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Improviso de Pensatas Para Microensaio sociológico-historial

20.02.2017 | Fonte de informações:

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Improviso de Pensatas Para Microensaio sociológico-historial
 
Nós Sobreviveremos
 
Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
 
Podres Poderes - Caetano Veloso
 
 
... sim, nós sobreviveremos, irmãos. Nas cavernas, nas grutas, nas caravelas, nas galés, no nomadismo, nas diásporas, na fome, no tifo, nós SOBREVIVEREMOS. Não foi fácil, mas nós sobrevivemos.
... fomos usados nas pirâmides, na muralha da china, nas guerras de poderosos, entre gladiadores e incréus, nas falsas lutas ditas cristãs contra os bárbaros que eram todos, de impérios decadentes, e sobrevivemos. 
... nas aterradoras colonizações de exploração, nos remos das naves, nos exílios forçados, nós sobrevivemos. Assim, por que um meteoro nos assustaria, se os dinossauros agora são bípedes, irracionais, e  as grades deles são ancestrais, estão no DNA deles?
... trabalhamos como escravos, como abusados servos, fomos usados como leva de gado, como moedas de troca, como status de posse e de poder, entre arados, engenhos, mas nós sobrevivemos.


... nós sobrevivemos, vivemos vergonhosas eras passadas, avós desterrados, pais escravos, filhos discriminados - dos filhos deste solo -  migrações, imigrações, abusos de poder, riquezas impunes, riquezas injustas, exploração, pagamos[S1]  alto preço em ferro e fogo e sangue, mas nós sobrevivemos... 
... fizemos o trabalho sujo dos lacaios do poder, limpamos as sujeiras dos poderes todos, os brancos enfezados, fomos intimidados por uma elite burguesa, mas quando também derrubaram a Bastilha, lá estávamos nós, entre todos...
... nos usaram sem pudor, em nome de uma elite podre, de uma igreja-máfia, de estados fascistas, mas aqui e ali sujeitos, nós sobrevivemos. Ao fascismo, ao nazismo, aos golpes de estados, às ditaduras vis.
... sobreviveremos agregados nessa mistura de negros e brancos e índios. Somos isso. Juntos somos fortes. Feridos venceremos. Fomos misturados, mas isso nos fez fortes no amor e na dor, a miscigenação, rotulam eles, pretos, cafuzos, pardos, negros, mulatos, eles rotulam, separam, intimidam, mas nós sobrevivemos, sendo os excluídos, os descamisados, os pobres, a maioria absoluta da nação...


... fomos discriminados, ora em raça, ora em condição social, o desprezo, a injuria, e tachados de negros pobres, ora de formigas, ora de borra-botas, ora de nordestinos, ora de capiaus, ora de operários, ora de caipiras, ignorantes, ora isso, ora aquilo, mas nós sobrevivemos...


... sobrevivemos na senzala, e sobrevivemos despejados delas nos morros, barrocas, favelas, e sertões. Não nos indenizaram. Mas eles se indenizaram. Depois de trabalho escravo em minas, lavouras de café, as duras penas sobrevivemos. Somos duros na queda.
... depois a canalha do golpe militar de 64 para evitar reforma agrária que toda grande potência fez, como justeza social, e mataram Jango Goulart que nos queria dar mais do que a CLT do Vargas nos dera de direitos pétreos, mas nós sobrevivemos como Joãos Sem Terra num território continental. Uma ditadura atingiu o pagamento da divida social desde 1500.
... depois veio um janota e boçal sociólogo dito comunista e ateu, pseudo salvador da pátria, com um irreal plano real, e ferrou nossos direitos, em nome de um verniz moderno, de um tal neoliberalismo que quebrou nações do mundo todo. Mas ele tinha pose de sabido e era protegido pela corja da sociedade cloaca, de uma paulistaiada que adora paulistas corruptos da gema sem algemas. E nós sobrevivemos pela periferia S/A, entre guetos, palafitas, cortiços, becos e ruinas de um desmoronamento sem senso ético-humanitário.
... antes tínhamos gritado diretas já, anistia já, fora gorilas olivas, e assim de um modo ou de outro fundamos uma democracia frágil, fomos pra rua, os morros ganharam o asfalto das avenidas com nome de marechais bandidos, de empresários bandidos, de bandeirantes bandidos, de torturadores bandidos, ganhamos força como pretos, pobres, operários, e sobrevivemos. Do nosso seio nasceu um mito, uma lenda, um plantador de sonhos, com Gandhi, como Mandela, como Luther King, e nós o elegemos pelo sufrágio eleitoral da democracia.


... e com ele tivemos uma pátria para chamar de nossa, e o cabeça chata sem estudos, sem pose, sem medo do cheiro do povo, migrante da seca e provedor da mãe abandonada, nos deu um país, e por ele choramos, lutamos, protestamos, ele perdeu várias vezes de ganhar, foi xingado, humilhado, preso, rotulado, acusado, mas nós também fomos, e então  o tornamos nosso irmão, e com ele sobrevivemos...
... o metalúrgico humanista Lula do Povo escolheu uma mulher forte que o substitui no poder e que pensou em nós, e continuou seu processo de inclusão social histórico em 500 anos, não negociou com bandidos historiais que nos ferraram, com parte alienada do povo dopado pela curriola da imprensa indo à rua, mais uma mídia suja, os buchas de  canhão, e um usurpador traíra antipovo tomou no grito e num golpe insano e amoral a faixa presidencial que não lhe é de direito e nem lhe pertence. Eles torturam, sequestram, matam, derrubam aviões, fazem o jogo sujo, mas nós sobreviveremos. Nós não temos culpas nos cartórios da jornada da democracia...


... mas não estamos derrotados. Não pensem que estamos. Não se enganem. Nós sobreviveremos. O usurpador que negocia com bandidos dos cinco poderes, cortou nossos sagrados direitos, fez uma reforma que só era contra os pobres não contra os meandros de seus asseclas e agiotas ricos em bastidores sujos, mas nós sobreviveremos...
... nós sobreviveremos a esse ditador interino e seus asseclas combinados, suspeitos, sob investigação, ferindo estados de direito, com tal justiça podre, a mídia capanga, os pelegos de antros sindicais espúrios, mas nós sobreviveremos a isso também.
... somos a maioria absoluta da população. Nós sobreviremos. Se suportamos navios negreiros, capitães do mato, uma justiça torpe, tendenciosa e parcial, uma sociedade abutre, insensível, podemos suportar também um nefasto presidente marionete de enfeite, um zumbirionete tampão.
... sim, nó sobreviveremos. Temos coragem limpa. Temos as mãos limpas do sangue desses justos, desses sacrificados e alijados do sonho. Tomaremos pulso. O povo de novo tomará a direção da barca Brasil. Brasil, a batalha é nossa, o povo é a razão. Resistir é preciso, viver não é preciso. 


...sim, eles querem um Brasil rico só pra eles, uma rastejante nação amorfa de máfias de quadrilhas impunes desde 1500, mas nós sobreviveremos à essa rasteira institucional, e nos faremos presentes, pelos campos, vilas e cidades, mais escolas, e também nas fábricas, nas universidades, nós sobreviveremos...


... perdoem a nossa cara feia e triste e amargurada, perdoemos  nossos calos em carne viva nas mãos de trabalhadores honestos que somos, batalhadores, perdoem nossos olhos vermelhos de chorar circunstanciais derrotas de percurso e luta, perdoem nossa bandeira murcha cheirando gás lacrimogênio, sangue seco e lágrimas, mas com nosso coração alquebrado, com nossas trôpegas pernas cansadas, ainda assim seguiremos lutando nas trincheiras paisanas por ética e legalidade ainda que tardia, com nossa metralhadora dialética cheia de lágrimas por um humanismo de resultados, com inclusão social, sim, faremos esse mal à eles todos; faremos essa mal à consciência deles todos. Faremos esse desafio como marca de desafio aos embustes palaciais deles todos, sim irmãos, a luta continua, perdoem, mas
nós Sobreviveremos!
31.03.2017
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Silas Correa Leite, blogueiro e ciberpoeta premiado.
Conselheiro Diplomado em Direitos Humanos e Democracia
Autor de GOTO, A Lenda do Reino do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, Romance, Editora Clube de Autores-SC
www.portas-lapsos.zipnet

 

 
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