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O futuro precário do estado-nação

27.01.2018 | Fonte de informações:

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O futuro precário do estado-nação (4)


Os modelos recentes de gestão do capital - o keynesiano e o neoliberal - revelam nas crises a sua inadaptação, sem conjurarem as causas da pobreza, das desigualdades, das guerras, com o novo fenómeno das massas de refugiados e o agudizar de um clássico - os desastres climáticos e as alterações climáticas

O que se revela nas últimas décadas é o esboroar do poder autónomo dos estados-nação e a condução das suas classes políticas pelas multinacionais - responsáveis por 70% dos transportes de mercadorias - em parceria com um sistema financeiro sobredimensionado, rolando em pista própria, sem esquecer a importância de um impune capital do crime.

Para essa crise na infraestrutura económica e social acrescenta-se o descrédito da "democracia representativa", que não é democrática e representa muito poucos e a decrepitude da esquerda tradicional de raiz leninista. Um palco onde eclode o ovo da serpente fascista, sem que se afirme uma crítica radical, organizada e sem nacionalidades, à esquerda.

A chegada ao sufoco neoliberal

A mudança para o paradigma neoliberal

Na primeira metade do ciclo iniciado no pós-guerra de 1939/45, observa-se o seu pendor ascendente, a que correspondem elevados crescimentos do PIB per capita, tanto mais relevantes porque surgem em época de elevado crescimento demográfico, com o "baby boom" que se seguiu à guerra e com a importação de imigrantes que, na Europa, se deslocaram dos países mais pobres para os mais ricos, para além de magrebinos, paquistaneses e caribenhos. A segunda parte do ciclo, retrata a sua fase descendente, que se arrasta para além da crise do subprime, com a afirmação do paradigma neoliberal, 

  • com a financiarização, os offshores e a dívida que afoga famílias, empresas e entidades estatais;
  • com a religião da competitividade e do empreendedorismo;
  • com a precariedade laboral e na vida; com o desenvolvimento da internet, das comunicações e da computação em geral, que facilitaram a segmentação da produção e as deslocalizações, a robotização, a aceleração da integração económica, a desintegração das fronteiras e a monitorização das nossas vidas escrutinadas nas chamadasbig data;
  • com a vulgarização da lógica do mercado aplicada a bens e serviços mas também a pessoas, regimes políticos como na gestão da deriva climática;
  • com a impunidade de tráficos diversos, como mulheres, crianças, escravos, armas, órgãos e estupefacientes;
  • com a presença constante de longas guerras, de grande impacto destrutivo, com a indiferença de quem está fora delas e assiste às destruições de pessoas e bens num écran. A "arte" da guerra deixou (ainda mais) de ter regras para ser levada a cabo por cobardes que destroem à distância, sem correrem riscos nem darem a cara, encafuados a milhares de quilómetros de distância a matar, como em jogos de computador.

O quadro que se segue é bastante esclarecedor sobre as duas fases do quarto ciclo de Kondratiev, até 2008; mais adiante abordaremos o período subsequente. Se o paradigma keynesiano aproveitou as condições favoráveis ao crescimento do PIB e à melhoria relativa das condições de vida das pessoas, nomeadamente no Ocidente, ao chegar a meados da década de 70 atolou-se nos problemas de ordem económica e política do sistema capitalista e abriu as portas às reacionárias figuras que se agrupavam na Sociedade Mont Pelerin, entre elas, Friederich Hayek, Milton Friedman e Karl Popper, paladinos do liberalismo económico, contra a forte intervenção do Estado, como se observava então e da colocação dos capitalistas como criadores do bem-estar da Humanidade. Como transparece no quadro seguinte, depois da crise dos anos 70, os neoliberais, assumindo o controlo da economia mundial mostraram as limitações dos seus paradigmas e que o problema que continua por resolver se chama capitalismo; seja sob o messianismo neoliberal, seja com o forte empenho do Estado keynesiano. 

Essa fase ascendente que iniciou a quarta onda de Kondratiev sofreu um primeiro abanão quando a Grã-Bretanha desvalorizou a libra em 1967 e, em seguida, os EUA (1971) suspenderam a possibilidade de conversão da sua moeda em ouro... o que, de facto seria impossível de cumprir porque o metal disponível já não tinha qualquer correspondência com a moeda em circulação. A arquitetura de Bretton Woods sofria assim, um rude golpe e a instabilidade monetária voltou. 

O encerramento do canal de Suez em 1967 (só reaberto em 1975) provocou grandes alterações no transporte de mercadorias entre a Europa e a Ásia, bem como no abastecimento da Europa, quanto ao petróleo proveniente do Médio Oriente. Em seguida, acontece o choque da quadruplicação do preço do petróleo em 1973, na sequência da atitude concertada dos estados árabes depois da guerra contra Israel; que serviu também para que os países da OPEP aumentassem o valor da componente energética no produto global, em detrimento dos países industrializados; e ainda, para nacionalizarem as instalações petrolíferas na posse daqueles países, que voltariam, no século XXI, a assenhoriarem-se daqueles recursos energéticos, no Iraque e na Líbia, na sequência (ou na causa?) das invasões ocidentais. Em 1979 sucedeu nova subida, devido às perturbações resultantes da encomenda americana feita ao Iraque para atacar o Irão; e que originou uma guerra cruenta que se arrastou por dez anos. 

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