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Opinião: Ota - “Uma questão muito séria…”

30.05.2007 | Fonte de informações:

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Pois é, Sr. Presidente da República, a construção de um novo Aeroporto Internacional é uma questão muito séria… Estamos totalmente de acordo com V. Exª .

O Dr. Cavaco Silva referiu ainda que “todas as partes do território nacional são importantes para o desenvolvimento do país”. Nada mais de acordo. Disse ainda que é necessário, com base em “estudos” desenvolvidos por entidades competentes, obter o mais amplo consenso técnico e político.

Estas declarações surgiram na sequência das trapalhadas do Ministro das Obras Públicas, Eng.º. Mário Lino, no passado dia 23 de Maio. Para este responsável governamental a Margem Sul do Tejo “…não (tem) gente, escolas, comércio, indústria, nem hotéis…” (é) “um deserto” e jamais (disse-o em francês e repetidamente) poderá ser escolhida para localização do novo Aeroporto Internacional de Lisboa. A obsessão da Ota, como localização para o novo aeroporto, leva a considerações infelizes e inapropriadas como estas, no que alguns membros do actual governo têm sido notáveis, sobretudo quando confundem os grandes interesses económicos com os soberanos interesses do povo português.

Ora na Margem Sul vive cerca de um milhão de portugueses e todas as faltas citadas são mais correctamente aplicadas à Ota, do que aos Concelhos ao Sul do Tejo, onde existem grandes aglomerados humanos com infra-estruturas idênticas a qualquer outra cidade do país. E caso fosse verdadeira a assertiva do Ministro Mário Lino, a responsabilidade do atraso daquela região caberia em primeira lugar ao governo a que ele pertence, o actual e os anteriores, que deixa um milhão de portugueses ao abandono… Mais razão para se investir lá, não num aeroporto, do que num lugar que é um pântano e que já se vai dizendo que não tem capacidade de expansão, aliás um dos argumentos recorrentes para se abandonar o actual aeroporto da Portela. É só barraca…

Mas a barraca à volta do aeroporto da Ota tem outros protagonistas. O Dr. António Costa, Ex-Ministro da Administração Interna e notável do núcleo duro do actual governo, após o anúncio da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, respondendo à pergunta se o aeroporto da Ota não iria prejudicar a capital do país, disse que não; pelo contrário, irá libertar os terrenos da Portela para a construção de uma grande urbanização… Depois não venham dizer que não há na questão do novo aeroporto grandes interesses imobiliários perfeitamente articulados. Dias depois, talvez por ter sido tão indiscreto, emendou de mão e declarou que em tais terrenos será desenvolvido um grande parque como o de Monsanto (!).

Bem muito betão haverá para demolir e transportar… e talvez daqui a mil anos haja finalmente um parque florestal como o citado. Propomos que comecem desde já pela demolição da Portela para aproveitar o entulho como material de aterro na Ota… A distância não é significativa, são mais ou menos uns 50 km… Entretanto, os aviões que aterrem em Faro ou no Porto…

Estudos são necessários como afirmou o Presidente da República, com o que também estamos inteiramente de acordo. E devem começar pela contingência do jet-fuel , que, no caso, é de vida ou de morte. Mas sobre esta matéria faz-se tabu, o que levanta suspeitas sobre os reais objectivos de um novo aeroporto internacional para Lisboa.

 As projecções feitas, com base nas taxas de crescimento do tráfego aéreo até agora observadas, sofrem, do nosso ponto de vista, de um erro fundamental. Supõem que o Petróleo continuará abundante e que os preços, mesmo que subam, continuarão acessíveis à bolsa de uma classe média internacional que tem proporcionado um aumento constante do transporte aéreo de passageiros, mesmo depois do fatídico 11 de Setembro de 2001, um aumento que se deve sobretudo aos populares voos das companhias “ low-cost ”.

Por isso espanta que economistas como o Dr. Augusto Mateus, outro defensor dos grandes interesses económicos, justifique a necessidade de um novo aeroporto internacional, nomeadamente na Ota, estribado num hipotético aumento do turismo internacional para as próximas décadas, defendendo que Portugal deve afirmar-se como destino turístico alternativo a outras regiões da Europa Meridional. Curioso defender também, como o seu camarada Dr. António Costa, a desactivação da Portela para o investimento imobiliário. Por outro lado, temendo que o futuro aeroporto fique rapidamente saturado ( !!! ), defende que o melhor mesmo é manter este último como aeroporto alternativo. O nosso homem acredita mesmo que vem aí uma avalanche de turistas… Como é que é Sr. Dr., bota-se abaixo a Portela ou não?

O Dr. Cavaco Silva nas suas declarações privilegiou o Parlamento como a sede própria para o debate de tão importante questão. Neste ponto não estamos inteiramente de acordo. O governo tem naquele areópago uma maioria absoluta. Discussão haverá, porém na hora de decidir, já sabemos qual será a decisão… O debate apenas servirá para cumprir o formalismo de uma opção já tomada nos gabinetes do Governo e dos grandes interesses económicos. Será pois um pouco, como “para inglês ver”. Por mais que se levantem as vozes contrárias, como a nossa, nada fará recuar a obsessão da Ota ou de outro qualquer lugar para a construção do novo Aeroporto Internacional de Lisboa, que tinha cabimento há 30 anos, mas hoje, com o declínio da extracção do Petróleo e sem uma alternativa viável à vista, já não faz sentido.

Artur Rosa Teixeira

artur.teixeira@netcabo.pt

 
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