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Como o Império revidará

15.07.2015 | Fonte de informações:

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OK, agora que todos já celebramos o belo "NÃO!" grego aos plutocratas da UE, temos de voltar à real e examinar as opções do Império. Ou, na verdade, a opção do Império, no singular. 

O Império é extremamente previsível. O exemplo da Grécia é caso exemplar, de manual, de como o Império usa bancos para estrangular um país com dívidas; criar uma classe governante comprador; fazer da imprensa-empresa nacional instrumento para a propaganda imperial; e tentar deter completamente qualquer processo democrático, negociando exclusivamente com a classe governante. Por alguma espécie de quase-milagre, no caso grego essa última fase fracassou.

Posso estar errado, mas meu instinto diz que o Império jamais levou muito a sério o Syriza ou, se levou, só passou a fazê-lo muito tarde demais. Quanto a Tsipras e Varoufakis, foram provavelmente tão surpreendidos como todos nós, quando repentinamente se viram "promovidos", da liderança de um partido com 5% dos votos, à liderança legítima de toda a nação grega. Também tenho a impressão de que nem Tsipras nem Varoufakis esperavam pelo tsunami que desencadearam com esse referendum. Mas, seja qual for o caso, o que está feito está feito. Para absoluto horror dos euroburocratas, o povo grego falou e, no momento, o Império só tem uma opção: ou cooptar ou derrubar o governo grego, o que sempre funciona melhor.

Pessoalmente, sinto que é tarde demais para cooptar o governo. Além do que, Tsipras e Varoufakis tornaram-se figuras tão odiadas entre os euroburocratas, que a solução a ser provavelmente escolhida será derrubá-los.

Aparentemente, esse processo já está em andamento. Varoufakis que antes dissera que "vocês vão ter de me aguentar", já renunciou. Quanto a Tsipras, parece estar suplicando por negociações. Espero estar errado, mas não estou muito entusiasmado com o que vi até aqui.

Então, mais uma revolução colorida?

O exemplo de Gaddafi da Líbia mostra claramente que um líder nacional pode render-se completamente e submeter-se aos anglo-sionistas e *mesmo assim* ser derrubado. Meu palpite é que não importa quantas concessões Tsipras faça, nada será suficiente para mantê-lo no poder. Tsipras humilhou os euroburocratas, e eles não o perdoarão. Agora só resta ao Império fazer da Grécia, exemplo. É a única solução lógica.

Aconteça o que acontecer, a Grécia enfrentará tempos extremamente difíceis, politicamente e economicamente. Vimos recentemente como um país - nesse caso, a Armênia - pode ser facilmente "castigada" por atrever-se a desobedecer aosdiktats imperiais. Acho que a Grécia é, hoje, país muito mais fraco e frágil que a Armênia. Para começar, porque os alemães e norte-americanos mais ou menos mandam no país; pode-se dizer até que são donos de tudo. Em segundo lugar, um denso sólido 1/3 do país estava querendo aceitar os termos do ultimato da plutocracia transnacional. Em terceiro, a Grécia é cercada pela OTAN e por instabilidade por todos os lados. Quanto, toda a imprensa-empresa do país, toda ela, é de propriedade dos anglo-sionistas. Quinto, a Grécia não tem recursos naturais ou algum bom mercado fora da União Europeia.

Diferente de outros, não tenho muito medo dos militares gregos. Sim, militares quase sempre se posicionam ao lado das elites comprador, mas a última coisa que a União Europeia quer é outra junta militar fascista no governo de país no continente. E a reação do povo grego a um golpe aberto parece ser altamente imprevisível.

Acho que o cenário mais provável é que o próximo 'evento' seja uma Maidan grega, seguida de acusações de brutalidade policial e todo o cenário típico de 'revolução colorida'. Ao final do dia, o que acontecer dependerá muito da posição que tomem Tsipras e o seu partido: 

- se buscarem apaziguar os euroburocratas, se fizerem infinitas concessões, se agirem como "europatriotas" leais, nesse caso serão esmagados: mas 

- se apelarem diretamente ao povo grego, e explicarem com clareza que aquela é a luta de libertação nacional dos gregos, e que a liderança precisa do apoio e da proteção do povo, nesse caso é altamente provável que vençam, sobretudo se optarem por romper com a Eurozona e coligar-se à União Econômica Eurasiana e à China, como suas apoiadoras. Espero estar errado, mas não vejo Tsipras ousando essa virada tão dramática. Eis por que prevejo, na sequência, uma revolução colorida.

Aconteça o que acontecer, não vai demorar. Logo saberemos.

[assina] The Saker

6/7/2015, The Saker, The Vineyard of the Saker

 

 
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