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Lula: China quer Brasil como parceiro estratégico

01.06.2004 | Fonte de informações:

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A avaliação foi feita no programa Café com o Presidente, divulgado hoje pela Radiobras. No programa, gravado em Xangai, o presidente fala do sucesso da viagem e da possibilidade de, a partir dela, serem criadas novas parcerias empresariais, com a geração de mais empregos, mais produção e exportação e, conseqüentemente, mais renda e mais salários. Veja abaixo a entrevista do presidente.

Presidente, o senhor está encerrando essa viagem de vários dias à China. Que balanço o senhor faz dessa incursão do Brasil ao Oriente?

Lula - O balanço que eu faço é o mais positivo que um governante pode fazer de uma viagem internacional. Quando nós saímos do Brasil, nós saímos convencidos de que, pelo interesse dos empresários chineses e pelo interesse dos empresários brasileiros, essa viagem seria de total sucesso. E por que de total sucesso? Primeiro, porque há interesse do governo chinês em transformar o Brasil num parceiro estratégico: segundo, porque é interesse nosso, do governo brasileiro, transformar a China em um parceiro estratégico. Ora, havendo a vontade dos dois governos, fica mais fácil trabalhar com os empresários e convencê-los a fazer parceria com empresários chineses. Nós não queremos apenas uma política de comércio de compra e venda. O que nós queremos, na verdade, é uma política chamada de complementaridade, ou seja, o Brasil produz coisas que a China não produz, e China produz coisas que o Brasil não produz. A China tem mais tecnologia em algumas coisas, o Brasil tem mais tecnologia em outras coisas. O que nós queremos é que as empresas chinesas e as empresas brasileiras se juntem para que possamos produzir o que o Brasil precisa no Brasil, e que a China precisa, aqui na China, como está fazendo a Embraer, montando uma empresa para produzir avião aqui em parceria com a China, como está fazendo a Companhia Vale do Rio Doce com a Baosteel, fazendo acordo para produzir e construir uma nova siderúrgica no Brasil. É esse tipo de negócio que eu acredito que seja fundamental. Eu sou até suspeito, porque o otimismo que vi nos empresários chineses e o otimismo que vi nesses quatro dias nos empresários brasileiros me levam a concluir que nós demos um passo extraordinário para que o Brasil faça grandes e bons negócios com a China. Eu volto para o Brasil convencido de que essa foi a viagem mais exitosa que nós fizemos: existe um campo excepcional para que os empresários brasileiros da indústria, do comércio, do agronegócio façam bons acordos com a China e que os chineses façam bons acordos com brasileiros. Por isso, eu saio da China muito satisfeito, eu saio da China orgulhoso de ver que meu país, de ver que meu Brasil está dando passos importantes para aumentar o seu crescimento econômico, para aumentar a sua capacidade produtiva e para melhorar ainda mais a nossa balança comercial.

O senhor citou a Embraer, a Vale do Rio Doce, a Baosteel. Que outros setores, presidente, têm potencial de fazer grandes negócios? Ainda na China, vai ter também uma feira que é a Expo Brasil-China, mostrando mais produtos brasileiros. O senhor está otimista quanto a esses negócios no futuro?

Lula - Olha, eu estou otimista, porque comércio exterior é exatamente isso, ou seja, nós não podemos ficar no Brasil esperando que as pessoas apareçam para nos descobrir. Nós é que temos que viajar ao mundo e nos mostrarmos como somos e o que produzimos. Nós, por exemplo, só para você ter idéia, nós poderemos ter várias parcerias na área de software. Da mesma forma que os chineses estão ajudando o Brasil no lançamento de satélites, nós podemos ajudá-los na construção de aviões, como estamos fazendo aqui. Mas, no Brasil, quando a Petrobras monta o seu escritório aqui e faz uma parceria com a Sinopec, que é a empresa de petróleo chinesa, na perspectiva de procurar petróleo em outras terras, em outros mares. É uma demonstração de que nós estamos acreditando nessa parceria de verdade e achamos que poderemos fazer grandes negócios. O Brasil pode, sabe vender carne para a China. O Brasil pode vender açúcar para a China, o Brasil pode vender café para a China, o Brasil pode vender etanol para a China, o Brasil pode vender máquinas, pode vender carros, pode vender ônibus, ou seja, tem um monte de coisas que o Brasil pode adentrar ao mercado chinês. E eu senti nos empresários chineses uma disposição extraordinária, de forma que eu penso que um dia vocês devem entrevistar os empresários que participaram dessa delegação e você vai perceber o otimismo dos empresários.

Traduzindo para os nossos ouvintes: para o trabalhador brasileiro, presidente, o que essa viagem pode render diretamente a esse público específico?

Lula - Essa viagem, certamente, vai render mais possibilidade de parceria empresariais, conseqüentemente, mais geração de empregos. Ela vai render mais exportação do Brasil, conseqüentemente, mais produção dentro do Brasil, conseqüentemente, mais empregos e mais salários. Sabe, é para isso que nós estamos viajando, para dinamizar a economia brasileira, para gerar empregos, para gerar riquezas, porque esse é o nosso objetivo, é fazer a economia brasileira crescer, gerarmos empregos e distribuir renda. A economia brasileira ficou 20 anos estagnada, sabe. Nós estamos há apenas um ano e meio no governo, ainda não fizemos tudo que nós queremos fazer, mas podem ficar certos de que nós vamos fazer muito mais do que a gente se comprometeu a fazer, porque há espaço para isso. Nós temos disposição política, o povo brasileiro precisa disso e eu acho que o mundo hoje está vendo o Brasil com os olhos diferentes.

Partido dos Trabalhadores

 
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