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Contra o genocida brasileiro Alberto Brilhante Ustra

13.09.2006 | Fonte de informações:

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O escrache digital conclamado pela Rede Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte (REDH-RN) contra o lançamento no Instituto Histórico e Geográfico potiguar de um livro do genocida Alberto Brilhante Ustra , um dos mais brutais torturadores que protagonizaram o terrorismo de Estado que ensangüentou o Brasil durante os vinte anos do regime militar (1964-1984) e que no cargo de coronel enoja e cobre de infâmia a imagem do exército brasileiro, obteve seu primeiro resultado. Como informa uma matéria da edição de 10 de setembro do jornal Diário de Natal , suplemento O Poti , a instituição recuou da promoção do evento após a campanha levada adiante por este jornal eletrônico.

Esta renúncia segue-se à da Academia Norte-Riograndense de Letras que, apesar de estar presidida pelo notório fascista potiguar Diógenes da Cunha Lima (um advogado e mediocre escritor que nos anos Sessenta ajudou a destruir a maior campanha de alfabetização de massa da América Latina, De Pé no Chão Também se Aprende a Ler , realizada pelo ex-Prefeito socialista de Natal Djalma Maranhão ), o qual tinha chamado de própria iniciativa o criminoso Ustra a Natal para que lançasse o livro na instituição que ele dirige, vivenciou a reação interna de alguns membros que abortaram a tentativa.

Apesar disso tudo, porém, o nefasto evento está previsto mesmo assim para o dia 14 de setembro e acontecerá na livraria AS Livros do bairro de Candelária, situada na galeria comercial próxima ao Natal Shopping, na capital potiguar. O livro, intitulado A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça, é uma apologia dos crimes contra a humanidade cometidos pelo aparelho repressivo do Estado brasileiro durante a ditadura.

Como mostrou o jornalista e historiador Élio Gaspari em uma matéria do jornal O Globo de 2005, citada pelo mencionado artigo do Diário de Natal de 10 de setembro, nos quatro anos em que o terrorista de farda Brilhante Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo (1970-1974), verificaram-se 502 casos de tortura. Nesta edição de Tecido Social publicamos o depoimento de uma das vítimas daquele selvagem animal, o jornalista e Deputado Estadual na Bahia pelo Partido dos Trabalhadores (PT/BA) Emiliano José da Silva (ver a próxima matéria). Outros depoimentos e informações sobre os crimes do carniceiro Brilhante Ustra podem-se encontrar no relatório Brasil Nunca Mais , que relata as atrocidades cometidas pela ignominosa ditadura que humilhou o país durante duas décadas.

Por estas razões, o nosso escrache continua. A totalidade do movimento de Direitos Humanos potiguar e todos os cidadãos e as cidadãs do Rio Grande do Norte com consciência, ética e amor pela democracia, a liberdade e o Estado de Direito voltam a proclamar em voz alta e com todas as forças seu total nojo, asco e repugnância perante esta escória do gênero humano que, ao encontrar-se solto e ao defender impunemente os atrozes crimes contra a humanidade que cometeu em nome de um regime genocida, envergonha a sociedade brasileira e insulta a dignidade humana.

A livraria AS Livros, se realmente permitir o lançamento do livro deste infame assassino, no qual - não é demais repetir - este faz uma apologia das barbáries que praticou contra milhares de brasileiros e brasileiras (pois, apesar dos casos de tortura reconhecidos serem 502, mais de quatro mil pessoas passaram pelo DOI-Codi enquanto aquela besta sanguinária o dirigia), se tornará conivente com o brutal criminoso e a nefasta mensagem que o livro dele veicula. Por este motivo, convidamos todos os leitores e as leitoras de Tecido Social a manifestarem seu veemente repúdio ao lançamento do vomitável livro do moderno capitão do mato Brilhante Ustra, comunicando-se com a AS Livros do bairro Candelária de Natal no telefone (84) 3206-9099, enviando uma mensagem na seção Fale Conosco do site da livraria - http://www.aslivros.com.br

- ou, caso morem na capital potiguar, indo conversar pessoalmente com seus gerentes no endereço Avenida Senador Salgado Filho 2850, Loja 5.

Ao mesmo tempo, convidamos todos os nossos leitores e as nossas leitoras a lotarem com mensagem de repúdio, nojo e desprezo a caixa de entrada das contas de e-mail do genocida

Alberto Brilhante Ustra, escrevendo para c.ustra@terra.com.br e

averdadesufocada@terra.com.br , assim como a enviarem para o endereço pessoal dele cartas de rejeição dos seus crimes e as suas idéias: Caixa Postal 701 - Agência Lago Norte - CEP 71510.970 - Brasília/DF.

Também convidamos tod@s aquel@s que, por ventura, se esbarrassem com aquele assassino

(cuja foto está disponível em uma matéria do jornal Diário de Natal, no link http://diariodenatal.dnonline.com.br/site/materia.php?idsec=2&idmat=149171 ) a manifestarem-lhe abertamente, em público, seu asco e repúdio, jamais esquecendo o que aconteceu com o massacrador argentino Alfredo Astiz que, em uma ocasião, recebeu um tapa na cara por parte de uma senhora que morava no seu mesmo bairro em Buenos Aires.

Por último, incentivamos-lhes a enviarem para o endereço dhnet@dhnet.org.br todas as informações que possuírem sobre os próximos lançamentos do livro daquele marginal de farda em outros Estados, assim como todos os dados, as informações ou os depoimentos que tiverem sobre os crimes e as atrocidades que ele cometeu. Com a ajuda de tod@s vocês, o portal DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura - que possui o maior acervo de informações sobre direitos da pessoa e cidadania em língua portuguesa - e o jornal eletrônico Tecido Social monitorarão constantemente os passos deste infame criminoso e realizarão um escrache digital permanente.

Nosso objetivo é fazer com que estes crimes se conheçam para que nunca mais voltem a acontecer. Afirma o cantor argentino León Gieco em uma das suas mais célebres canções: la memoria despierta para herir a los pueblos dormidos que no la dejan vivir. Vamos tod@s junt@s despertar o povo brasileiro, pois - como nos ensinou Hannah Arendt - a luta contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento.

Rede Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte (REDH-RN)

DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura

Leias as matérias da edição de 10 de setembro do jornal Diário de Natal sobre o lançamento do livro do terrorista de Estado Alberto Brilhante Ustra:

Direita, volver!

Augusto Boal reage aderindo ao CDHMP

DEPOIMENTO

Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento (XXXI)

Por Emiliano José Da Silva *

Em 1973, com as principais organizações que defendiam a luta armada já bastante desarticuladas em razão da brutal repressão de que foram vítimas desde 1969, a ditadura militar dá início à Operação Radar, destinada a destruir o Partido Comunista Brasileiro (PCB). A iniciativa ganha fôlego sob o governo do general Ernesto Geisel.

Para se ter uma idéia da dimensão dessa ofensiva assassina, basta lembrar quem, de abril de 1973 a janeiro de 1976, vinte militantes do partido foram mortos pela ditadura, principalmente dirigentes, os últimos dos quais Wladimir Herzog e Manoel Fiel Filho. Quem pretender detalhes da Operação Radar pode ler o livro Dos Filhos deste Solo - Mortos e desaparecidos Políticos durante a Ditadura Militar, de autoria do ex-Secretário Especial de Direitos Humanos do Governo Lula, Nilmário Miranda, e do jornalista Carlos Tïbúrcio.

Assim, descarte-se desde logo a tentação de dar a Geisel o benefício de alguma atitude benevolente com a esquerda ou credenciá-lo sob qualquer perspectiva democrática ou humanizadora. A chamada distensão lenta e gradual deixou um longo rastro de sangue, que ninguém se esqueça. A Operação Radar chegou à Bahia no dia 4 de julho de 1975.

Aproximadamente 80 militantes, dirigentes e simpatizantes do PCB foram presos entre os quais Sérgio Santana, então vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB); seu irmão Marcelo Santana, da Ala Jovem do MDB; Heitor Casaes e Silva, funcionário da FAO; Sebastião Amaral do Couto, operário; Marco Antônio da Rocha Medeiros, diretor do Clube de Engenharia da Bahia; José Ivan Dantas Pugliesi e Carlos Marighella, operários; Roberto Argolo, professor de física da Universidade Federal da Bahia; Albérico Bouzon, economista; Winston Carvalho, assessor do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem da Bahia (Derba); Ieda Santana, também assessora do Derba; Maria Lúcia Carvalho, economista, e Paulino Vieira, relojoeiro de profissão e tradicional dirigente do PCB. Todos esses e mais Luís Contreiras, que também foi preso nesse dia, foram condenados em julgamento realizado em 1976.

O dia 4 de julho de 1975, uma sexta-feira, nunca será esquecido por Contreiras. Era final de tarde. Estava chegando ao escritório, á rua Guindaste dos Padres, na Cidade Baixa.

- O senhor é Luís Contreiras?

- Sou eu mesmo - respondeu a três homens que o abordaram.

- O senhor está convidado a ir conosco à Polícia Federal.

- Mas eu não tenho nada a fazer na Polícia Federal - disse, já intuindo do que se tratava.

- Tem sim. O senhor está envolvido com tóxicos.

E foi brutalmente algemado, jogado dentro de um táxi e encapuzado. Pelo rádio, um dos policiais informou:

- Passarinho no alçapão.

Quando o carro parou, ele foi conduzido não sabe para onde, ainda encapuzado. Logo que lhe tiraram o capuz, um sargento do Exército arrancou a pasta que carregava. E um outro militar foi logo tentando tirar-lhe a roupa, procedimento usual da fase pré-tortura. Contreiras reagiu instintivamente e deu-lhe um violento pontapé, atingindo-o em ponto sensível, deixando-o sem ação. Foi subjugado por vários outros. Tiraram-lhe a roupa, deram-lhe um macacão e uma sandália havaiana. Soube mais tarde: estava no Quartel de Amaralina.

À noite, foi jogado dentro de um camburão. Sacolejando, viajou por mais de duas horas. Saberá mais tarde que fora levado para Alagoinhas, no local conhecido como Fazendinha, centro de torturas, que ele acredita ser o atual Quartel da Polícia Militar daquele município. Foi recebido pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais notórios e cruéis torturadores da Operação Bandeirantes, de São Paulo. Ustra gritava histericamente:

- Você vai falar de qualquer jeito, seu filho da puta!

Contreiras tinha medo e nojo, mais nojo do que medo.

- Você vai falar no pau!

E os carrascos já lhe batiam, com toda a violência que podiam.

- Comunista comigo é na porrada! - gritava Ustra.

Até ali não vê nada. O capuz impede. Ouve e apanha. Depois de muito apanhar, ouve uma voz familiar, dialogando com os militares. Tem certeza de que conhece a voz. Tiram o capuz e ele reconhece Venceslau Oliveira Morais, dirigente nacional do PCB, sentado ao seu lado:

- Contreiras, você está fazendo bobagem. Nós perdemos essa batalha.


Novamente Contreiras não se controla: cospe na cara de Morais, revoltado pelo fato de seu ex-companheiro estar colaborando com a repressão política. O colaborador...

* Jornalista, autor de As asas invisíveis do padre Renzo, de Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento (1º volume), de Lamarca, o Capitão da Guerrilha e de Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar. É Deputado Estadual na Bahia pelo Partido dos Trabalhadores (PT/BA). Site: http://www.emilianojose.com.br

 
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