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EUA envia lobista do petróleo para negociar transição no Egito

10.02.2011 | Fonte de informações:

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Wladmir Coelho

O presidente Obama enviou ao Egito o conhecido lobista da indústria
petrolífera, ex- vice-presidente da American International Group
(AIG), Frank Wisner Jr., para negociar a transição da ditadura a
democracia. O presidente Obama deve ter levado em consideração, além
do fator de proximidade do negociador escolhido com a indústria
energética e intima relação com o mercado financeiro considerando-se o
papel da AIG como principal seguradora dos antigos "títulos tóxicos"
da crise imobiliária, a tradição da família Wisner em negociar a
"transição para a democracia" em países produtores de petróleo.


       Frank Wisner (pai) foi o administrador da Operação Ajax que resultou
na queda do governo Mossadegh no Irã em 1953. Wisner pai controlou os
recursos financeiros do golpe plantando mentiras na imprensa,
subornando militares e religiosos. O crime de Mohammad Mossadegh
contra a democracia foi nacionalizar a produção petrolífera iraniana
controlada desde o inicio do século XX por uma empresa inglesa a
British Petroleum (BP). Após o golpe elaborado nos porões da CIA a
transição para a democracia levou ao poder um monarca, Mohammad Reza
Pahlavi, que governou até a revolução islâmica.


       Pahlavi, seguindo o entendimento de democracia para os EUA, tratou de
anular a legislação nacionalista de Mossadegh, mas em nome da livre
concorrência não permitiu o monopólio da BP autorizando a presença de
empresas dos EUA em território iraniano.


       Frank Wisner Jr., seguindo os passos do pai, foi funcionário do
governo dos EUA durante 36 anos atuando como embaixador em diferentes
países e ao aposentar-se nos anos 90 assumiu a condição de conselheiro
da Enron, naquele momento, Enron Petróleo e Gás. A partir de 1999
Wisner Jr. assumiu também a condição de Conselheiro Administrativo da
EOG Resources oil and gas, empresa desmembrada da Enron, possuindo
esta subsidiarias em diferentes pontos do planeta incluindo o Egito.


       Antes de assumir a condição de conselheiro da Enron Wisner Jr. ficou
conhecido por ampliar os negócios deste antigo conglomerado nos países
onde atuou como embaixador destacando-se o contrato para administração
de usinas na Índia avaliado em 2 bilhões de dólares. No Egito sua
presença rendeu, além dos ganhos culturais e aprofundamento dos
estudos em história antiga, a condição de lobista do país do Nilo e
das pirâmides, devidamente registrado, junto ao governo dos EUA.


       Também foi o Escritório de Wisner Jr. o responsável por oferecer
consultoria ao governo do ditador Mubarak durante as privatizações das
empresas siderúrgicas e preciosos conselhos durante a elaboração do
novo marco regulatório daquele país quando a empresa petrolífera
estatal tornou-se responsável por comercializar o óleo entregue em
pagamento graças ao moderno e avançado contrato de partilha da
produção. No Egito a empresa oficial atua nos blocos na condição de
operadora.


       Os negócios de Wisner Jr. no Egito também incluem sua participação no
Conselho Administrativo do Commercial International Bank instituição
egípcia voltada para o financiamento e administração das grandes
fortunas locais. Adivinhem uma família egípcia com grandes interesses
nos serviços do Commercial International Bank.


       A revolta no Egito iniciou-se entre a população jovem, pobre e
desempregada aspecto revelador da falência do modelo neoliberal.  As
elites econômicas assustadas tentam encontrar uma saída honrosa para o
seu protetor Mubarak traduzida em manutenção de seus privilégios e
recebem dos EUA, como negociador da transição política, um protetor e
profundo conhecedor de seus interesses financeiros, aliás, os mesmos
do enviado estadunidense.


       Para tranqüilizar seus clientes internos e externos Wisner Jr. foi
logo afirmando ao desembarcar no Egito que a transição ordenada não
significa a saída de Mubarak do governo. Naturalmente não implicando
esta declaração a manutenção do poder nas mãos do ditador. A crise nas
ruas enfraqueceu Mubarak e poderia levar junto o modelo econômico.


       A solução dos donos do poder foi a manutenção de Mubarak no palácio
associada à elevação do homem de confiança dos EUA e antigo chefe do
serviço secreto, Omar Suleiman, a condição de vice-presidente e
responsável por negociar com os membros da oposição as reformas
políticas e manutenção da ordem. Principalmente a ordem econômica.


       Imediatamente Suleiman ganhou a imagem de homem sério e lúcido na
imprensa internacional algo semelhante ao ministério "ético" do
presidente Collor no Brasil responsável por uma transição responsável
por manter os interesses do capital financeiro.


       A rebelião dos jovens pobres e desempregados do Egito seria
encerrada, dependendo dos EUA e elite local, considerando-se um acordo
para promoção de reformas incluindo a liberdade de imprensa, anistia e
realização de eleições livres. Naturalmente o próximo governo,
seguindo este cenário, deverá comprometer-se para a manutenção do
modelo econômico talvez amenizado a partir da introdução de políticas
compensatórias para a população mais pobre. Esta seria a solução ideal
para os interesses geopolíticos dos EUA na região norte da África e
Oriente Médio. Mubarak assim poderia curtir sua aposentadoria e seu
filho retomaria sua função de banqueiro na Inglaterra. Ficariam os
anéis e os dedos.

 

 
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