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Civismo em Desuso

11.09.2006 | Fonte de informações:

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Em tempos recentes, verifica-se que eventos como o 7 de setembro venham perdendo cada vez mais o apelo cívico. A história do Brasil contribue para tanto, além disso, está o fato de que o Brasil não tem uma identidade étnica verdadeira em face de ser o país onde a miscigenação foi mais efetiva. Associado a isto há o fato de não haver nas escolas sessões cívicas, para que as crianças adquiram o hábito de respeitar a bandeira e o hino e amar seu país.

O regime militar foi positivo em muito poucos aspectos como o crescimento econômico no governo Médici que superou em muito os 2,5 por cento atingidos em 2005; o Pro-Alcool lançado no governo Geisel, no entanto, não se esquecendo os milhares de mortos e torturados, havia um civismo em um nível bem elevado, por parte dos militares que queriam fazer sentir sua presença e por parte daqueles que buscavam a derrubada do regime. Havia sessão cívica nas escolas onde se ouvia o hino em posição de sentido, hasteava-se a bandeira e a foto do presidente em cada repartição pública.

A propósito, é positivo que tal lei tenha caído em desuso, pois além do custo da produção das fotografias, para os que não fossem partidários do presidente, seria muito desagradável ter de fita-lo todos os dias. O falecido primo de Fernando Collor de Mello, José Maria de Mello Porto quando era presidente do Tribunal do Trabalho, fazia questão de cumprir a lei e colocar a foto de seu primo-presidente no gabinete.

Os militares jamais permitiriam, por exemplo, que em um evento esportivo de grande audiência como os jogos da seleção brasileira, o hino nacional fosse interpretado em ritmo de axé music, nos moldes de como ocorre nos Estados Unidos. Se acaso o hino nacional fosse executado em um serviço de som do estádio, como ocorre na Copa do Mundo, não seria como nos EUA. È por estas e outras razões que o civismo está em baixa.

A história da independência, também não colabora para que haja um civismo mais exacerbado, pois a independência do Brasil não foi conquistada com lutas. Não podemos nos orgulhar de ter um Simon Bolivar ou um Jose de San Martin na história. Temos, no entanto, Dom Pedro I, um português, protagonista do “Grito do Ipiranga” que muitos historiadores recusam-se a ratificar e que, provavelmente,, somente tenha existido na pintura épica de Pedro Américo., mas os historiadores não negam a condição que Portugal impôs para reconhecer a independência do Brasil que foi a de o país assumisse sua dívida com a Inglaterra. Portugal permitiu que Dom Pedro declarasse a “independência ou morte”, porque a colônia não produzia mais ouro, somente problemas. O Brasil servia também, como a Guiana Francesa, para o envio de criminosos e degredados.

Um outro tópico da nossa história que não colabora para o civismo é a escolha do mártir da independência. O alferes Joaquim José da Silva Xavier que tem até um dia dedicado a sua pessoa, não foi morto lutando, mas conspirando ao contrário de muitos anônimos. Manuel Beckman também foi enforcado, mas isto foi no Maranhão, alem disso, homenagear alguém que nem tem um nome brasileiro, não seria correto.

Tiradentes foi preparado para ser mártir, eis que a imagem que está nos livros de história é similar a de Jesus Cristo com aqueles longos cabelos negros e a célebre frase; “Se dez vidas eu tivesse, eu as darei”, No entanto há historiadores que podem garantir que a frase verdadeira é: “Se mil vidas eu tivesse, mil vidas eu daria pela liberdade”. Se são dez ou mil vidas, há nomes mais valorosos que merecem carregar o título de “Má rir da Independência”

O presidente Lula declarou que o Brasil não deve exportar somente soja, mas deve exportar inteligência, mas o Brasil exporta também, este item. As maiores mentes do Brasil que não encontram neste país, o apoio necessário, estão agora demonstrando suas habilidades em países que valorizam as grandes inteligências, pois têm formação cultural para tanto. Os povos destes países, em ista desta formação, sentem orgulho de sua origem, diferentemente do que ocorre no Brasil, pois desde o fim do regime militar, o povo brasileiro não tem tido motivos para se orgulhar. Talvez haja um motivo: a seleção brasileira de futebol, pois, somente quando a seleção está disputando a Copa do Mundo, para muitos brasileiros, é a única vez em que se veste verde e amarelo, agita-se bandeiras brasileiras e até mesmo canta-se o hino nacional.

O lema dos militares era: “Brasil – ame-o ou deixe-o” Hoje em dia, a segunda opção talvez seja a melhor.

Jose Schettini, Petrópolis, BRASIL

 
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