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Como Brasil superou a crise

16.06.2010 | Fonte de informações:

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A procura de novos mercados foi uma estratégia de sucesso contra a crise


Barreiras para o etanol - Neste ano, o excesso de produção de milho no mercado americano fez com que os preços do etanol produzido nos Estados Unidos desabassem. Exatamente neste momento, não é bom para nós negociarmos a redução da taxa, embora insistamos sempre que esta deva desaparecer. Não apenas discutimos a taxa sobre o etanol, mas também, por exemplo, sobre o suco de laranja. Achamos inaceitável que os Estados Unidos estabeleçam taxas deste tipo.
Estímulo às exportações – Para melhorar o fluxo de caixa das empresas, o governo decidiu devolver valores retidos em impostos sobre a produção de produtos para exportação em, no máximo, 90 dias. Temos hoje uma disputa muito grande, principalmente com a crise nos mercados europeu e norte-americano. O esforço será dobrado, triplicado, para aumentarmos as exportações. Como o Brasil é um dos poucos países do mundo em crescimento, nos tornamos um mercado atraente.


Eximbank - Criamos o Exim, que é um banco de exportação e importação. Isso já existe em vários países. A função é financiar o seguro, o crédito, para dar segurança ao exportador, no caso de países que tenham dificuldades ou que não tenham o crédito internacional necessário. Se o país ou o importador não pagar, a seguradora ligada ao Exim ressarcirá. O banco concentra todas as necessidades e as áreas ligadas à exportação, centralizando o que hoje está disperso. O BNDES tem uma área de exportação que será a base para o Exim. Haverá uma transferência dessa área para o Exim, para que o banco se estabeleça o mais rapidamente possível. A previsão nossa é em dois ou três meses.


Compras governamentais – As empresas brasileiras, especialmente as pequenas e médias, terão uma vantagem de 25% em termos de preço, sobre as empresas importadoras, no caso do fornecimento de compras para o governo. Se considerarmos que as empresas importadoras pagam o imposto de importação, que é no mínimo de 10% a 35%, se as empresas brasileiras ainda têm, além disso, uma vantagem de 25% - estamos falando de quase 50% de diferença de preço. Vamos seguir todas as regras da Organização Mundial do Comércio, mas as empresas brasileiras deveriam ser fornecedoras principais para o governo brasileiro.

Acordo Mercosul – União Europeia - Houve discussões para um acordo entre o Mercosul e a União Européia, que foram interrompidas em 2004 por causa das barreiras agrícolas da União Européia. Isso ficou parado até agora. Numa recente reunião, em Madri, entre presidentes e primeiros-ministros dos dois blocos, houve uma decisão de se retomarem as negociações. A primeira reunião técnica foi marcada para o final do mês. Não acredito, por mais que haja uma expectativa boa sobre isso, que já tenhamos um acordo a partir desta reunião. Acho que será a primeira, de várias reuniões, porque são dois blocos importantes, há dificuldades do lado da União Europeia, com países como a França, a Polônia, que não apóiam o acordo, exatamente por causa da proteção enorme que esses países dão a seus agricultores. O Mercosul está disposto a abrir bastante os setores industriais, mas é preciso que países do outro bloco abram as áreas agrícolas. Há um grande interesse do Mercosul em fazer o acordo.


Comércio entre o Brasil e o Ir㠖 No MIDC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), acreditamos que não serão afetadas as exportações brasileiras para o Irã, até porque estão muito concentradas em alimentos. Estivemos recentemente no Irã, no Egito e no Líbano, numa missão comercial, com 85 empresas interessadas em fazer negócio. Portanto, acredito que, ao contrário do que possa parecer, temos não uma dificuldade, mas uma oportunidade de aumentarmos as nossas exportações para o Irã. Na minha avaliação, vários países se retrairão com a questão das sanções. Isso abre um caminho para a exportação. O Irã, aliás, nesses primeiros cinco meses do ano, passou a ser o segundo comprador de carne do Brasil.


Comércio exterior - A crise do ano passado afetou muito os países compradores. Isso dificultou as exportações, até porque aumentou a competição. Acredito que fizemos uma estratégia correta de procurar por novos mercados.


O mercado norte-americano representava, em 2002, 25% das compras brasileiras. Hoje, embora o volume de vendas tenha aumentado para os Estados Unidos, representa apenas 13%. Direcionamos exportações para outros países. Os mercados africanos, que são menores, mas são muitos países, estão absorvendo uma boa parte das exportações brasileiras. O mercado sul-americano é importante hoje para o País. Em 2003, tínhamos cerca de US$ 600 milhões de fluxo comercial com a Venezuela. No ano passado, chegamos aos US$ 5 bilhões. Aumentamos muito também as exportações para todos os países do Oriente Médio e da Ásia.

Balança comercial – Há um otimismo devido ao esforço exportador e às medidas que foram anunciadas. Os financiamentos, por exemplo, estão sendo feitos pelo BNDES, o Banco do Brasil, o Proex, etc. E também pela agressividade de uma boa parte das empresas brasileiras de procurarem novos mercados, apesar de crescimento do mercado interno.


Fizemos uma revisão, na semana passada, da nossa meta de exportação para este ano, passou de US$ 160 bilhões para US$ 180 bilhões. É um número importante, mas devemos lembrar que, em 2008, chegamos a US$ 200 bilhões e a nossa meta era ter atingido, agora, US$ 220 bilhões. Chegaremos a US$ 180 bilhões, US$ 40 bilhões a menos do que imaginávamos há três anos.


Os primeiros meses do ano não foram bons nas exportações, exceto nas commodities. Agora, pela avaliação que fizemos com o fechamento em maio, percebemos que estão aumentando mais do que prevíamos no começo do ano, que ainda estava muito afetado pela crise internacional. Acredito que as medidas recentes ainda não deram todo resultado. Portanto, na medida em que os empresários começarem a usar esses benefícios, teremos melhores resultados.

Inflação - O Banco Central, que trabalha para atingirmos a meta da inflação, tem poucos instrumentos pra isso. Um deles é o aumento da taxa de juros, que faz com que se eleve um pouco o custo para o consumidor. Este, por sua vez, passa a consumir menos. O segundo é ofertar menos dinheiro ao mercado, que também torna mais difícil a compra. A terceira seria a redução, por exemplo, do crédito. A expansão do crédito no Brasil foi uma das grandes responsáveis pelo aumento do consumo que verificamos nos últimos três anos. O crédito no País representa cerca de 45% do PIB. Ainda é pouco. Há países em que isso passa de 100%. Mas era de 20%, há seis anos. Portanto, houve um enorme aumento do crédito. Acho que é preferível trabalhar, por exemplo, com aumento do juro e do compulsório, do que com a redução do crédito.


No caso, por exemplo, da produção de bens de capital, não apenas máquinas e equipamentos, mas também bens como caminhões, a grande expansão que se deu agora, com a recuperação no período de crise, se deveu e se deve ainda, a financiamentos a juros baixos e prazos longos feitos pelo BNDES. Se não houvesse isso, seria muito difícil termos chegado a resultados tão positivos. Se o BNDES parar de financiar esses bens, certamente teremos uma redução da atividade econômica. É preciso ter uma visão muito clara do que queremos, para que possamos fazer uma sintonia muito fina de até quando podemos crescer. Em que momento teremos que frear um pouco o crescimento, para que não criemos mais inflação. Que é o que o governo tem tentado fazer, inclusive o Banco Central.

SECOM

 
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