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Irã, EUA, Rússia e China: a verdadeira história

11.03.2015 | Fonte de informações:

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4/3/2015, Pepe Escobar, Sputnik

http://sputniknews.com/columnists/20150304/1019034435.html#ixzz3TVqJBpkd



A verdadeira história nunca teve coisa alguma a ver com o primeiro-ministro de Israel, doente-por-guerras, Bibi Netanyahu, líder estrangeiro que se serviu violentamente do Castelo de Cartas (House of Cards), desculpem, do Capitólio, nos EUA, como palancão de campanha de reeleição e para enquadrar a presidência e a política externa dos EUA.

Prova muito clara disso é que, enquanto, em Washington, Bibi "Bombardeie o Irã destilava aquela arenga de 39 minutos, em Montreux o secretário de Estado dos EUA John Kerry e o ministro de Relações Exteriores do Irã Javad Zarif trabalhavam na terceira rodada de negociações nucleares. 

A verdadeira história é também em parte sobre esse novelão perene - o dossiê nuclear iraniano. Mas ao final do corrente mês há um prazo a ser cumprido para um primeiro arranjo; e em junho - com otimismo - um acordo final amplo.

O que está em jogo nesse mais alto nível é coisa que todos os principais jogadores já sabem há eras. Teerã não assinará acordo algum que não ponha fim ao imundo, ilegal pacote de sanções ainda vigentes. E Washington, inspirada sempre pela política de "Não faça nenhuma merda coisa estúpida" do governo Obama, só faz puxar as traves do gol, de um lado para o outro, ao longo das negociações. 

A mais recente 'ideia' de Obama foi 'exigir' que o Irã suspenda toda a atividade nuclear por dez anos. Para Zarif, a coisa é "ilógica" e "excessiva".

É. Tão ilógica quando a paranoia que é marca registrada da cesta de neoconservadores e extremistas de direita no governo dos EUA. Comparem-se a reação dos norte-americanos e o modo como o líder supremo do Irã, Aiatolá Khamenei considera o poder nuclear - com todas as implicações que tem; e é posição divulgada há eras, para todos verem.

China, Rússia e o Plano B

Diferente do regime Cheney, o governo Obama parece ter chegado a uma conclusão lógica - induzida por horas e horas que o Pentágono perde de joystick na mão: Washington não pode destruir o sistema nuclear iraniano - a não ser que use armas nucleares.

Ao longo da maior parte da década passada, esse foi o Plano A. Plano B são as "negociações" que nunca terminam, que se resumem a aparecer sempre com várias limitações ao programa nuclear iraniano em troca de um sempre muito duvidoso fim das sanções.

De fato, o verdadeiro objetivo dos Masters of the Universe que controlam o teatro de sombras no eixo Washington/Wall Street é administrar o declínio imperial. Implica, no sudeste da Ásia, uma nova sessão de "Dividir para Governar", dessa vez com Turquia, Irã, Arábia Saudita e Israel nos papeis principais.

Alguns jogadores-chave em Washington estão ficando cada dia mais impacientes com a Casa de Saud - a qual, com sua estratégia de baixo preço do petróleo, está bombardeando a indústria de petróleo de xisto dos EUA. Outros se preocupam por a Turquia - depois de negócio-monstro no Oleogasodutostão, o Ramo Turco - estar-se deslocando para mais perto da Rússia. Assim, enquanto não for fechada, a opção de reintegrar o Irã numa colaboração com o ocidente, continua a render negócios lucrativos para empresas norte-americanas.

Mas Rússia e China tampouco estão sentadas vendo a vida passar: lá estão, como parte importante do grupo P5+1 que negocia com os especialistas e autoridades do Irã. Os dois países BRICS podem usar - e usam - o Irã como alavanca no modo como negociam com o hegemon, sempre encontrando vias pelas quais minar o "pivoteamento para a Ásia", dos EUA. 

Tão logo estejam normalizadas as relações com o Irã, Teerã será admitida à Organização de Cooperação de Xangai [Shanghai Cooperation Organization (SCO)]; atualmente, o Irã participa como observador. Washington teme esse movimento - porque acelera a integração eurasiana do Irã, e dá firmeza a um eixo político/comercial Moscou-Teerã-Pequim.   

A Rússia já mantém bons negócios com o Irã - de usinas nucleares à venda de armas. Nenhum acerto EUA-Irã acontecerá tem aquiescência tácita (no mínimo) dos russos - e os norte-americanos sabem disso. Pequim, por sua vez, tende a firmar-se no status quo. A China não quer Teerã muito mais próxima do ocidente, porque implicaria um hegemon muito mais 'solto' no movimento de "pivotear-se" para a Ásia. A China corretamente vê o Irã numa função de conter o 'ocidente'.

No futuro, passos adiante, nessa estrada, Teerã pode usar essa alguma 'reaproximação' com o ocidente, para aumentar seu poder de barganha com Pequim. Se algum acordo for obtido nesse verão, Teerã estará numa excelente posição para extrair concessões - na economia, segurança, defesa - de seus parceiros chineses. Mas em todos os casos o nome do jogo sempre é integração eurasiana. 

O Califato, "nossos" filhos-da-puta 

Quanto ao vociferante Bibi, só lhe restou mais uma vez tentar vender a Washington a escolha de uma guerra israelense contra um Irã demonizado ensandecidamente. Não funcionou - mais essa tentativa de os suspeitos de sempre, o lobby organizado noAIPAC, ordenarem, sem meias palavras, que suas tropas de choque dissessem ao Castelo de Cartas [House of Cards], digo, ao Congresso dos EUA, que guerra é paz, e acordo nuclear é acordo com o demônio em pessoa. 

Como escreveu Trita Parsi, para Bibi, a verdadeira "ameaça existencial" é a paz.

Mais uma vez, também aqui a história verdadeira não é algum Irã nuclear; é a possibilidade de uma détente EUA-Irã; nesse caso, as garras de Israel sobre a política exterior dos EUA enfraquecem, deixam de ser garras de ferro.

Como se poderia prever, Bibi esbravejou furiosamente contra aquelas forças do mal que pululam em sua "vizinhança", de Irã e "Líbano" (falava do Hezbollah), à Síria de Assad e ao Hamas. Mas... nem uma palavra contra ISIS/ISIL/Daesh. É como declarar que um Irã não nuclear é ameaça pior à civilização que o Califato fake, viciado em degolas. Esposando tal visão de mundo, Bibi não pode aspirar nem a extra no seriado House of Cards [Castelo de Cartas] - agora no Netflix. 

Enquanto isso, a verdadeira história de Israel - o apartheid/ocupação ilegal imposto aos palestinos - prossegue, ocultada pelo cacarejo daqueles sonâmbulos que circulam naHouse of Cards, desculpem, no Senado dos EUA, que Bibi bombardeou até deixar em ruínas. ******

 


* "-- [Netanyahu] quer ME matar, Yossarian disse calmamente. 
   -- Ninguém quer 

 
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