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Precisamos mudar a política econômica

02.11.2004 | Fonte de informações:

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1. No diagnóstico geral, os economistas concluíram que desde a década de 1980 a situação econômica do país não se alterou, mantendo-se uma longa crise de modelo econômico, com momentos de crescimentos intercalados por momentos de estagnação.

Para eles, a atual política econômica mantém as principais diretrizes de corte neoliberal caracterizadas por: altas taxas de juros ; manutenção do superávit primário que é utilizado para transferir recursos públicos no pagamento de juros da dívida interna ; a prioridade para exportações, vistas como forma apenas de conseguir dólares, que equilibram a balança de pagamentos e a remessa de recursos para o exterior. Essas diretrizes determinam a especulação financeira interna e externa; e fazem com quem, mesmo quando ha crescimento da economia, seja sem distribuição de renda e nem geração de emprego.

2. Segundo sua avaliação, esse quadro é reflexo da hegemonia das forças neoliberais dentro do governo Lula, no poder econômico e nos meios de comunicação. E essa política econômica somente será alterada, se acontecerem crises que fogem do controle do governo, como: crise no capital internacional, de caracter especulativo, de origem cambial, ou de queda das exportações. Ou algum fato político internacional que altere essa dinâmica; Ou ainda, a nível interno se houver um reascenso do movimento de massas no Brasil, que lute contra as conseqüências do neoliberalismo, se contraponha a hegemonia atual e altere a correlação de forças sociais.

Se nada disso acontecer, a atual aliança que elegeu o Presidente Lula deve se manter, consolidando a política econômica neoliberal para os próximos anos. O que seria uma tragédia histórica para os interesses da classe trabalhadora.

3. Há alternativas de curto prazo, para outra política econômica. Como alternativa para a política econômica, faz-se necessário defender na sociedade e nos movimentos sociais que há outras opções de curto prazo a ser aplicada, mesmo nos marcos de regulação do capitalismo, priorizando a busca de solução dos problemas básicos do povo como o direito ao trabalho, valorização do salário, acesso a terra, educação e moradia. Para aplicar essas prioridades seria necessário: reduzir a taxa de juros aos patamares internacionais; utilizar os recursos do superávit primário, para as políticas de investimento, geração de emprego e universalização dos serviços públicos, renegociação da divida publica interna, controle do cambio. Controle da remessa de riqueza para o exterior.

Implementação de uma reforma agraria massiva. Prioridade absoluta na democratização da educação, criando condições para que os jovens, em especial pobres tenham acesso a escola em todos os níveis, e sobretudo do ensino superior.

Essa mudança, no entanto, não será possível sem o rompimento com os acordos do FMI e o freio nos acordos Alca - União Européia. Ou seja, a sociedade precisa debater urgentemente um novo projeto de desenvolvimento nacional, que oriente a política econômica sob outras diretrizes.

O grupo de economistas alertou ainda que essas idéias somente terão viabilidade se os setores populares e a classe trabalhadora tiverem capacidade de construir instrumentos de organização e mobilização social, que organizem sua força, que acumulem organicamente, que estimulem lutas sociais e alterem a atual correlação de forças na sociedade.

Como conclusão, os economistas acreditam que estamos diante da necessidade de fazer uma grande luta ideológica, uma verdadeira batalha de idéias com a classe dominante, a partir da necessidade de uma nova política econômica, para resolver de fato, os problemas do povo.

Um forte abraço a todos e todas!

Secretaria Nacional do MST

 
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