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Pequena Breve Introdução Para o Rascunho de um Quase Possível Ensaio

29.04.2017 | Fonte de informações:

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Pequena Breve Introdução Para o Rascunho de um Quase Possível Ensaio
 
De Coxinha Daslu a Esquerdinha-Caviar ou Direita-Tubaina Tutti-Frutti
 
"A escrita nos torna selvagens (...) É preciso ser mais forte do que aquilo que se escreve. (...) É uma coisa estranha, sim. Não é apenas a escrita, o escrito, são os gritos dos animais da noite, todos, os teus e os meus, os dos cães. (...) É também o lado mais violento da felicidade. Acredito nisso, sempre.  Marguerite Duras, tradução V. Mendonça - Écrire, Gallimard, 1993.
 
 
Quem se mete a besta de dar opiniões desde cedo, precoce ou não, se mete a besta de escrever e palpitar, criticar, se insurgir corre riscos, passa situações difíceis, vivencia barras pesadas. De origem humilde, fui engraxate, boia-fria, vendedor de dolé de groselha preta, e já garçom de bar, com dezesseis anos, só com o curso primário (parei de estudar para trabalhar e ajudar em casa), escrevia para o jornal O Guarani de minha terra-mãe, Itararé, SP, e já tinha sido aprovado em concurso de rádio para locutor, e também em show de pratas da casa cantava e fazia imitações de ídolos da Jovem Guarda, cabelo na testa, botinha sem meia, calça calhambeque, era uma brasa, mora?

Como já disse, por ser de origem pobre, mãe descendente de índios guaranis com negros de Angola, e pai descendente de cristãos-novos oriundos da Ilha da Madeira em Portugal, o pessoal ficava só sacando o jovem atiçado e metido a besta, e começaram os impropérios maroteiros e chulos, claro. Metido. Quer aparecer. Filho de negra, crente e faxineira. Pobre. Onde já se viu aquilo, de se a meter a escrever para jornais? E assim se seguiram as, ponhamos, criticas, na verdade ilações e alusões discriminatórias, constrangedoras, tratamento degradante e, porque não dizer, bullying, já naqueles tempos? Eu me salvava pelo que escrevia, deve ser, não pelo jovem que eu era, mas que sonhava utopias amava os Beatles e Tonico e Tinoco.

Prossegui escrevendo, por quase quarenta e quatro anos - hoje sou colunista correspondente do jornal em SP (e autor do Hino ao Itarareense) - e as rotulações bobas prosseguindo aqui e ali, principalmente de uma banda podre. Bêbado, maconheiro, bicha, pobre, filho de preto, crente do fiofó quente, e eu lendo mais, estudando sempre, escrevendo feito um louco. Já em SP, como na canção de Belchior, um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes, e vindo do interior. Morar em pensão, em pocilgas, passar fome, dormir na rua, sempre escrevendo, inclusive para outros jornais da cidade. Fiz a letra de um hino para Itararé, que virou oficial. Voltei a estudar, comecei a participar de concursos de renome (até na USP) que tive a bendita sorte de ganhar. Apesar de ficha nos porões dos podres poderes da ditadura militar incompetente e corrupta, me formei, até que Itararé fez cem anos, e entre uma lista de dez ilustres Itarareenses, fui o primeiro escolhido para expor na mostra Imagens e Palavras, no centenário da cidade histórica. Alguém até disse que, demorou muito para o reconhecimento, já que santo de casa não faz milagres...

Em Itararé reconhecido, concederam uma rua da cidade com nome de meu finado pai Maestro Antenor Correa Leite, e ganhei prêmios no Mapa Cultural Paulista, Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, representando Itararé. Lancei um ebook que, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, de vanguarda, pioneiro, inédito e único no gênero, me concederam a oportunidade de ter os chamados cinco minutos de fama na grande mídia, inclusive televisiva, sempre promovendo Itararé, louvando-a em verso e prosa. Ganhava o mundão da web também. E na web, aqui e ali, os xingos, reclamos, ameaças de processos, intimidações, por criticar governos corruptos. Nas redes sociais, por dia me excluem uns dez, e eu também excluo ou denuncio uns dez por dia. Democracia também é isso. O preço da democracia de inclusão social é a eterna militância? E tomando processos, que tive a sorte de ganhar e ser, passando de 60 anos, ainda primário. Mas, desde jovem, escrevendo para jornais, criticando o sistema, a sociedade, os chamados podres poderes, riquezas injustas, lucros impunes, principalmente de uma corrupta e incompetente ditadura militar.

Nas redes sociais você é intimado, constrangido, ameaçado, seleciona e salva uma baboseira de baixo calão, ou mesmo exclui o sujeito virtual, quando não fake, principalmente quando baixa o nível, fala palavrões, range a rede e segue a lida. Ganhando prêmios, lançando livros, dando entrevistas, fazendo palestras pagas, caindo em vestibular, constando no YouTube, participando de congressos, eventos literoculturais, reportagens, entrevistas sobre sua obra, seu trabalho diferenciado, polêmico, seus prêmios, constando em antologias literárias até no exterior, postando sua obra em verso e prosa, mais criticas, resenhas e ensaios em mais de oitocentos sites, até internacionais, em todas as redes sociais com twitterpoemas, microcontos, pensagens (pensamentos mensagens), pensadilhos (pensamentos trocadilhos), bolando coisas novas, ideias novas, pareceres que, polêmicos ou não, dando o que falar, criando jecas inimigos de ocasião, entre reaças a coxinhas, por assim dizer, ou tipos que antes eram pomposos omissos quando o Brasil era quebrado e, coniventes ou não, aceitaram numa boa, até terem um blog ou site e acharem que por isso são donos da verdade absoluta, são artistas, críticos, e que por estarem na net o cérebro vem junto com um kit de inteligência, política, educação, cultura, história, economia. E há aqueles que não sabem nadica de nada, mas não sabem que não sabem, os purgantes criticozinhos asnoias, coxinhas Hipoglós...

Vários livros lançados, dois novos trabalhos para sair, quando, com quase cinco mil amigos no Facebook, por um criticozinho de ocasião - antes fazia parte do sistema e quebrou a cara, ou também quis levar vantagem e se ferrou de canudinho? - fui levianamente tachado por um novo Coxinha Daslu, de Esquerdinha Caviar. Já pensou? Ri do sujeitinho medíocre, fuça fascista. Pobre, afrodescendente, sem curso superior, desempregado, mal formado, mal informado, ignorante político  - e de direita. Já passei por essas e outras. Achei graça. Aposentado de um dos vários trampos sobrevivenciais, vencedor com as mãos limpas, prêmios, cursos, e ouvir um disparate bocó desses de um incompetente, mal amado e frustrado foi a glória, quero dizer, foi o fechamento de ciclo historial, para não dizer, a própria consagração ético-cidadã e humana, de quem mudou seu mundo, mudou seu meio, critica sem ter o rabo preso com ninguém, nem ser filiado a partido algum ou fazer parte do sistema, principalmente em São Paulo, o estado máfia, dos news ricos das privatizações-roubos, as privatarias, de um cínico estado mínimo neoliberal entregue às moscas, sem projeto para a educação, para a saúde, para o transporte publico, mais as praças de pedágios-quadrilhas, corrupção deslavadas, impunidades institucionalizadas em todos os níveis, máfias e quadrilhas blindadas, protegidas por uma justiça chapa branca e uma mídia amoral, tendenciosa e parcial, também ligada a agiotas do capital estrangeiro - o capitalhordismo americanalhado - que sucatearam e ferraram o estado nas privatizações ainda impunes, mais o trensalão tucano, máfias dos fiscais, etc. Já pensou?

Daí você observa e analisa minha foto, pesquisa minha vida, confirma meu currículo aqui abreviado e reduzido, e cisma de pensar: Esquerdinha Caviar? Toma Poeta. Quero dizer, bem feito, quem mandou - de novo? - se meter a besta de defender inclusões sociais humanitárias, não ter feito parte de quadrilhas, e ainda se arvorar de criticar os podres poderes, até porque, Confúcio disse que as mudanças começam no micro espaço, no clã, no meio, no lar, no quarteirão, no município, na região. Falar mal do governo federal quando os municípios, estados e regiões, estão muito bem, representados em Brasília? Não somos uma sociedade de santos, queremos políticos santos? Então, baseando-nos em números, dados, fatos, vemos o povo pensar no antes e no agora, e fazer então assim, a sua avaliação, comparando. Um coxinha aí comenta: os que recebem bolsas família não deveriam votar. A mesma bolsa família copiada por países potências e que deram pontos ao Brasil, e elogios no exterior, por inclusão social de milhões. Respondo: então teríamos que impedir de votar também os que acreditam na plim plim, sofrem o open-doping da mídia corrupta, tendenciosa, parcial, de subcretinos a sem cérebros. Mas não falam nas bolsas que governos anteriores deram para Bancos, tipo o PROER, criticam os rolezinhos de pobres, negros, favelados, periferia sociedade anônima, e não criticam os rolês que promoveram, dando, a apreço de banana, a Vale do Rio Doce para inescrupulosos, só para citar um fato de crime organizado impune que a justiça suspeitamente tolera, a mídia não vê e os ignorantes políticos, criticozinhos de ocasião, nem se lembram de lembrar. E depois o errado sou eu. E os manezinhos Caviar da extrema-direita, os, curto e grosso, Coxinhas-Daslu? Pois é.

Amigos riram. Colegas que sabem minha vida me cutucaram, outros curtiram minhas respostas, defesas, mas zoaram, um Mané me rotulando, já pensou que coió? O sujeito que me tachou alopradamente de Esquerdinha Caviar, ainda achou um desenho de uma placa com os dizeres em vermelho, já pensou, pesquisar um design para achincalhar quando poderia mostrar-se mais inteligente, estudar mais, se inteirar, mas daí seria um vencedor; mas era um perdedor, mal sabendo, um direitinha-tubaina. Direita Tubaina? Pois é. Tutti-Frutti, mas sabor Glostora. Mexam com quem está cético.

Por essas e outras, trabalhando em vários lugares, pensando em novos cursos, corrigindo novos livros, lançamentos para serem agendados, duas entrevistas para serem confirmadas, participações em novas palestras e noites de autógrafos em feiras de livro, o pobre esquerdinha caviar aqui, vai levar seu sanduba de mortadela, seu remédio para o coração (rivotril, viagra e fraldas geriátricas tamanho GGG ainda não), mais suas ideias, sonhos de um humanismo de resultados depois do chamado fim das utopias, querendo que o Brasil continue de sexta potência à quinta, crescendo, apesar dos coxinhas, os discriminadores, apesar dos que torcem contra o Brasil, dos que feito papagaios de pirata dizem que o país está em crise, dos que dizem que não vai ter copa, mas continuando lesando o fisco, continuam praticando crimes como falências fraudulentas, ou ainda crimes de calunia, difamação, entre achismos, feito arautos do arbítrio, corvos do regime de exceção, tipo assim, Coxinhas-Jaburus. Já pensou? Pensar pode.

E com licença que, depois da greve geral, agora que lanchei depressinha uma coxinha, vou de um trampo para outro. Viva a democracia e a liberdade. O Esquerdinha Caviar - que chique, hein? - vai ralando e aprendendo, sempre... apanhando e crescendo, como nunca na vida, estudando e sabendo para arguir com conhecimento de causas e efeitos, vai lendo e se reciclando, a luta continua, vai escrevendo e correndo riscos...
Correndo riscos (e escrevendo) e assino embaixo...

E se a mulher quiser também fazer greve de sexo, armo o barraco ao lado da cama, e grito: Petralhas Unidos, Jamais Serão F...didos.
Feridos venceremos?
-0-
Silas Correa Leite
Anarquista Teórico, Socialista Técnico e Humanista de Resultados
Autor de GOTO, A Lenda do Reino do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, Editora Clube de Autores a venda no site:WWW.clubedeautores.com.br
Texto da Série O BRASIL QUE RECONHECE O BRASIL, VIVENCIAS & CRÍTICAS
Contatos: E-mail: poesilas@terra.com.br
Blog premiado do UOL: WWW.portas-lapsos.zip.net
 

 
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