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"Bush, o sanguessuga das nações, vai ser alegremente recebido por Lula"

02.11.2005 | Fonte de informações:

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Sr. Presidente,

Faço este pronunciamento no Grande Expediente às vésperas da visita o Presidente dos Estados Unidos, George Bush, ao Brasil. Este não é u fato qualquer, porque este cidadão é o maior símbolo do imperialismo, o símbolo das guerras, das ocupações, da opressão aos povos, o sanguessuga das nações, que vai ser alegremente recebido pelo Governo Lula.

Nenhum protesto, sequer uma palavra do Governo petista contra a guerra no Iraque, contra as políticas imperialistas no nosso continente.

Ao contrário, o Governo Lula tem-se demonstrado um empenhado aluno das políticas de Bush. Enviou nossas tropas ao Haiti, usadas para matar os que resistem à ocupação imperialista, fazendo o serviço sujo para Washington. A política econômica do Governo, totalmente submissa aos interesses do capital financeiro, só recebe elogios da equipe de Bush. As mudanças legislativas patrocinadas por Lula também vão diretamente ao encontro dos interesses imperialistas. A Reforma da Previdência, a Lei de Falências, entre tantas outras aprovadas sob o signo do mensalão. Discutem agora a autonomia formal e total do Banco Central, proposta do PFL, por meio de uma PEC em tramitação, apoiada com entusiasmo pela equipe econômica de Lula.

E o PT se forjou e se fortaleceu lutando contra tudo isso. Surgiu como resultado do acúmulo das lutas e embates, principalmente do povo brasileiro, mas também dos povos latino-americanos, da revolução cubana, centro americana, da revolução russa.

O PT, herdeiro desta tradição de lutas, ao longo dos anos 90 foi se descaracterizando. Não teve fibra para resistir às pressões da campanha de que o socialismo havia acabado, que confundiam os regimes totalitários da União Soviética e do Leste Europeu com o ideal do socialismo democrático, que nunca de fato foi implementado. Não teve fibra para resistir às pressões da institucionalidade burguesa em uma década de crise da ideologia socialista, uma crise objetiva, gerada pelo avanço das políticas neoliberais, do desemprego, da desestruturação do mundo do trabalho, do enfraquecimento dos sindicatos e da defensividade das lutas sociais.

Mas também uma crise alimentada por fatores subjetivos, de como as direções responderam aos problemas objetivos. A direção do PT respondeu moldando-se ao regime, enquadrando-se, amansando o partido e transformando-o em mais um dentre tantos. Construiu uma estratégia de governo comum com um setor da burguesia, alegando que assim derrotaria a outra parte, supostamente pior.

Acabou o próprio PT derrotado e morto como instrumento de mudança. O PSOL nasceu desta resistência. É por isso que somos diferentes. Não por que somos melhores, mais honestos, melhor intencionados. Mas porque nos recusamos a ser um instrumento do regime.

Estamos ao lado dos que lutam por salário digno e não dos que defendem o lucro dos grandes empresários e multinacionais. Estamos ao lado dos que lutam pela terra, dos que são assassinados defendendo o direito dos pobres do campo de produzir e viver com dignidade, contra o latifúndio e o agribusiness.

Luciana GENRO

 
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