai, o irmão e o marido na guerrilha desabafou: "Você tem que chorar seus mortos. Mas esse direito nenhum governo deste país nos deu".

Elisabeth Silveira, do grupo tortura Nunca Mais/ RJ disse que "nenhuma Nação vira uma página escondendo a sua própria história". Criméia Almeida, que também foi guerrilheira, lembrou que "passado tanto tempo é impossível localizar os corpos sem as informações que estão com as Forças Armadas". Convidado, o governo não mandou nenhum representante à audiência.

- Novos atos de apoio aos parlamentares ameaçados de expulsão. Em São Paulo e no Fórum Social Brasileiro em BH, com cerca de 400 pessoas.

- José Rainha é libertado. Diolinda também está livre.

- Governo anuncia que não vai cumprir o Plano Nacional de Reforma Agrária, elaborado pelo ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio, que previa o assentamento de 1 milhão de famílias em 4 anos. Serão 350 mil, mesmo número de famílias assentadas por FHC. Direção do MST decide dar trégua ao governo.

- Chega ao Congresso o PPP - Parceria Público Privada. Os empresários ganharão a concessão e as tarifas e talvez nem precisem botar dinheiro próprio no negócio. O governo garante o lucro dos empresários e o povo entra com o dinheiro para pagar as tarifas.- Preso por corrupção - desvio do dinheiro da folha de pagamento - o ex-governador de Roraima Neudo Campos (PP), do qual o atual governador neopetista Flamarion Portela foi vice.

- Congresso da APEOESP reúne mais de dois mil professores da rede estadual paulista

- Assembléia Geral do CPERS/Sindicato reúne cinco mil trabalhadores em educação do RS e inicia a preparação da greve do ano que vem.

- Conflito entre camelôs e policiais, recorrentes no país ao longo do ano, deixa inúmeros feridos no centro do RJ

- Como esperado, Heloísa Helena vota contra a reforma da previdência no Senado e declara: "Sou uma mulher livre, e a liberdade ofende aos que são presos aos cárceres do poder e que tem que se justificr pelo abandono de suas causas. Jamais me arrependerei deste momento, deste voto que estou dando hoje. "

Dezembro

- País termina o ano com PIB próximo de zero. É o resultado do "espetáculo do crescimento".

- Diretório Nacional do PT define nos dias 13 e 14 a expulsão dos Parlamentares "radicais". Junto com dirigentes políticos e sindicais, intelectuais e milhares de militantes e lutadores sociais, Luciana Genro, Babá e João Fontes divulgam uma DECLARAÇÃO PÚBLICA, iniciando um movimento por um novo partido anti-capitalista, antiimperialista, democrático, socialista e internacionalista.

Pronunciamento Heloísa Helena na reunião do Diretório Nacional (14/12/03) Companheiras, companheiros, quero saudar a todos e de uma forma muito especial eu quero saudar o meu querido companheiro Suplicy que eu sei o esforço gigantesco que fez e que faria para qualquer outro companheiro, e não apenas por mim, e saudar o companheiro Dutra que deve estar aí também.

Escolhi saudar duas pessoas que têm posições distintas neste processo e que votariam de formas distintas. Inclusive o companheiro Dutra me procurou há alguns dias atrás e me pediu, por favor, para que eu votasse a favor da reforma da previdência para que ele não tivesse que levantar o crachá contra mim aqui no Diretório, mas infelizmente eu não poderia votar, não tem nenhuma condição para mim votar favorável aos projetos na concepção que eu aprendi dentro do PT. Nós não estamos defendendo algo que aprendemos numa 'cartilhinha' pessoal nossa. Nós não estamos defendendo algo que aprendemos nas nossas chamadas tendências de esquerda. Nós estamos defendendo pouco! Nós estamos defendendo, inclusive, as resoluções que foram aprovadas no encontro nacional do PT e a forma como o PT atuou e votou contra e combateu ferozmente quando apresentadas pelo governo Fernando Henrique.

Primeiro, eu quero dizer que em Alagoas pode até ter alguém que ajudou a construir o PT tanto quanto eu, mais do que eu não tem. Ninguém no estado de Alagoas enfrentou mais o crime organizado do que eu! Ninguém no estado de Alagoas enfrentou mais a podre oligarquia alagoana do que eu! Não tem, pode ter igual a mim, mais do que eu não tem!

Segundo, eu estou defendendo o que eu passei o ano defendendo, eu defendi como líder do PT, eu defendi como líder da oposição ao governo Fernando Henrique. Então, nada de novo nas minhas palavras tem, nada de novo nos meus argumentos tem, absolutamente nada! E se estes argumentos não eram válidos para atacar ferozmente e condenar as propostas do governo de reforma do estado da política macroeconômica do governo Fernando Henrique, tinham que ter avisado lá, tinham que ter avisado quando eu era líder do PT e líder da oposição ao governo Fernando Henrique. Não o fizeram, portanto, o que eu quero dizer aos companheiros e as companheiras, que como os nossos companheiros já disseram, o resultado já tá dado, porque se apresenta até o placar fechado na imprensa.

Mas eu estou de consciência tranqüila, não com a minha história pessoal, consciência tranqüila com o Partido dos Trabalhadores, com o Partido dos Trabalhadores socialista da radicalidade democrática, e não com a cúpula palaciana do PT, que ousa esmagar as divergências dentro do partido, a cúpula palaciana que está legitimando no território popular uma propaganda triunfalista do receituário neo-liberal, a cúpula palaciana, e não é o PT, não é a sua militância, é a cúpula palaciana que ousa se apresentar perante a opinião pública desta maldita e reacionária coexistência pacífica com o fundo monetário, com o banco mundial, com aqueles setores mais atrasados do nosso país. E é por isso, companheiros e companheiras, que eu quero deixar absolutamente claro - não vou usar os meus quinze minutos - eu estou de consciência tranqüila.

O companheiro Fernando Ferro anteontem conversou cinco minutinhos comigo no plenário, preocupado com a posição que teria me pediu pra pedir clemência, eu jamais poderia fazer isto, nem clemência, nem perdão, nem desculpa, porque se eu tivesse pedido ou clemência, ou perdão, ou desculpa, eu estaria simplesmente negando a história do PT. Eu estaria negando aqueles que resistiram para construir o Partido dos Trabalhadores, eu estaria negando mulheres e homens que arriscaram suas próprias vidas para revirar o imaginário popular, para revirada dos corações e das mentes da classe trabalhadora brasileira, um pensamento único, um pensamento único totalitarismo, um pensamento único que ousa expulsar todas as outras vertentes teóricas que questionam o modelo neo-liberal.

E é por isso que eu estou de consciência tranqüila, absolutamente consciência tranqüila, em relação às posições que eu tenho defendido, que eu não estou defendendo agora, defendi ao longo da minha história do PT de Alagoas, defendi como líder como líder do PT no senado, defendi como líder da oposição ao governo Fernando Henrique no Senado. Portanto, não cabe desculpas, não cabe perdão. Cabe cabeça erguida. É isto que cabe neste momento: a cabeça erguida porque pode ser que eu saia daqui expulsa, mas quem está me expulsando não é o PT socialista, não é o PT da radicalidade democrática, não é o PT que eu ajudei a construir.

'Saio de cabeça erguida' (Babá, 14/12/03 - trecho do pronunciamento)

Eu vou continuar junto aos companheiros Heloísa Helena, Luciana Genro e João Fontes, e todos os outros companheiros que estão saindo com a gente, e continuaremos lutando porque é necessário. Saio de cabeça erguida, vou andar na minha universidade ou onde eu queira andar, de cabeça erguida... enquanto tem companheiros deputados hoje, que não podem mais participar das suas assembléias de base porque traíram os compromissos assumidos com os servidores públicos durante a campanha eleitoral. Mas não se trata só dos servidores públicos. Há um problema que é a transformação brutal do PT. Não é a toa que estamos onde estamos, neste hotel 5 estrelas, porque este é mais um reflexo do "new PT". Deste "novo partido" que prefere Heloísa Helena fora do PT, para abraçar Roseana Sarney; que prefere a oligarquia nordestina, aos companheiros João Fontes e Heloísa Helena, preferem Germano Rigotto do PMDB do RS à Luciana Genro; preferem Jader Barbalho que Babá dentro do PT.

Esclarecimento - A pedido do gabinete do deputado Babá, gostaríamos de esclarecer que Babá não é do MES, conforme informação do jornal Zero Hora, reproduzida no boletim eletrônico anterior. O deputado Babá pertence à Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST).

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

O gabinete da deputada Luciana Genro deseja a todos um Feliz Natal e um ano novo repleto de conquistas. Contamos com todos, em 2004, para a construção de uma nova alternativa política verdadeiramente de esquerda no Brasil.

Lembramos que até o dia 10 de janeiro receberemos assinaturas para a Declaração Pública, que está disponível no site www.lucianagenro.com.br. Se você ainda não assinou a declaração, confira o texto e mande um e-mail para dep.lucianagenro@camara.gov.br com nome completo, categoria profissional e endereço completo. Essa é nossa última edição do Boletim Eletrônico, que volta a circular em fevereiro de 2004. Agradecemos a todos pelo apoio e colaboração que recebemos durante todo o ano de 2003!

Gabinete Deputada Federal Luciana Genro

 
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