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Golpismos tropicais

19.06.2007 | Fonte de informações:

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por Miguel do Rosário

O Renan Calheiros nunca foi flor que se cheire. Todo mundo sabia. O Fernando Henrique Cardoso sabia. Tanto que o convidou para ser Ministro da Justiça. O maior podre de Calheiros, no entanto, foi ter feito parte da famosa tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

O mesmo Collor que foi alçado aos céus da glória e do poder pela mídia.


Calheiros era adversário de Lula no primeiro mandato. No segundo, depois da goleada que Lula deu na oposição, aí incluindo a mídia, Calheiros se rendeu à força política do presidente. Desta vez, Lula sabia que precisava do PMDB para haver um mínimo de equilíbrio entre o Executivo e o Legislativo. Não tinha outro jeito. Quem não entende essa necessidade do governo federal sofre de hipocrisia ou desconhecimento do poder desestabilizador do Legislativo.


Aliás, a hipocrisia é o conceito chave para se pensar a política nacional. FHC patrocinou uma lei para mudar a Constituição e aprovar a reeleição em PLENO MANDATO. E nunca vi um colunista denunciar isso, ainda mais considerando todas as denúncias de compras de votos de deputados para aprovar a tal lei. FHC prorrogou, deliberadamente, uma situação cambial artificial, para ganhar as eleições em 1998, produzindo uma crise cambial profunda no início de 1999, que fez o Brasil perder bilhões em reservas. Ninguém reclamou. Ninguém disse que aquilo não era ético.


O Luiz Nassif publicou, há poucas semanas, um livro intitulado Cabeça de Planilha, em que acusa, com provas, que a turma do Fernando Henrique se beneficiou da crise cambial. Acredito. Estão todos bilionários.


A privatização foi feita de maneira primitiva, colonial. Vendemos a Vale do Rio Doce pela bagatela subavaliada de 3 bilhões de dólares, a maior parte paga em moedas podres! E ainda vem alguns débeis mentais dizendo que foi melhor assim, porque em caso contrário a Vale poderia estar sendo administrada por um Delúbio Soares. Ora, vão plantar couve no Chapadão do Raio que o Parta. A Vale poderia ter sido vendida em parte, por valores muito mais altos.

O Brasil possui as maiores reservas de minério de ferro do mundo. A Vale passou 50 anos pesquisando o subsolo brasileiro e entregamos de mão beijada todo o know-how para outrem.

A Miriam Leitão é a maior cara de pau da história da humanidade quando fala que a Vale não dava lucro antes da privatização e agora dá lucro. O preço do minério de ferro, antes da privatização, era de cerca de 15 a 20 dólares a tonelada. Agora, está em mais de US$ 100 e crescendo. Claro que agora dá lucro.

Sabem por que FHC vendeu com tanta pressa? Por que os analistas do setor sabiam que, com o crescimento acelerado da China e outros países asiáticos, o mercado de ferro iria explodir a qualquer momento. Os preços chegariam às alturas. Se o fato acontecesse antes da privatização, a Vale começaria a dar lucros extraordinários (como dá hoje) e o governo não teria como justificar um abominável entreguismo. Ou, antes, o preço de avaliação da Vale teria que ser multiplicado por 10,20, 500.


O minério de ferro é uma riqueza não renovável. FHC, se fosse honesto e bem intencionado, poderia ter iniciado um saudável processo de abertura de capital da Vale, permitindo o aumento de capital estrangeiro, mas mantendo o controle nas mãos do governo.


A imprensa golpista quer derrubar o Renan de qualquer maneira. Veja, Estadão e Globo decidiram revirar a vida do senador. Os cães investigativos foram atrás de amantes, dívidas, declarações de imposto de renda, em busca de fatos e notícias que prejudiquem a imagem de Calheiros. A estratégia foi iniciada pela Veja, mas logo comprada por todos os que jogam no mesmo time.


Tem que ser muito inocente para não ver nesse novo bombardeio midiático contra o senador as seguintes intenções:


1 – Criar uma atmosfera de crise política, o que sempre reflete negativamente no governo.


2 – Abafar as grandes operações da Polícia Federal.


3 – Derrubar Renan Calheiros e colocar alguém do PSDB ou do DEM na presidência do Senado, passo necessário para paralisar de vez o país e, eventualmente, derrubar Lula.


Mudando de assunto, é por essas e outras que hoje perdi totalmente o respeito pelo Alberto Dines. Nem quero mais publicar meus textos lá no Observatorio da Imprensa. Diante de um quadro totalmente golpista, por parte de uma imprensa com um histórico de golpes (contra Vargas em 1954 e contra Jango, em 1964), Dines resolveu simplesmente alinhar-se ao lado dos mesmos golpistas e adotar uma posição anti-lulista absolutamente sectária, gastando muito mais tempo fazendo críticas politiqueiras contra Lula do que, efetivamente, analisando a imprensa nacional.

 
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