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No Brasil, 17 policiais militares da 'máfia do guincho' são presos

08.12.2011 | Fonte de informações:

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Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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No Brasil, 17 policiais militares da 'máfia do guincho' são presos. 16078.jpegSÃO PAULO/BRASIL - Em São Paulo, Sudeste do Brasil, 17 policiais militares foram presos acusados de pertencerem à 'máfia do guincho', suspeitos de receber 'comissão' por carro rebocado em estradas do interior do Estado. As denúncias levaram a uma operação na região de Franca, interior do Estado de São Paulo, que resultou na prisão de 17 policiais 3.º Batalhão de Polícia Rodoviária (3.º BPRv) suspeitos de receber das empresas de guincho uma comissão para cada carro rebocado na região.

As denúncias contra o grupo de policiais militares da 'máfia do guincho' surgiram há três meses. As empresas de guincho pagariam aos policiais para intensificar a apreensão de veículos nas rodovias da região. Neste ano, o pátio de recolhimento de veículos foi transferido de Franca para Ituverava, a cerca de 50 km de distância. Desde então, motoristas passaram a reclamar que a fiscalização nas rodovias estaria sendo muito rígida e o custo do guincho, elevado, sem contar a burocracia e os gastos depois para liberar o veículo apreendido.

O motorista de um caminhão, que pediu para não ser identificado, contou ao Estado que teve seu veículo recolhido por um problema que normalmente é resolvido no próprio local, sem a necessidade da apreensão. Ele conta que gastou mais de R$ 1.500 entre guincho, estadia e taxas para ter o veículo de volta. Escutas telefônicas da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo teriam confirmado que os policiais recebiam dos guincheiros um porcentual sobre o valor recebido pelo serviço de reboque. Os PMs acusados pertencem ao 3.º Batalhão de Polícia Rodoviária (3.º BPRv).

O pelotão do 3º BPRv de Franca viu seu efetivo em atividade cair de 22 para apenas 5 homens. Para suprir a ausência desses policiais, estão sendo deslocados para a região integrantes de outros pelotões. O comando da Polícia Militar informou que abriu inquérito para apurar o caso. "Demais dados serão fornecidos oportunamente, para não atrapalhar as investigações."

Para prender os suspeitos a Corregedoria solicitou a presença deles em um falso curso, que serviu para que se reunissem, facilitando a detenção. Os demais foram presos em casa. Todos foram detidos por cinco dias para esclarecimentos. Três dos policiais militares tinham munições irregulares e também foram acusados de porte ilegal de munição. Os policiais detidos são das cidades de Franca, Brodowski, Pedregulho, Ituverava e Orlândia - entre eles estão um sargento e dois cabos.

Defesa. O advogado dos policiais, Bruno Aguiar, contou que está acompanhando o caso e que ainda não entrou com recurso em favor de seus clientes porque eles foram detidos de forma administrativa. "Ainda não cabe defesa, mas estou acompanhando o desenrolar do caso."  Entre os indícios contra os acusados haveria o caso de um policial que fazia duas apreensões de veículos por dia e passou a fazer mais de dez. Também são apuradas outras denúncias, como a de que o guincho recolhia vários veículos de uma vez, mas não dividia o preço, cobrando o valor total de todos (de R$ 350 a R$ 700 por veículo).

O pátio que recebe os veículos apreendidos na região é particular e fica em Ituverava, enquanto não é inaugurado um novo do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em Franca. Prometido para setembro, até hoje não foi entregue.

A única empresa de guincho autorizada para o transporte de veículos recolhidos é de Ituverava, mas teria terceirizado o serviço a outras duas companhias de Franca. O novo pátio de veículos será no km 43 da Rodovia Fábio Talarico. Ele tem cerca de 20 mil m² e capacidade para 1.200 veículos. A data de inauguração ainda não foi informada.

 

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU

 
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