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Imigração e Educação Os Portugueses em São Paulo no início do século XX *

02.02.2004 | Fonte de informações:

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Resumo: Focalizamos nossa atenção na imigração portuguesa, ainda pouco estudada no contexto metropolitano de São Paulo, visando apreender as representações de integrantes de famílias de imigrantes sobre seus cotidianos, as vivências e estratégias que desenvolveram no contexto da pluralidade de grupos sociais e das transformações ocorrentes nesta cidade; também conhecer as instituições ligadas aos mesmos, sua estrutura e funcionamento. Tratamos de modo especial das relações estabelecidas no campo educacional, evidenciando como havia simultaneamente uma preocupação dos imigrantes com a melhoria da educação em Portugal, assim como uma inserção no campo educacional Paulista.

Palavras-chave: Imigração Portuguesa, história da educação, São Paulo.

Sempre que se faz referências à Primeira Republica (1889-1930), e especialmente à cidade de São Paulo, a presença de estrangeiros é mencionada e a incorporação dos mesmos como objeto de reflexão é importante para a compreensão dos problemas abordados neste período. Entretanto, é preciso anotar que os imigrantes portugueses praticamente são ignorados enquanto estrangeiros, surgem como um grupo quase “invisível” que se agrega à população, embora tivessem entrado no estado de São Paulo em número relativamente elevado (362.156), chegando a superar outras correntes fortes de imigração como as dos italianos, espanhóis e japoneses se considerarmos o período de 1910 a 1929 (I.C.C. Estatística de imigração, 1937)

Sabe-se que a maior parte daqueles que para cá vieram neste período estavam em difícil situação econômica em Portugal, que passava neste período por graves crises que atingiam fortemente as populações rurais (Lobo,1994). Este fluxo atendia tanto aos interesses econômicos portugueses (Monteiro,1994), como aos interesses pulistas, em especial às demandas do setor agrário (Miller, 1992; Camargo, 1952; Petrone, 1967). Entretanto, não foram só as fazendas do interior que atraíram os imigrantes portugueses: a cidade de São Paulo exercia, por seu desenvolvimento perceptível, forte atração sobre os imigrantes de vários grupos, como já se constatou em vários estudos (Demartini, 1989; Fausto, 1976 e 1991). Em São Paulo podiam contar com um mercado de trabalho mais diversificado e usufruir serviços que naquele período eram extremamente precários no interior (educação, saúde etc.), especialmente para populações rurais (Demartini, 1980). Aos olhos do imigrante português, São Paulo poderia ser um bom “espaço” de destino. É preciso lembrar que segundo alguns autores, para estes imigrantes que vinham para o Brasil, “a cidade, e não o campo, parecia capaz de realizar os seus desejos de autonomia e enriquecimento. Expulsos do campo e vindos de regiões pauperizadas, como bem demonstrou Ann Marie Pescatello, na sua tese de doutoramento intitulado “ Both ends of the journey; na historical study of migration and change in Brazil and Portugual, 1889-1914” (Universidade da Califórnia, 1970), a busca da autonomia guiava os seus atos. (Ribeiro, 1990)

Já chamamos a atenção em outros estudos para a complexidade das relações entre vários grupos sociais que se estabeleceram na sociedade paulistana neste período (Demartini, 1989); em pesquisas atual 1, focalizamos nossa atenção imigração portuguesa, ainda pouco estudada neste contexto metropolitano, visando aprender as representações de imigrantes de famílias de imigrantes sobre seus cotidianos, as vivências e estratégias que desenvolveram no contexto da pluralidade de grupos sociais e das transformações ocorrentes neste espaço, assim como conhecer as instituições ligadas aos mesmos, seu funcionamento e estruturação neste período. Ao mesmo tempo, verificar o processo de construção de novas identidades de portugueses e seus descendentes que vieram para a região metropolitana de São Paulo nas primeiras décadas deste século, trabalhando aqui em atividades industriais, agrárias, comerciais e em serviços em geral.

A partir desta problemática ampla, julgamos importante destacar alguns aspectos das relações entre a imigração portuguesa e o campo educacional, em virtude das especificidades que apresentam.

Dada a escassez de estudos sobre a educação entre estes imigrantes em São Paulo, trataremos aqui de algumas observações que a pesquisa, recorrendo a fontes diferenciadas, tem permitido aventar. Constituem, portanto, uma primeira aproximação a este tema que se tem configurado para nós, como uma problemática instigante; pretendemos evidenciar como as relações estabelecidas pelos imigrantes portugueses e suas famílias em São Paulo não parecem se assemelhar, em grande parte, ao que já constatamos entre outros grupos de imigrantes, especialmente os japoneses, neste mesmo contexto (Demartini, 1997). Para discutir algumas destas especificidades, pautamos-nos na análise de publicações do próprio grupo, em documentos oficiais sobre a imigração e também em material por nós coletado.

1 Sub-projeto: “Famílias portuguesas na metrópole de São Paulo (1980-1930)”.

Junto a família de imigrantes portugueses que chegaram a São Paulo durante este período.

No tocante às publicações, estas nos pareceram fundamentais para a compreensão do campo educacional, ao evidenciarem a forma como estes imigrantes se referiam ao novo contexto e às relações, sentimentos e representações com relação a Portugal 2. Verificamos que todas elas se iniciaram em São Paulo no período analisado, que pareceu assim propício à proliferação de publicações de imigrantes portugueses, com diferentes vinculações políticas e interesses: enquanto a “Revista Portugal e Brasil” declarava-se como “Órgão Republicano Português”, totalmente contrária à monarquia portuguesa, as demais não pareciam querer assumir declaradamente o apoio à Monarquia, embora este possa ser percebido nas entrelinhas, especialmente em “A Bandeira Portuguesa”. Sabemos que neste período considerado a situação política no Brasil passava por grandes mudanças e tensões, a nova experiência republicana colocava aos cidadãos novas demandas, especialmente em pais também recém saído da escravidão. Entretanto, nenhuma das publicações analisadas faz qualquer referência ao Estado brasileiro, suas especialidades e problemas enfrentados neste período de forte nacionalismo: todos se referem à Pátria Portuguesa, “a nossa pátria”, criticando os atos do governo monárquico, portanto medidas que poderiam fortalecê-los, ou, ao contrário, propondo sua extinção.

Para os que escreviam, o fato de estarem no Brasil não os diferenciava da população residente em Portugal quando aos interesses pelos destinos deste último país, único a lhes preocupar.

A imagem do Brasil nestes órgãos da colônia “colônia” portuguesa era a do “outro” com o qual esta não se identificava, era o “povo irmão”, o “pais grande” que os acolheu e no qual podiam melhorar de vida, mas não “sua pátria”. Os imigrantes portugueses se relacionavam com Portugal enquanto “cidadãos portugueses” e o ressentimento por não serem sempre entendidos e aceitos como cidadãos portugueses que lutam pela pátria também é expresso em várias publicações.

Em nome da colônia portuguesa residente em São Paulo, considerada por muitos como “não ilustrada”, os jornalistas demandavam assim atenção do governo português, que, como eles próprios assinalavam, não estava conseguindo resolver os problemas em seu próprio país. Entretanto, mais que aguardar um apoio do governo português, para ajudá-los no Brasil, os imigrantes, ao contrário, tentavam auxiliar o pais de origem e a população lá residente. Assim é que no campo educacional, criticavam o sistema educacional português e propunham medidas para melhorá-lo, tanto republicanos como monarquistas.

O Órgão de Centro Republicano Português criticava o salário dos professores:

2 Não foram muitas as localizadas, embora se saiba que outras tivessem existido. Assim, conseguimos alguns raros exemplares de: “ Echo Portuguez” (1897). “O Gaiato” (1905). “ A Bandeira Portuguesa” (1908), “ Revista Portugal Brasil” (1908) e “ Revista Portuguesa” (1929).

“A ignorância de Portugal, caros compatriotas, é uma vergonha. Com o fim de a exterminar, a monarquia paga apenas 300 e 400 reais diários aos professores primários.(...) É assim que os reais mandões querem que Portugal siga a marcha civilizadora das nações cultas!” (Revista Portugal e Brasil, (7); 103, 1908).

A Revista Portuguesa noticiava e destacava em 1929, quando a colônia aqui já era numerosa, a criação de uma associação para cuidar da educação em Portugal:

“Aos cinco dias do mês de janeiro de 1925 fundou-se na Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo a Liga Propulsora da Instrução em Portugal. Benefícente lhe tem chamado uns. Altruísta lhe tem chamado todos Fonte de vida lhe chamaremos nós. (...). A Liga Propulsora da Instrução em Portugal, que muito deve ao poder criador, ao esforço orientado, à visão clara e à lúcida inteligência de António da Silva Parada, é uma grande obra.(...). ( 1929,p.234 ).

Para entender este fato, é preciso também observar que grande parte dos imigrantes, quando para cá vieram, não romperam os fortes vínculos familiares. As estatísticas oficiais mostram que a maioria eram homens e vinham sozinhos, deixando mulheres e filhos em Portugal. A preocupação com o país de origem não tinha assim só razões de fundo patriótico - nacionalista, mas concretas na medida em que os familiares lá continuavam morando em situação geralmente precária, necessitando do apoio dos que imigravam. Como já foi muito bem analisado por Monteiro (1994), a vontade de retornar (o “mito do retorno”), especialmente no caso da imigração portuguesa, era estimulada pelo próprio governo como forma de garantir o envio dos recursos obtidos pelos imigrantes para suas famílias.

Acompanhando este fato de que vieram “avulsos” ( 53% dos que vieram entre 1908 e 1936), a distribuição dos imigrantes por idade evidencia que a maior parte tinha mais de 12 anos de idade. Era portanto, uma imigração de mão-de-obra em faixa produtiva e daqueles que já deveriam ter tido acesso à escolarização básica em Portugal, em grande parte. Quando à instrução, a distribuição era mais equilibrada: 57,48% eram analfabetos e 42,52% alfabetizados, indicando que eram só portugueses sem instrução que entravam no território paulista, mas também que havia muito analfabetos em Portugal (I.C.C. Estatística de Imigrantes, 1937). Levando em conta estes aspectos, é possível compreender a especificidade de algumas tomadas pela “colônia” portuguesa em São Paulo, como a criação, em janeiro de 1925, desta citada Liga Propulsora em Portugal, cujos objetivos eram bem claros:

“A Liga Propulsora da Instrução em Portugal tem como seus fins principais: cooperar, em nome do princípio da igualdade para pôr ao alcance de todos a instrução primária em Portugal; dotar as aldeias, vilas e cidades dos pais, começando pelas mais afastadas dos centros principais e pelas menos beneficiadas em relação àquele ensino, como edifícios escolares higiênicos e modernos”. (Revista Portuguesa, 1929.p.341).

Esta tinha certamente sua razão de ser para os que vieram para o Brasil e já tinham conseguido certos recursos, mas que continuavam estreitamente ligados ao país de origem e preocupados com o sistema educacional precário que atingia grande parte dos imigrantes e seus familiares.

Segundo informações de outra fonte, a Liga construiu “cinco belos edifícios escolares” em Portugal, pretendendo construir outros mais. Para tanto, contou com donativos da colônia portuguesa de São Paulo, que totalizaram em 1925 o montante de seis mil contos de réis, “uma grande fortuna nesse tempo”. Não há, infelizmente, qualquer informação sobre em que aldeias ou vilas foram erguidas ( 80 anos, 1992, p. 103). A Liga publicava nas revistas da época apelos para conseguir a contribuição dos compatriotas; na Revista Portuguesa de 1930, por exemplo:

“Quereis concorrer para a educação do vosso conterrâneo? De vosso irmão? De vosso filho? Quereis dotar aldeia, a vossa terra querida, de um grande e real melhoramento? Quereis provar por atos incontestáveis que sabeis ser um cidadão útil à Pátria? Quereis mostrar o amor que tendes à vossa terra, mostrando também a grandeza do vosso coração? Inscrevei-vos, hoje mesmo, na Liga Propulsora da Instrução em Portugal cuja caderneta patriótica é o mais belo atestado de civismo”. (80 anos, 1992,p.103).

Se as grandes propostas eram voltadas para Portugal, encontramos também iniciativas mais pontuais voltadas para as famílias portuguesas residentes em São Paulo. Podemos constatar que algumas associações criaram escolas, alguns professores mantinham escolas particulares, assim como havia uma atividade cultural em diferentes instituições. Não conseguimos até o momento informações detalhadas sobre as mesmas, mas arrolamos aqui alguns aspectos que julgamos importantes para iniciar a “colônia” portuguesa em São Paulo procurava ampliar sua participação no campo educacional e cultural 3 .

3 As Sociedades Portuguesas de caráter econômico, beneficente e artístico existentes no distrito consular de São Paulo em 1929 eram já numerosas, várias delas realizando atividades culturais: Câmara de Comercio de São Paulo, Sociedade Portuguesa de Beneficência de São Paulo, Sociedade Portuguesa Vasco da Gama, Caixa portuguesa de Repatriação, Sociedade protetora dos Portugueses Desvalidos, Liga Propulsora da Instrução em Portugal, Associação Socorro Mútuos Sacadora Cabral Gago Coutinho, Portugal Clube, Clube Português, Centro Republicano Português, Liga Monárquica Dom Manoel II, Grêmio Português de Beneficência, Sociedade Portuguesa de Beneficência, Sociedade Portuguesa Beneficente, Sociedade Beneficente Portuguesa, Caridade Portuguesa Maria Pia, Sociedade Portuguesa de Beneficência Campinas. (Revista Portuguesa 1929,p.319).

Ainda em 1912, quando da criação da Câmara Portuguesa do Comércio, há menção à necessidade de se promover aulas para instrução de empregados comerciais e à criação da Escola de Cultura Portuguesa agregada a esta Câmara (80 anos, 1992,p. 50). Parece que esta iniciativa não foi avante.

Quando a escolas portuguesas reconhecidas oficialmente com esta marca étnica, só encontramos menção nos documentos oficiais do governo estadual a quatro escolas portuguesas no Anuário do Ensino de 1917, mas sem que houvesse especificação de sua localização, características etc. O quadro abaixo, mostra que as escolas portuguesas eram em número muito inferior ao número de escolas de várias outras colônias da cidade, contando com apenas 304 alunos.

Escolas não-brasileiras na cidade de São Paulo – 1917

Escolas não-brasileiras Nº de estabelecimentos Nº de alunos Escolas italianas 49 6.882 Escolas alemãs 37 3.387 Escolas norte-americanas 6 1.676 Escolas portuguesas 4 304 Escolas suíças 2 62 Escolas francesas 2 399 Escolas inglesas 1 185

Há nos jornais já citados algumas indicações de professores e de escolas que publicavam anúncios voltados para leitores “portugueses”. Assim, no Echo Português, em 1897:

“Explicador de matemática, phisica e chimica. Prepara para o curso anexo e para o curso preliminar da Polytechnica. Informa-se nesta redação”. (p.02).

Na Revista Portugal e Brasil, em 1908:

“Curso diurno e nocturnos. Dirigido por Ferreira de Carvalho (Professor no Gymnasio Sylvio de Almeida e Collegio João de Deus). Habitação para exames de todas as matérias de instrução secundaria, admissão ao Gymnasios, Escola Normal e Escola de Commercio. Cursos theoricos e práticos de calligraphia, escrituração e contabilidade comercial. Cursos especiais de desenho e música. Rua Riachuelo nº59”. (p.103).

De qualquer modo, no campo da educação escolar voltada especialmente para os imigrantes portugueses e seus descendentes em São Paulo, os dados parecem indicar que esta recebia menor atenção que a que encontramos entre outros grupos de imigrantes e que aquela manifestada com relação ao sistema educacional para os que estavam na “pátria” (Portugal). Em grande parte, como já vimos, estes fatos parecia se dever a que os imigrantes deixavam lá seus filhos em idade escolar, em muitos casos. Além disso, quando residentes em áreas urbanas como São Paulo, podiam enviar seus filhos para as escolas, estas já em expansão período ( Souza, 1998; Nascimento, 1999) e também para as escolas católicas das várias ordens religiosas, que atendiam a meninos e meninas, pois o problema da língua não se colocava para as crianças, no Brasil.

Em pesquisa realizada com professores que se formaram durante o período considerado, também pudemos constatar que alguns deles eram filhos de imigrantes portugueses que se inseriram no magistério público oficial; suas biografias não indicam qualquer vinculação ou preocupação com a numerosa “colônia” portuguesa existente em São Paulo. (Demartini,(1991).

Uma análise sobre as escolas freqüentadas pelas crianças de famílias portuguesas que aqui chegaram ainda durante a 1º República, por nós entrevistadas, indicou-nos que muito poucas passaram por escolas particulares “portuguesas”, freqüentando geralmente escolas particulares ou grupos escolares públicos, na cidade de São Paulo; observamos que muitos descendentes da segunda geração já conseguiram concluir o ensino superior em escolas paulistas.

Por outro lado, pudemos verificar que alguns imigrantes que tinham uma formação superior obtida em Portugal, desempenharam aqui atividades como professores e responsáveis pela manutenção de escolas particulares, procuradas tanto por portugueses como pela população local, evidenciando uma forte inserção no campo educacional paulistano. Um caso exemplar é o do professor José Marques da Cruz que tendo se formado em direito pela Universidade de Coimbra, em 1912, dedicou-se em São Paulo quase exclusivamente ao magistério, tanto público como particular 4 . Também Ricardo Severo, imigrante português com grande influência na colônia paulista, foi não só um dos incentivadores da Liga Propulsora da Educação em Portugal, como também atuante ao ensino profissionalizante em São Paulo (Liceu de Artes e Ofícios). Ainda participou de associações ligadas a questões educacionais, durante a década de 1920 (foi membro da Associação Brasileira de Educação).

4 Anti-monarquista, chegou ao Brasil logo depois de formar-se, ainda no final de 1912, com intenções de praticar a advocacia. Não lhe sendo permitido legalmente, começou a lecionar no “Ginásio Macedo Soares” e depois em muitos outros:” Colégio Stafford” (1914 a 1918); “Instituto Ciências e Letras”; “Escola Técnica do Comercio Álvares Penteado” de 1931 a 1936; “Ginásio Oswaldo Cruz” (de que, com os consagrados mestres Colombo de Almeida e Adelino Leal, foi diretor fundador, em 1915); “Colégio Pindorama” (1916);” Ginásio Renascença” que também fundou, e “Liceu Rio Branco” (1941) (Cruz, 1988,p.32).

Também no período de 1921 a 1926 criou um colégio com seu nome, o “Externato da Cruz”, por onde passaram paulistas famosos. Consta que, quando lhe sobravam algumas horas de trabalho diário, à noite, tributava-as às “Escolas da Colônia Portuguesa” junto ao Clube Republicano Português, na rua Quintino Bocaiúva. Dava, ainda, aulas particulares a filhos das mais tradicionais famílias paulistanas. .Lecionando português, latim, história geral, história do Brasil e francês, além de poeta, lançou também vários livros, que tiveram várias edições, já a partir de 1914. (Id ibdem, p. 33-34).

O que se pode verificar é que, durante o período considerado, se havia uma preocupação dos imigrantes portugueses em melhorar a educação em Portugal, havia também alguns destes imigrantes inseridos na constituição do campo da educacional paulista, criando escolas, exercendo o magistério e participando de associações educacionais.

Aprofundar estas questões sobre as várias facetas das imigrações-educação, parece-nos fundamental. (apoio do CNPq).

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* Texto originalmente apresentado no III Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação – Coimbra – Portugal – fevereiro de 2000.

** Professora Convidado da Faculdade de Educação da Unicamp, Professora do curso de Pós-Graduação da Universidade Metodista e Diretora de Pesquisas do CERU. Participaram também desta pesquisa os bolsistas Elen Cristina Souza Doppenschmit, Marcio Alexandre Barbosa Lima, Marina Stefani de Almeida e Shirley dos Santos.

 
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