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Sem-terra oferecem feira alternativa

23.03.2008 | Fonte de informações:

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Produção de frutas e legumes - Acampados apostam na produção própria com atrações

para o consumidor, a partir do final de abril

Ribeirão Preto ganha no mês que vem uma feira diferenciada. O MLST (Movimento de Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem-terra), que mantém 191 famí-lias num acampamento instalado na ocupada fazenda da Barra, inaugura uma feira para venda direta aos consu-midores dos produtos cultivados na área onde o INCRA prepara um assentamento de reforma agrária.

A feira vai funcionar, duas vezes por semana, em um amplo galpão construído a menos de cinco metros do muro que separa a área da fazenda e o bairro Ribeirão Verde.

“Vamos abrir o muro e a rua, que hoje é sem saída, vai acabar diretamente no galpão”, explica Marcos Praxedes, coordenador do acampamento.

Segundo ele, em trinta dias estará pronta a infra-estrutura. “Vamos construir um escritório, berçário, sanitários masculino e feminino e uma cozinha. Além de comprar produtos frescos, a preços que só quem produz pode praticar, os visitantes vão poder experimentar pastéis fritos na hora, milho cozido, bolo de milho e outras guloseimas”, informa Praxedes.

A idéia do MLST é oferecer mais do que uma simples feira. “Queremos que as pessoas venham aqui para passear, e não só para comprar frutas, verduras e legumes. Vamos ter uma ampla área de estacionamento e uma espécie de praça de alimentação. A criançada poderá fazer passeios de cavalo ou charrete. E a dupla sertaneja Magner e César, que faz parte do acampamento, estará se apresentando”, explica.

Ele acredita que a qualidade dos produtos e os preços baixos vão atrair muita gente. “Será um ponto de encontro bem familiar, num ambiente rústico, algo que não existe em Ribeirão Preto”, promete.

Lucro

A idéia da feira surgiu para viabilizar a comercialização do excedente produzido em cerca de 500 dos 650 hectares ocupados pelo acampamento do MLST. O grupo firmou um convênio com a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), para quem vende parte da produção, distribuída a entidades assistenciais via Banco de Alimentos da Prefeitura Municipal.

“Esse convênio com a CONAB, chamado programa Compra Antecipada, garante uma renda média de R$ 250,00 para cada família. Na prática, banca o custeio, o que cada um gasta para produzir. O que vendermos além disso, é o nosso lucro”, explica o coordenador do MLST.

Produção do acampamento já é vendida na CEAGESP

Com a feira, que vai funcionar aos domingos (8h00 às 13h00) e num dia da semana (a definir), à noite, as famílias querem evitar que intermediários lucrem com a produção do acampamento.

O coordenador Marcos Praxedes cita como exemplo a venda semanal de 400 caixa de quiabo para um comerciante. “Ele vem aqui com um caminhão, paga R$ 4,00 a caixa, e vende na CEAGESP por R$ 10,00 ou R$ 11,00”, conta. “Na venda no varejo, podemos ter um ganho maior do que vendendo para atacadistas”, comenta.

O acampamento produz quiabo, abóbora, banana, berinjela, feijão, milho, mandioca, batata-doce e maracujá, entre outros produtos.

A fazenda da Barra, na zona leste, foi ocupada por trabalhadores sem-terra em 2003. Atualmente a área de mais de 1.600 hectares, ao lado do Ribeirão Verde, se divide em três acampamentos - um dos MLST, outro do MST e um terceiro independente.

O INCRA já cadastrou as famílias acampadas e em breve deve apresentar um projeto de assen-tamento agroecológico, já que a fazenda está em área de recarga do aqüífero Guarani.

Nicola Tornatore

F.L.Piton

A Cidade (Ribeirão Preto-SP)

 
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