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Filho de Sarney é pego com dólares em paraíso fiscal sem declarar

08.03.2010 | Fonte de informações:

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Sob a alça de mira da Receita e Polícia Federal, o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Congresso Nacional Brasileiro, senador José Sarney, foi apanhado com a mão na massa pelo Governo da China, que informou ao Governo Brasileiro a movimentação de uma conta dele em um paraíso fiscal no Caribe.

A denúncia é da Folha de São Paulo, que revelou o enviou de US$ 1 Milhão feito por Fernando Sarney para uma agência do Banco HSBC na China, sem declaração à Receita Federal. Autoridades chinesas disseram que o próprio Fernando Sarney opera a conta por ser a pessoa que cuida dos negócios da família Sarney.

O Ministério da Justiça do Governo do Brasil recebeu a informação do Governo da China que o empresário Fernando Sarney “opera pessoalmente uma conta bancária em um paraíso fiscal em nome de uma empresa offshore com sede no Caribe”.

Segundo a reportagem, o governo brasileiro está de posse de documentos que comprovam que “o filho do senador José Sarney movimentou dinheiro no exterior sem declará-lo à Receita Federal”.

Em 2008, Fernando Sarney teria assinado pessoalmente a autorização de uma transferência de US$ 1 milhão para uma agência do banco HSBC em Qingdao, na China.

Manter dinheiro no exterior sem informar à Receita Federal pode ser considerado resultado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A Receita e a Polícia Federal investigam as empresas da família do senador José Sarney, que vão desde emissoras de rádio e TV a shopping center, sob acusação de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A operação Boi Barrica, da Polícia Federal, rebatizada de operação Faktor, indiciou Fernando Sarney por formação de quadrilha, gestão irregular de instituição financeira, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, mas ele nega, de joelhos e mãos postas para os céus, as acusações existentes contra ele e as empresas da família.

A Faktor está de olho nas remessas de dinheiro para a China. Em 2009, Fernando Sarney negou a movimentação de dinheiro para a China, mas um laudo do governo chinês desmentiu a história contada por Fernando Sarney.

A transferência de US$ 1 Milhão para a agência do HSBC na China, autorizada pelo próprio Fernando Sarney, foi rastreada pelas autoridades chinesas, que confirmaram ter sido depositada em uma conta da Prestige Cycle Parts & Accessories Limited, conforme ordem bancária.

Conforme noticiado em 2009, as empresas da família Sarney passam por uma devassa da Receita Federal, iniciada a partir por uma operação da Polícia Federal. Auditores federais encontraram indícios de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal interceptou e-mails de Fernando Sarney, familiares e amigos. Em vários desses e-mails havia referências ao envio de US$ 1 milhão para a China. Em um desses e-mails, entre Ana Clara e Teresa Sarney, filha e mulher de Fernando Sarney, a Polícia Federal pegou a autorização assinada por ele.

A polícia descobriu, também, indícios de que Fernando Sarney contava com a ajuda do empresário Gianfranco Perasso para operar contas no exterior em seu nome. Perasso é apontado como homem do esquema comandado por Fernando que teria desviado dinheiro de obras e projetos do governo federal.

ANTONIO CARLOS LACERDA

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