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RÚSSIA: ENCERRADAS JORNADAS COMEMORATIVAS DO DIA DO HERÓI NACIONAL

16.09.2004 | Fonte de informações:

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Um recital de poesia seguido da exibição do filme “Na Cidade Vazia” da realizadora Maria João Ganga marcou hoje, Quinta-Feira, em Moscovo, o encerramento das jornadas comemorativas do “17 de Setembro”, Dia do Herói Nacional, no seio da Comunidade Angolana na Federação da Rússia.

O programa das jornadas, organizadas pela Embaixada de Angola na Rússia, foi, igualmente, marcado pela “Semana do Livro Angolano”, de 1 a 8 de Setembro, que envolveu a participação de Angola na XVII edição da Feira Internacional do Livro de Moscovo, garantida pelas editoras “Chá de Caxinde”, “Kilombelombe”, pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD) e pela Associação dos Editores e Livreiros Angolanos (AELA).

No âmbito da “Semana do Livro Angolano em Moscovo” realizou-se um colóquio sobre a cultura nacional em que foram oradores o escritor Abreu Paxe e o crítico musical e professor universitário Jomo Fortunato, que apresentaram as comunicações intituladas “Situação do Movimento Editorial Angolano” e “Contribuições à história da música popular angolana”, respectivamente.

No dizer de Abreu Paxe, o vencedor do Prémio “António Jacinto”/2003, “é indesmentível a forte vontade dos escritores angolanos em empreenderem e em fazerem, cada vez mais, emergir os altos valores culturais do seu povo e dá-los a conhecer nos mais sólidos palcos deste mundo cada vez mais globalizado”.

Todavia, Paxe acrescenta que é preciso que se saiba que o escritor, em Angola, ainda é tratado com muita pouca nobreza.

“Assim também o são os que produzem, editam e distribuem os livros. Não é pouco verdade ainda que o são os seus agentes periféricos: as bibliotecas, as escolas e em última instância o livro”, conclui o jovem escritor.

Por sua vez, Jomo Fortunato, na sua comunicação “Contribuições à História da Música Popular Angolana”, um estudo que se situa entre os anos 50 do século XX até a presente época, afirma que com o fenómeno colonização, em Angola, surgiu o crescimento das cidades, criando-se à volta delas, grandes aglomerados populacionais, designados “musseques”.

O “musseque” (expressão que em língua nacional kimbundu significa onde há areia, por oposição à zona asfaltada) é o espaço de transição entre o universo rural e a cidade, e o laboratório textual das canções que absorvem as expectativas do ambiente cultural urbano.

Assim, Jomo refere que a temática das canções que têm resistido ao tempo evocam situações que decorrem de conflitos cuja génese e formato especial se projectam nos “museques”: o filho desaparecido no mar, a garota de mini-saia, o assédio sexual entre o patrão (branco) e a criada (negra), os conflitos conjugais, a infidelidade amorosa, a condição da lavadeira, o feitiço e o enfeitiçado, o lamento da infância e a concretização da praga anunciada, são alguns dos temas recorrentes glosados nos textos das canções angolanas.

Fazendo recurso a excertos de faixas musicais para melhor ilustrar os diferentes capítulos da sua comunicação, Jomo Fortunato revelou que as turmas, pequenas formações que se emancipavam de forma alternada dos grandes grupos carnavalescos, foram o embrião da grande maioria dos grupos musicais angolanos que passaram a dominar musicalmente as cidades.

“Muitos cantores angolanos são originários das turmas e tiveram nestas micro-agremiações o seu ambiente de aprendizagem. Outros, muito poucos, tiveram a catequese missionária, a Casa dos Rapazes de Luanda, a Casa Pia e os grupos corais da igreja como suporte de ensino” – descreve Jomo Fortunato, que é, igualmente, Director do Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD).

As jornadas comemorativas do “17 de Setembro” envolveram, também, a realização de encontros entre a delegação de escritores e editores angolanos com a Direcção da União dos Escritores da Rússia e com especialistas do Instituto África da Academia de Ciências deste país do leste europeu, em que foram afloradas várias questões de interesse comum, sobretudo no domínio editorial.

Tó Bragança

 
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