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Lula e Putin "deveriam caminhar juntos para criar um mundo multilateral”

03.06.2003 | Fonte de informações:

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O Chanceler do Brasil, Celso Amorim, considera que a Federação Russa é um aliado importante na reconstrução dum Conselho de Segurança da ONU baseado numa abordagem multilateral da resolução de crises.

Não é a primeira vez que o Brasil tenciona criar um forum pluralista e democrático do Conselho de Segurança da ONU. No início dos anos 1990, durante a presidência de Itamar Franco, Brasil fez várias tentativas perante a comunidade internacional de introduzir lugares permanentes no Conselho de Segurança para países africanos e sul americanos, o seu chanceler sendo...Celso Amorim. Hoje, o carismático Presidente Luiz Inácio Lula da Silva confia no mesmo chanceler, que quer ver os seus sonhos tornados realidade.

Celso Luiz Nunes Amorim, educado em Londres, é um homem de convicções fortes. Durante o seu anterior percurso na chancelaria do Brasil, viu seu país integrar o MERCOSUL com a Argentina e criticou a política dos EUA contra a Cuba como “uma política da guerra fria”. Hoje, Amorim continua empenhado nos mesmos princípios e tenta dar ao Brasil uma linha independente, mas não provocativa, de política externa.

PRAVDA.Ru entrevistou Celso Amorim depois da tomada de posse do novo presidente argentino, Nestor Kirchner, em Buenos Aires. O antigo embaixador à ONU explica os planos do Brasil de criar uma comunidade internacional pluralista, em que a Federação Russa desempenha um papel principal.

PRAVDA.Ru: Senhor Amorim, o Brasil continua interessado em re-estruturar o Conselho de Segurança da ONU, obtendo um lugar permanente para a América Latina?

Resposta: Sim. Acreditamos que é necessário fazer uma restruturação do Conselho de Segurança porque a América latina tem de ser representado aí com um membro permanente. Isso é natural, como também é natural que a África e a Ásia tenham o mesmo direito. Não é possível que só os países desenvolvidos ou que tenham armas nucleares sejam aqueles que têm lugares permanentes. Pensamos que temos de avançar na direcção duma representação mais democrática no cenário internacional.

PRAVDA.Ru: O Brasil deverá trabalhar em conjunto com a Rússia para realizar este objectivo?

Resposta: Temos um grande interesse em cooperar com a Rússia. O Brasil acredita que uma profunda reforma do Conselho de Segurança seria uma contribuição crucial no desenvolvimento dum mundo multilateral.

PRAVDA.Ru: Como descreveria o estado das relações entre os dois países?

Resposta: Bem, eu pessoalmente já visitei Moscou duas vezes este ano. Fui lá para fazer consultas políticas para chegar a uma posição comum sobre a guerra no Iraque. Depois, tive uma reunião com o Presidente Putin como membro do grupo de Rio para discutir desenvolvimentos na relação entre a Rússia e a América Latina. Eu penso que Lula e Putin irão colaborar. Devem caminhar juntos para criar um mundo multilateral. Por outro lado, a visita do nosso Ministro de Indústria a Moscou há pouco tempo também foi muito importante, porque irá fomentar as relações comerciais entre a Federação Russa e o Brasil.

PRAVDA.Ru: Presidente Lula disse are a sua prioridade nas relações externas é a Argentina. Como descreveria as relações com o vosso vizinho ao sul?

Resposta: Acho que as relações estão num momento muito especial. Ambos os presidentes têm uma oportunidade histórica para consolidar as nossas negociações em torno ao Mercosul. Não queremos só uma união comercial. Queremos uma integração política dentro do Mercosul e de expandir esses ideais para o resto da América latina. Penso que Kirchner e Lula têm pontos de vista muito parecidos, o que ajuda bastante nesse processo.

PRAVDA.Ru: Qual seria a reacção dos Estados Unidos da América à consolidação duma nova potência na América Latina, liderado por Brasil e Argentina?

Resposta: Não estamos a tentar alterar as relações de poder, embora acreditamos num mundo multilateral. A nossa posição contempla relações amigáveis com os EUA, que estamos tentando fortalecer neste momento. Ao mesmo tempo, acho que a Argentina e o Brasil têm de chegar a posições comuns sobre a política externa para que possam Ter presença no cenário internacional.

Hernan ETCHALECO PRAVDA.Ru BUENOS AIRES ARGENTINA

Traduzido por Márcia Miranda

 
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