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O espanador ou a ida de Marcelo ao Brasil

08.01.2019 | Fonte de informações:

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O espanador ou a ida de Marcelo ao Brasil


1 - Intróito

Um espanador é uma apetrecho doméstico que sacode o pó de um local, espalhando-o para as suas imediações. Isto é, não limpa nada, não serve para nada. 

2 - Marcelo no Brasil

Marcelo tinha de ir ao Brasil, mesmo sozinho, sem a companhia de qualquer outro chefe de estado da UE, quebrando assim o tradicional e servil alinhamento face ao resto da turma. Desta vez, Marcelo tinha uma razão forte, tocante mesmo, ao contrário das habituais razões fracas que consubstanciam as suas inúmeras deslocações.

Marcelo tinha de ir ao Brasil para pagar uma dívida!

É que...foram os militares da ditadura brasileira que durou até 1985 que acolheram nos braços o outro Marcelo, padrinho deste Marcelo. E isso o Marcelo atual não terá esquecido. Comovedor.

Marcelo no Brasil teria de falar sobre qualquer coisa e, brilhantemente, lembrou-se que a CPLP existe, para justificar a viagem. E levava preparadas duas horas de discurso para sensibilizar Bolsonaro sobre a CPLP.

Não se sabe é se Bolsonaro sabe o que é a CPLP; ou, se tão focado que anda na deslocação da embaixada brasileira para Jerusalém, não terá feito confusão entre CPLP e OLP. E não obteria esclarecimentos dos seus ilustrados ministros...

Mal Marcelo começou a explicar a diferença, Bolsonaro já estava a dizer "Nexti" para atender outro notável, alguém que estava na fila para lhe prestar a devida vénia.

3 - Mais uma volta, mais uma viagem!

Se não fosse ao Brasil Marcelo tinha de ir a algum lado para preencher um buraco na agenda, coisa que ele não admite possa existir. E teria colocado os seus assessores, a fazerem serão, a vasculhar no mapa mais locais para a veneranda figura ir, com um bolo de vacuidades polvilhado de beijos e abraços.

Quando os assessores não descortinam convites, Marcelo inventa um local e convida-se a si próprio, sabendo que terá um cortejo de jornalistas e cameramen atrás dele.

É uma verdade incómoda para o regime pós-fascista que se diga que a figura do PR é uma reminiscência monárquica e que não serve para coisa alguma de substantivo; e que se mantém 109 anos depois do fim da monarquia!

 

5/1/2019

 

 

B - CONHECEM  O  FERRA(BRAZ)  DA  COSTA?

 

  • É um homem coerente, pois já era ultra-reacionário quando estudante, antes de 25A e, continuou a sê-lo mas acrescentando o ressaibo, a saudade dos bons tempos do fascismo. Como primeiro líder da CIP, representou o entulho empresarial português cuja caraterística, única na Europa, é ser aquele que apresenta menos habilitações do que os trabalhadores. Daí a aposta no baixo salário, no baixo investimento (excepto quanto a carros de luxo, como bons saloios) e a baixa produtividade... de onde resulta ser Portugal o país mais atrasado da Europa Ocidental;

 

      Fala pouco mas diz sempre barbaridades. Na Europa há muitos países com horários inferiores a 35 h e que não são ricos - Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Hungria, Rep. Checa, Roménia e Croácia.

 

  • Um patrãozeco português paga anualmente 25709 (pps) contra uma média europeia de 36221 e, 35919 em Espanha ou 49711 na Bélgica, por exemplo... onde até se trabalham menos horas. Se em Portugal o trabalho é mais barato e para jornadas de trabalho superiores é porque o empresariato é um conjunto de incapazes, rascas geradores de subdesenvolvimento.

 

  • Não diz o Ferra(brazque, segundo inquérito da Deco, 42% dos trabalhadores trabalha mais de 40h/semana; e que 64% do total não recebe pelas horas extraordinárias. Nem diz que o patronato - em conluio com os governos - deve de contribuições para a Seg Social, o equivalente a 12 meses do total das pensões... coisa inconcebível na Europa civilizada.

 

Se houvesse uma imprensa decente, tê-lo-iam confrontado com estas questões, não?

 

3/1/2019

 

 

C - A  PROPÓSITO  DOS  20  ANOS  DO  EURO

 

1.     A UE tem sido uma união de oligarquias nacionais, de estados-nação desiguais e que se desenvolveu numa tentativa de fuga a uma grande subalternidade face ao poder dos EUA no pós-guerra. Tanto a Comissão Europeia como as oligarquias nacionais estão ao serviço do sistema financeiro global, das multinacionais, dos grandes grupos nacionais, numa consolidada rede de compadrio e corrupção nas quais brilham os gangs partidários locais. 

 

2.     Ninguém pense que a UE alguma vez vai ser democrática tal como o não são os estados-nação componentes. Para que o sistema se vá reproduzindo, tem de disfarçar o seu caráter oligárquico através de uma coisa designada "democracia representativa" protagonizada por partidos de poder e outros - uns mais à direita, outros menos à direita - todos alegres convivas na mesa do respetivo orçamento. Democracia não é possível em capitalismo.

 

3.     Há 20 anos - que se cumprem a 1/1/2019 - surgiu o euro como elemento facilitador de trocas e da movimentação de capitais e gerador de maior entrosamento entre os estados-nação. 

 

4.     A maioria dos portugueses, como a maioria dos europeus não vive satisfeita com a UE; mas ou consideram-na como um mal menor ou anseiam um encerramento nacionalista com cheiro a fascismo. Em Portugal, mais precisamente, há saudosos do império colonial e os incapazes de perceber o declínio dos estados-nação, mormente pequenos e médios, numa era de globalização de mercados, de entrosamento de ideias, culturas e corpos. 

 

5.     A questão que hoje, se deve colocar é que o desastre teria sido muito maior sem o euro. Vejamos porquê:

 

  • Portugal não tem um empresariato dinâmico. Hoje, como no tempo de Salazar, os ditos empresários vivem encostados ao favor público, pago através da corrupção da classe política que, hoje, faz a intermediação com Bruxelas; 
  • Grande parte desse empresariato subsiste instalado na economia paralela, no não pagamento à Segurança Social, cujo valor acumulado corresponde a um ano de pensões;
  • O sistema financeiro que numa economia capitalista procede á coesão do tecido empresarial é, em Portugal, dominado por capitais estrangeiros. Os ciclos económicos ancoram-se, ao sabor da entrada de fundos europeus ou, mais recentemente, em bolhas imobiliárias, cujo final nunca é feliz. Entretanto gerou-se uma dívida pública eterna que onera, em média, cada pessoa com 800 euros anuais de encargos; 
  • Portugal, em pleno século XXI é visto como um território ao lado da Espanha. A subserviência histórica para com a Inglaterra esboroou-se com a substituição daquela pelas relações com Espanha, Alemanha, França ou Itália;
  • Portugal tem o mais baixo perfil educativo da Europa e mantém há décadas reestruturações inacabadas do aparelho e conflitos eternos com os professores, ao mesmo tempo financia grupos privados e pseudo-universidades que por regra, revelam atividades criminosas;
  • Portugal tem uma situação periférica, na Europa e na Península com níveis salariais idênticos aos da Europa de Leste; e incompatíveis com os níveis da punção fiscal. Desde 2010 a receita de IRS e de IVA aumentou 44% contra cerca de 2% para os rendimentos do trabalho;

6       Uma saída do euro e/ou da UE - como defendem nacionalistas dementes ou ignorantes, de direita ou de "esquerda", corresponderia a:

 

  • Maiores dificuldades na colocação de exportações (o caso da Grã-Bretanha será exemplar se o Brexit se verificar) e acesso a capitais. Teria efeitos desastrosos no refinanciamento da dívida, com juros mais elevados;
  • A existência de moeda própria produziria inflação. A inflação promoveria a exigência de aumentos salariais, com a repressão a dar asas a dirigentes sindicais amarelados, vocacionados para garantir à cacetada, a competitividade do já referido empresariato nacional, "nosso"; 
  • Formar-se-ia um mercado paralelo em moeda forte (euro, porventura) como acontece nas periferias africanas, europeias e do Médio Oriente; e uma segmentação da população entre os que tivessem acesso ou não a moeda forte;

No final do século XIX Eça dizia que Portugal era um sítio, mais relevante do que a Lapónia que nem sítio era. 

 

O autor destas linhas costuma dizer que Portugal é, no século XXI, um corredor atravessado pelas redes das multinacionais e do capital mafioso.

 

Quanto à Europa, é preciso criar uma União dos Povos da Europa, sem capitalismo, sem classes políticas ou exércitos. E com democracia, com decisões tomadas diretamente pelas pessoas.

 

1/1/2019

Ler o iriginal e versão completa

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/01/textos-de-circunstancia-1.html

 

 
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