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Seminário de Cultura: a democratização e a diversidade da cultura

01.12.2003 | Fonte de informações:

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A mesa de debates "Ações dos Movimentos pelo Democratização da Cultura" reuniu a secretária de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás, Denise Carvalho, que discorreu sobre a experiência dos Fóruns, a coordenadora nacional dos CUCAs (Centros Universitários de Cultura e Artes da UNE), Ana Cristina Petta e o cineasta e assessor do Ministério da Cultura, Manoel Rangel, homenageado no dia anterior pelo chefe de Gabinete do Ministério da Cultura, Sérgio Saleitão, como "um dos quadros mais importantes do PCdoB".

De acordo com Denise Carvalho, a experiência dos Fóruns de Cultura de Goiânia nasceu das discussões do próprio movimento estudantil e de outros setores "sobre os rumos e políticas culturais e em relação às críticas às leis de incentivo à cultura baseadas em isenções ou benefícios fiscais às empresas", que remeteriam a "produção e disseminação dos projetos culturais a decisões tomadas dentro dos departamentos de marketing das empresas".

A partir destas discussões nasceu o primeiro Fórum Cultural de Goiânia, em 1995 e desde lá vêm sendo sendo feitos fóruns anuais, com temáticas diferentes e contextualizadas a cada ano e com relações muito estreitas com movimentos sociais e de minorias, como o movimento GLS, com o movimento feminista, o movimento negro e outras correntes culturais e/ou sociais, "tais como o rock underground".

Desse movimento inclusive surgiu a ONG Cenarte (Centro de Artes, Cultura e Ciência de Goiânia), que vem fazendo ações permanentes no Estado de Goiás e já é composta por mais de 50 artistas e intelectuais da região.

Outro movimento de democratização da cultura abordado foi a experiência dos CUCAs (Centros Universitários de Cultura e Artes da UNE). Apresentada pela coordenadora nacional do movimento, Ana Cristina Petta, a experiências dos CUCAs remete ao resgate de experiência como a do CPC, na década de 60 e à própria história da cultura dentro do Partido Comunista do Brasil, ao mesmo tempo em que tenta aglutinar junto ao meio estudantil uma corrente permanente de discussões, ações e atividades com relação à cultura.

Um dos resultados foi a realização das bienais da UNE, a partir de 1999. "E a na 3º Bienal, realizada em Pernambuco, que batizamos de 'Encontro com a Cultura Popular', tivemos presenças como a de Ariano Suassuna e do próprio ministro Gilberto Gil e abriu-se um debate dentro do movimento estudantil e sobre a identidade cultural do movimento popular. Hoje acho que avançamos muito e percebemos que é necessário inclusive ter espaços físicos para atividades", afirmou ela. Estes espaços já vêm sendo montados, como em São Paulo, "onde temos o Teatro da Barra Funda, com equipamentos, estúdios de gravações e os recursos que precisamos para produzir e onde podemos fazer oficinas, ensaios, apresentações etc".

O cineasta e assessor do Ministério da Cultura, Manoel Rangel, encerrou as apresentações do dia, seguidas de debate junto ao público, falando do "esforço que tem sido feito para reunir experiências e conhecer a nossa trajetória dentro do próprio partido. E este esforço tem que ser abrangente. Vamos ter que te paciência e nos localizar dentro da cultura do país, dentro dos movimentos populares, no pensamento estético e artístico brasileiro e dentro da nossa multidiversidade cultural, integrada com outras faces da questão cultural, que é complexa".

Segundo ele, é impossível inclusive não colocar no debate atual a questão da produção da indústria cultural, incluindo a televisão e os meios de comunicação. Para Rangel, a cultura é também uma questão de soberania nacional, "na verdade é uma questão preponderante neste aspecto". Para ilustrar isso, ele citou o modo como a imprensa vem tratando os debates em torno da formulação da Alca. "Isso é uma questão cultural, por exemplo". "E não estamos falando em xenofobia, nem de passadismo, até por que temos que entender que nossa identidade nacional e cultural é feita da diversidade, inclusive daquela que nos vem agora de fora". Para Rangel, é "necessário nos permitir digerir, deglutir e transformar as influências externas, inclusive, como aconteceu no caso da Bossa Nova, por exemplo, como forma decisiva de fazer um projeto de soberania nacional".

De São Paulo, Patrícia Carvalho www.vermelho.org.br

 
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