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As armas no conflito em Timor

17.06.2006 | Fonte de informações:

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O líder dos militares timorenses rebeldes, major Alfredo Reinado, entregou as suas armas às forças australianas, num processo accionado pelo presidente Xanana Gusmão que pode abrir caminho à resolução da crise político-militar no país. A entrega das armas de Reinado e dos 20 efectivos das forças armadas e da polícia que se mantêm acantonados em Maubisse decorreu naquela vila, a 60 quilómetros de Díli, numa cerimónia em que um enviado da presidência de Timor Leste apresentou um documento que ordenava ao major a entrega da sua arma e as dos seus homens aos militares australianos. 

No documento de quatro pontos, intitulado «Ordem de entrega de armamento», Xanana Gusmão salienta a sua condição de chefe de Estado e de comandante supremo das forças armadas e cita o acordo na base da presença no país das forças militares e policiais australianas, a quem atribui a “responsabilidade de monitorar o acantonamento das forças em áreas designadas”. Xanana Gusmão evoca ainda a sua declaração de 30 de Maio, quando anunciou medidas de emergência, a vigorar por 30 dias, para “ultrapassar a crise”. Debaixo de chuva miudinha, o major Reinado mandou formar os seus 20 homens, e depois de verificar as condições de segurança da sua arma, entregou-a, juntamente com nove carregadores de munições, a um militar australiano.

Foram recolhidas 12 armas automáticas, três pistolas e muitas munições. As armas foram colocadas num contentor colocado no pátio exterior da Pousada de Maubisse, onde teve lugar a cerimónia. Questionado pelos jornalistas sobre o seu futuro, o major disse que pretende “ficar por aqui e aguentar. Esperar para ver o que acontece”. Reinado negou ter negociado com Xanana Gusmão a entrega da arma, frisando que não tem capacidade para negociar. “Recebi uma ordem do meu comandante supremo e cumpri-a”, vincou. Questionado sobre a continuação de Mari Alkatiri à frente do governo, o major disse tratar-se de uma questão que “cabe aos políticos resolver”.

O desarmamento dos militares rebeldes era uma condição para a realização de um diálogo alargado para resolver a crise em Timor Leste e já foi saudado pelo primeiro-ministro, Mari Alkatiri, como “um bom começo para estabilizar o país”, acrescentando que “não pode haver armas nas mãos de civis ou pessoas que não pertençam a instituições como as Falintil ou a Polícia Nacional de Timor Leste”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Alexander Downer, inicia na próxima segunda-feira uma viagem que vai levá-lo à França, à Alemanha e ao Reino Unido, onde entre os dias 19 e 17 discutirá as questões da seguran-ça em Timor Leste e no Iraque, anunciou ontem o seu gabinete. A mesma fonte disse ainda que Downer deverá manter encon-tros com os seus homólogos britânico e francês, Margaret Beckett e Philippe Douste-Blazy, junto de quem pretende defen-der um “empenho alargado das Nações Unidas em Timor Leste”. No dia 26 deste mês, o ministro australiano tem agenda-da uma participação na cimeira França-Oceânia, evento que terá como anfitrião o presidente francês, Jacques Chirac.

Segundo “O Primeiro de Janeiro”

 
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