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Operação Lava Jato na Lama. Guerra Suja contra a Esquerda

04.08.2019 | Fonte de informações:

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Operação Lava Jato na Lama. Guerra Suja contra a Esquerda

Enquanto a direita brasileira impôe ao país sul-americano uma grave regressão, The Intercept revela que sua ferramenta para retomar o poder através do sistema de Justiça, especialmente prendendo Lula da Silva, é tão repugnante quanto a nação de Bolsonaro nos tempos atuais. "Simplesmente não consigo acreditar no que está acontecendo no Brasil", diz Noam Chomsky exclusivamente para Edu Montesanti, do Pravda

por Edu Montesanti

originalmente em ingles, em Pravda Report

A denominada Operação Lava Jato, desde 2014 alardeada pela grande mídia, nacional e internacionalmente, como uma limpeza do Brasil da corrupção, tornou-se outro exemplo do grande serviço à verdade e democracia por parte das mídias alternativas, desde o início denunciando - enfrentando ira e todo tipo de agressões - o nojento desserviço dos patéticos "heróis" da fajuta Força-Farefa, ideólogos clandestinos de direita, disfarçados de aplicadores da lei apolíticos. Perpetradores de uma guerra jurídica (lawfare) evidente por si só, desde o início... do Mensalão.

Glenn Greenwald de The Intercept tem revelado, ou confirmou levando-se em conta nossas denúncias exaustivas nos últimos cinco anos, delitos graves, comportamento antiético e fraude sistemática por parte dos promotores da Lava Jato liderados pelo aqueroso promotor-chefe "gospel" Deltan Dallagnol, que supervisionou o ex-presidente Luiz Inácio. A acusação de Lula da Silva, juntamente com o então travestido "juiz" Sérgio Moro, agora ministro da Justiça do presidente de extrema-direita brasileiro Jair Bolsonaro, eleito em outubro passado com base em notícias falsas e uma campanha de profundo ódio. - fortemente apoiado pela grande mídia local.

Lula da Silva foi condenado por Moro a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, em julho de 2017, condenado por se beneficiar de reformas em um apartamento à beira-mar, ambos pagos pela construtora OAS como contrapartida de alguns contratos que ajudou a empresa a obter. Algo sem nenhuma prova, mas baseado pelos super-herois das classes mais abastadas tupiniquins em uma reportagem desencontrada do jornaleco O Globo, cujo lixo se contradiz em uma mesma publicação.

Vale lembrar que a exclusão de Lula da eleição, com base na constatação de culpa de Moro quando Dallagnol confidenciou ao juiz suas crescentes dúvidas sobre dois elementos-chave do caso da promotoria, foi um episódio-chave que abriu o caminho para a vitória de Bolsonaro. Assim que este oficial militar aposentado assumiu a Presidência, ele nomeou Moro como seu "super-ministro" de Justiça e Segurança Pública

"Acredito que o governo dos EUA influenciou, pelo menos tacitamente, o resultado das recentes eleições nacionais do Brasil", disse o denunciante e ex-agente da CIA John Kiriakou, co-apresentador do programa de Loud and Clear da rádio Sputnik International, a Edu Montesanti, de Pravda

Um bem conhecido sistema brasileiro de "Justiça" composto principalmente pelas mesmas famílias elitistas brancas ao longo dos anos, profundamente corrompido, uma sólida casta secretamente treinada pelo regime de Washington segundo revelada anos atrás por WikiLeaks (Moro incluído em tais cursinhos jurídicos, baseados nas leis dos Estados Unidos e cheios de bajulação por parte dos pupilos tupiniquins) cujo principal objetivo, através da Lava Jato - de acordo com um enorme arquivo de materiais não revelados anteriormente, fornecido recentemente ao The Intercept por fonte anônima que inclui vídeos, fotos, processos judiciais, gravações de áudio e conversas privadas trocadas entre os promotores de Lava Jato com o então juizeco Sérgio Moro e seus caezinhos do Ministerio Publico, entre outros documentos publicados desde 9 de junho por Greenwald - tem sido:

A deterioração da esquerda brasileira, especialmente impedindo Lula de vencer a eleição de 2018;

A destruição da indústria nacional, especialmente petroleiras e construtoras, em favor das norte-americanas; e,

Desintegração da América Latina e dos BRICS.

O processo criminal chamado Lava Jato, em aliança com a grande mídia - especialmente ela, a Rede Globo com vasta história de promoção de golpes no país - assumiu a forma de regime totalitário no Brasil, pois tem tido um forte e claro caráter político. Que renuncia à soberania nacional em favor dos interesses dos Estados Unidos assim como ocorreu por ocasião do Golpe Militar de 1964, financiado justamente pela CIA ("O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil", disse o ministro da Justiça Juracy Magalhães logo após o golpe, que derrubou o presidente João Goulart).

Força-Tarefa Tendenciosa Levando o Brasil ao Caos

Excesso de prisões temporárias; barganhas e até pressão por delação para que se delineiem especialmente declarações que, ainda que falsas, atendam aos interesses políticos de Sérgio Moro; inclusão de documentos ilegais; escutas clandestinas ilegais; vazamento para a mídia de operações secretas incluindo a famosa escuta clandestina do chacrete Moro envolvendo a então presidente Dilma Rousseff com Lula da Silva; desconsideração de formalidades tais como informar previamente ao Ministério da Justiça sobre certas medidas; reversão na jurisdição brasileira de muitos julgamentos, inclusive no caso de Lula da Silva (repetindo o Mensalão, onde valeu o dominio do fato de Joaquim Barbosa, para condenar) - são marcas da Lava Jato desde 2014, quando esta se iniciou como investigação de lavagem de dinheiro.

Logo, muitos advogados, incluindo alguns funcionários do Ministério Público em todo o Brasil, passaram a dizer em meios alternativos que todas as sentenças de Lava Jato poderiam ser invalidadas, e Sérgio Moro expulso do Judiciário. The Intercept também revelou que o então juiz agiu como chefe do Ministério Público, algo, é claro, ilegal para um juiz que deve ser imparcial.

Ao mesmo tempo, procuradores aliando-se a fim de proteger o vaidoso juiz, e evitar que tensões entre o genioso Moro e o Supremo Tribunal pudessem paralisar investigações, em março de 2016. "A submissão dos promotores a Moro é escandalosa. Não há dúvidas de que eles agiram ilegalmente", disse recentemente Marcelo Freixo, sobre as revelações de The Intercept.

Operação Lava Jato origina-se do escândalo do Banestado, banco estatal do Paraná: entre 1996 e 2002, durante os anos do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), o Banestado foi usado como meio para que políticos do PSDB, doleiros, nada menos que Fernandinho Beiramar "O Peixe Pequeno", economistas e empresários evadirem moeda para paraísos fiscais que chegaram a 84 bilhões de dólares (a construtora brasileira Odebrecht. no centro da investigação da Lava Jato, fechou um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 2016, admitindo que pagou pelo menos 3,5 bilhões de dólares em propinas em todo o mundo, da América Latina à África; pergunta didatica: qual valor - escândalo - é maior, bibelôs fantoches do MBL e socialyte brazuca em geral, a que menos le no Planeta?).

Em meados dos anos 2000, o juizeco Moro, até então jurista desconhecido - enquanto a tarefa, é claro, exige um profissional renomado -, condenou vários funcionários do banco, mas nenhum político entre muitos envolvidos no caso que se desenvolveu desembocando exatamente na atual Lava Jato e que, nos últimos anos, gerou forte histeria nacional (falsamente) contra a corrupção - contra o Partido dos Trabalhadores, particularmente.

Houve outra investigação no Brasil, importante de ser notada neste contexto: a Operação Zelotes questionou o Ministério do Tesouro brasileiro pelo desvio de 4,9 bilhões de dólares (ajudando novamente os cínicos "faxineiros" do Brasil a pensar: outra soma/escândalo maior que a Lava Jato), em que funcionários do governo de Fernando Henrique, empresários incluindo os das montadoras Ford e Mitsubishi, banqueiros (Bradesco Santander e Safra) e ela, a Rede Globo, maior empresa de mídia do país estiveram envolvidos.

Mesmo sendo os valores monetários envolvidos muito maiores do que no escândalo da Lava Jato, Zelotes tampouco chamou a atenção da grande mídia - exceto quando, no final de 2014, o filho de Lula foi denunciado. Nem sequer uma grande empresa nem sequer um empresario foi condenado.

Em outros vazamentos de The Intercept em 21 de junho, o então juiz Moro aparece fazendo vistas grossas ao esquema de corrupção em que o brucutu Flavio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro [e irmão de Eduardo, que deve ser o novo embaixador do Brasil nos Estados Unidos por ter fritado hamburguer na America anos atras, segundo suas próprias palavras jogando confete sobre si mesmo (estara essa gente sob efeito de droga ou sao imbecis demais da conta, "só isso"?!)], mantinha em seu gabinete enquanto era legislador no Rio de Janeiro, para não desagradar seu pai, que já lhe dera o cargo de Ministro da Justiça no futuro governo.

 

Tais escândalos, entre outros no Brasil, não obtiveram o interesse da (lavemos a boca!) "Justiça" nem das grandes empresas de mídia, nem as revelações de The Intercept recebem o destaque que merece: cinicamente, o foco tem sido quem raqueou os celulares de promotores e do superman Moro, não o conteúdo das revelações. Um contraste forte, desproporcional e incrível à histeria generalizada anticorrupção em relação à sonda Lava Jato.

 

Greenwald versus Moro, "O Filho da Puta dos EUA"

 

"Estamos, é claro, observando o grande trabalho que Glenn Greenwald tem feito, com verdadeiro fascínio", diz Noam Chomsky a Edu Montesanti de Pravda. "Esperamos que aqueles com o efetivo poder, não seja capazes de abafa-lo", antecipa-se o renomado sociólogo estadunidense que, com sua esposa (brasileira) Valeria, enviou recentemente uma carta solidarizando-se, uma vez mais, a Lula.

 

Para piorar a situação no já tragicômico Brasil, Glenn Greenwald foi, desde suas revelações sobre a Lava Jato em junho passado, tem sido investigado e intimidado pela Polícia Federal brasileira, subordinado ao palhaço numero 2 desse grande picadeiro (depois de Bolsô,que em recente visita oficial aos States declarou-se cada vez mais apaixonado pelo presidente-magnata Trump), o "super-ministro" Moro. 

 

"Conheço Glenn Greenwald desde 1986, desde logo como um jornalista honesto mesmo que nem sempre eu concorde com ele", afirma John Kiriakou a esta reportagem. "Se Glenn Greenwald estivesse nos Estados Unidos para conversar com o FBI ou qualquer outra agência do governo, teria sido considerado dentro de seu papel de jornalista legítimo", afirma intrigado com a situação brasileira o ex-agente da CIA, preso por dois anos por denunciar praticas de tortura da Inteligência contra acusados de terrorismo, mesmo sem nenhuma prova, a mando de Bush.

 

Procurada pela reportagem, a espanhola Esther Solano, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri,  professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e articulista da revista Carta Capital, reforça que era evidente o que ocorria entre Moro e os procuradores envolvidos na Lava Jato. 

 

Os bolsonaristas sempre souberam que a Lava Jato era parcial, e não tinham nenhum problema com isso, pelo contrario: apoiam-se nela porque sabem que se trata de uma operação como instrumento anti-petista por excelência. O grande meio para tirar o PT do poder, e prender Lula. O que para nós e um escandalo, para a direita brasileira é virtude.

 

Apresentado como um super herói enviado com a tarefa messianica de limpar o Brasil, o objetivo de Moro sempre foi acabar com o PT, para quem não importa o devido processo nem garantias penais.

 

Segundo a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), referindo-se ao caso de Greenwald, o Estado brasileiro é agora "obrigado a prevenir, proteger, investigar e punir a violência contra jornalistas, especialmente aqueles que foram intimidados, ameaçados ou que venham sofrendo outros tipos de violência ".

 

Um dos ditos secretos de Moro para seu obediente (lavemos a boca!) "procurador público" Dallagnol revelado por Greenwald sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi, bem ao etilo Ze Carioca - a figura do jeitinho da Disney: "Um apoio importante, que é melhor não ser melindrado [por meio de investigações]". Que maravilha!

 

Greenwald disse que a Rede Globo, que em 2013 publicou uma cínica carta (para o tambem golpista Alberto Dines, entao, a "Primavera da midia brasileira florescia!) declarando que a organização lamentou ter apoiado o golpe de 1964 no Brasil, "tem sido amigo de Lava Jato, um aliado e associado". Uma coalizão que muitos ainda acreditam ser "a união de gente de bem", que esconde debaixo do tapete o sangue das vítimas da ditadura, que Bolsonaro e o ministro terrorista da Suprema Corte, Dias Toffoli, defendem abertamente.

 

O que disse o então presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, sobre o ditador da Nicarágua em 1936, sem nenhuma sombra dúvidas poderia estar sendo dito sobre Moro pelos poroes do poder dos EUA hoje: "Ele pode ser um filho da puta, mas ele é nosso filho da puta".

 

Fantoches de Tio Sam: Criminosos de Gravata

 

Durante os anos dos presidentes Lula e Dilma (2003-2016), a produção da Petrobras multiplicou-se por várias vezes: enquanto em 2000 representava 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, em 2014 a empresa produziu nada menos que 13% do PIB.

 

Vale ressaltar que as elites locais, alinhadas ao regime de Washington (segundo cabos secretos liberados por WikiLeaks entre tantas evidências históricas), querem privatizar a petrolífera nacional - desde sua criação, nos anos 50. A Petrobras impulsionou a derrubada dos presidentes Getúlio Vargas em 1954, muito provavelmente de Jânio Quadros em 1961, e parte importante do que motivou o golpe contra João Goulart, três anos mais tarde.

 

Certamente e não por mera coincidência, a Lava Jato enfraqueceu fortemente a Petrobras, como mencionado mais acima enquanto em nenhum outro país do mundo um agente do Estado age contra os interesses da nação, como o verde-e-amarelo Moro e sua gangue fazem. Além disso, o sistema brasileiro de "Justiça" é bem conhecido por ser tendencioso contra pobres, negros e esquerdistas em geral, ao mesmo tempo que blinda vergonhosamente os interesses da elite.

 

Quanto ao promotor-gospel, Deltan Dallagnol (bem ao estilo falso moralista gospel, alias), este recebeu dinheiro nos últimos anos apresentar palestras a dois setores poupados pela investigação que condenou Lula da Silva: planos de saúde e bancos. Tanto o promotor-chefe de Lava Jato em Brasília, que pretende ser pastor, quanto o juizeco Moro, em Curitiba, que acreditava que se tornaria presidente logo, desconsideraram as acusações contra esses setores bilionários (no segundo caso, os bancos Bradesco, Itaú, Safra e BTG).

 

Sobre o recente trabalho de Greenwald, o Ministério Público manifestou-se contra a anulação da pena imposta a Lula da Silva.

 

"Primavera" Brasileira: Revolução Colorida que Muitos ainda Não Vêem

 

A Operação Lava Jato, tão precária quanto agressiva lawfare, faz parte de uma intervenção imperialista no Brasil, golpe suave com objetivos bem claros apoiado pelos oligarcas locais, velhos e envelhecidos catadores de migalhas de seus lords de Washington, diz-nos qualquer livro de História e as próprias evidências atuais com nossos suseranos tupiniquins avexando-se diante deles, esbanjando a antiga baixa auto-estima das classes dominantes brasileiras.

 

Brasil, junho de 2013. A presidente era, desde 2010, Dilma Rousseff com índice de aprovação de 57% à época do que seria considerado por muitos a "Primavera" tupiniquim. O Brasil, após oito anos de Lula da Silva na Presidência, antecessor de Dilma, foi respeitado em todo o mundo como nunca antes. Internamente, a nação vivia o pleno emprego - como nunca antes, novamente: o desemprego era então de apenas 5,7%, um recorde histórico no Brasil que, desde o impedimento em 2016, nunca mais seria alcançado pelo contrario: os índices, que vinham subindo criticamente durante o segundo mandato de Rousseff, apenas despencariam ainda mais com seus sucessores, Temer e agora Bolsonaro, que prometiam tirar o Brasil da crise.

 

De repente, a popular "Primavera" tomou as ruas de todo o país. O motivo? Poucas pessoas podiam explicar por que estavam nas ruas protestando, furiosamente. "Contra tudo o que está aí" era a resposta mais comum aos jornalistas, em muitos casos depois de pensar em alguns segundos para falar poder alguma coisa, as pessoas estavam visivelmente confusas. 

 

Três semanas após o início dos protestos, profundamente alimentados pela grande mídia e incitados também por Mark Zuckerberg do Facebook (!), sabidamente um laranja da CIA, a então presidente Dilma caiu aos 30% de aprovação. Inexplicável. Nada havia mudado no país para justificar tal queda livre. Da noite para o dia, a grande mídia local, logo seguida por The New York Times, incitou ainda mais protestos, enaltecendo ao "povo sagrado" (de cujas causas estes mesmos elitistas por excelência pouco ou nada haviam advogado, jamais antes), e demonizou a presidente Dilma. No caso particular da grande imprensa brasileira, passou-se a promover as Forças Armadas e a ditadura militar brasileira, ao mesmo tempo que demonizava a política.

 

Sobre o repentino interesse de Zuckerberg pelas massas nas ruas brasileiras, especialmente pelo que motivou isso tudo, os vinte centavos de aumento nas tarifas de onibus da cidade de Sao Paulo, observou o jornalista russo Nil Nikandrov em Who is Shaking Up Brazil and Why (Quem Agita o Brasil, e Por Quê - Papel da CIA, NSA, USAID nas manifestações no País vai sendo revelada), em Strategic Culture Foundation:

 

São bem conhecidos os laços que unem o início da carreira empresarial de Zuckerberg e a CIA. Os contatos foram muitos e sabe-se que a CIA financiou o início de seu negócio. Zuckerberg tem também contatos estreitos com a Agência de Segurança Nacional dos EUA, os quais não são segredo para ninguém. Difícil acreditar que Zuckerberg tenha-se envolvido por iniciativa sua nos protestos no Brasil (e ainda mais difícil, que tenha passado, repentinamente, a preocupar-se com o preço dos transportes públicos por lá). 

 

A "Primavera" brasileira seguiu o mesmo padrão dos países que foram, em todo o mundo, vítimas de uma revolução colorida norte-americana, idealizada pelo estadunidense Gene Sharp. Milhoes de perfis falsos no Facebook incitavam as massas a irem as ruas. Estratégias de Tensão eram também observadas no país sul-americano, por meio de ataques de locais públicos por policiais a fim de justificar mais repressão por parte do Estado - este vídeo publicado pela Telesur é apenas um exemplo, entre muitos outros, da Estratégia realizada no Brasil à época.

 

Parte da mídia alternativa brasileira, timidamente e somente por algum tempo, alguns autores (como este repórter, desde os primeiros dias dos protestos) denunciaram que uma Revolução da Cor estava em curso. Foi impopular relatar um fato como esse na época. E muitos outros na mídia não entenderam o que estava acontecendo de repente no país - os protestos maciços pegaram todos de surpresa. Os sociólogos não conseguiram explicar aquele "fenômeno".

 

Nikandrov comentou ainda, no contexto daqueles protestos:

 

Hoje, como se sabe, está operando no Brasil uma das maiores bases organizadas da CIA e da inteligência militar dos EUA, em todo o mundo. O coordenador político dessas operações no Brasil é o Embaixador Thomas Shannon. Pode-se tomar como fato absolutamente verdadeiro que o embaixador Shannon está ocupado em tempo integral com o "despertar o gigante sul-americano".

 

Os protestos de junho continuarão pelo mês de julho e, em grande medida, já começam a afetar a imagem que o Brasil oferecia ao mundo, de país bem-sucedido em seu projeto de desenvolvimento com orientação social.

 

Em outubro de 2014 haverá eleições presidenciais no Brasil; a atual presidenta Dilma Rousseff é candidata a um segundo mandato. Nesse contexto, qualquer ação para desestabilizar seu governo é apresentada como tentativa dos adversários políticos, com olhos nas eleições: "Estão nos testando".

 

O cenário político e social brasileiro, claro, começou a mudar drasticamente, então. Ao mesmo tempo, Edward Snowden denunciou, na primeira semana de julho, que o Brasil foi o mais espionado do mundo pelos EUA em janeiro de 2013 e na última década, havia sido o mais espionado de toda a América Latina - especialmente a presidente Dilma e a Petrobras.

 

Esther Solano lembra que foi exatamente em 2013 que a direita brasileira passou a se articular:

 

O PT que ja tinha dificuldade de governar, acabou perdendo a legitimidade. O PT perdeu as ruas e perdeu Brasilia naquela epoca. Os bolsonaristas aglutinaram toda aquela insatisfação social, e articularam a crise politica.

 

Dois anos depois, houve um forte boicote contra o governo Dilma pelo Congresso, secretamente liderado pelo então vice-presidente Michel Temer, que também liderou, falando sobre isso publicamente, o processo de impeachment contra o então presidente - uma vergonha total como o primeiro. mulher na presidência do Brasil não cometeu nenhum crime. 

 

Temer foi revelado por WikiLeaks como o principal informante da CIA. Enquanto isso, movimentos obscuros como Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre, evidentemente financiados e treinados pelos porões de Washington (algo detalhado anteriormente em Pravda Brasil) - este último, campeão nacional de divulgação notícias falsas, segundo estudos acadêmicos nacionais.

 

Depois veio o processo de impedimento da presidente Dilma, em 2016, uma aberração que atraiu negativamente a atenção de juristas, jornalistas, ativistas e intelectuais em geral em todo o mundo. Nenhuma palavra dada pelo regime de Washington, cuja "diplomata" no Brasil era ninguem menos que Lilian Ayalde, que serviu como embaixadora no vizinho Paraguai em 2012 quando o presidente progressista Fernando Lugo foi derrubado por um golpe parlamentar, muito parecido com o caso brasileiro. A investigação da Lava Jato atingiu seu pico na época.

 

A mídia alternativa, local e internacional, começou muito em breve a denunciar que um golpe estava em curso no Brasil, e não um processo de impedimento como a mídia tradicional e a oposição brasileira estavam afirmando. E que Temer não seria uma solução para as crises econômica e política como anunciado, que logo o País recuperaria o crescimento e a estabilidade - ao contrário, ele e sua gangue seriam venenosos para a fraca democracia do Brasil.

 

Logo após a posse de Temer, em 5 de outubro de 2016, a Câmara dos Deputados revogou a Lei 4567/16, que garantiu exclusividade para a Petrobras explorar petróleo bruto.

 

Em 14 de março de 2018, enquanto havia intervenção militar no Rio de Janeiro, a vereadora Marielle Franco que costumava denunciar a repressão do Estado aos pobres da cidade, foi assassinada em uma operação sofisticada. Pouco depois, a mídia alternativa em todo o país começou a denunciar que a a ativista e poltica carioca havia sido assassinada por forças do Estado - tese ridicularizada por políticos de direita (incluindo o então deputado pelo Rio, Jair Bolsonaro) e civis -, fato que acabou ficando evidente com o tempo - inclusive pelo desinteresse do proprio Estado em desvendar o crime, neste caso sem nenhuma sede de justiça como, raivosamente, manifesta em outros. 

 

Todos esses "fenômenos" têm cooperado fundamentalmente com o discurso do ódio e com a eleição de um caráter muito medíocre e violento para a Presidência brasileira: Jair Bolsonaro, no ano passado. Advertido pela mídia alternativa em todo o mundo, o Brasil estaria longe de encontrar o caminho de volta com o capitão reformado na Presidência.

 

Questionado sobre um possível financiamento dos EUA para a campanha de Bolsonaro, John Kiriakou analisa para Pravda:

 

Não acredito que houve uma operação maciça e cara para eleger Jair Bolsonaro. Mas os Estados Unidos nem sempre precisam de operações caras para influenciar os resultados. O Departamento de Estado, trabalhando com a CIA e outros, pode facilmente exercer um 'soft power' para manipular eleições estrangeiras de acordo com seus desejos. 

 

Por exemplo, os Estados Unidos pressionaram as cortes brasileiras para manterem o presidente Lula preso? Os Estados Unidos apoiaram as forças brasileiras que tentaram destituir a presidente Rousseff? Qual foi a influência dos Estados Unidos sobre a mídia brasileira, para tornar a linha dos Estados Unidos conhecida, sem necessariamente estar vinculada publicamente aos Estados Unidos?

 

Essas são questões nunca investigadas, nem solicitadas pela grande mídia brasileira - ela mesma também questionada por Kiriakou, na conversa com esta reportagem.

 

Recentemente, uma pesquisa no Brasil sobre o comportamento de Moro revelado por The Intercept apresentou um resultado assustador. Foi considerado inadequado por 33% dos entrevistados mas por 32%, não. No entanto, muito mais pessoas, 48%, consideraram que Moro e os promotores agiram corretamente, enquanto aqueles que pensam o contrário, corresponderam a 31%.

 

Certamente subproduto da grande mídia, que se negou a realizar o trabalho básico do jornalismo ao cobrir a Lava Jato - investigando, criticando, questionando, refletindo -, a posição da sociedade brasileira agora, em relação ao comportamento secreto de Moro, assusta Chomsky: "Chocante e deprimente", afirma o intelectual em conversa com Edu Montesanti.

 

O empresário corrupto Emilio Odebrecht disse, certa vez: "Tudo o que está acontecendo é um negócio institucionalizado. Toda a imprensa sabia que o que realmente estava acontecendo era isso. Por que eles estão fazendo isso agora? Por que não fizeram isso dez, vinte anos atrás? Este setor da imprensa sempre soube disso, mas agora vem com essa demagogia".

 

No Lixo da História

 

Enquanto no interior do País a elite brasileira busca com raiva, por todos os meios possíveis, defender seus privilégios, no exterior a vergonha é cada vez mais evidente. O quintal dos EUA, novamente. Heil, poodle Bolsonaro e chihuahua Moro!

 

"Simplesmente não consigo acreditar no que está acontecendo no Brasil. Vi clipes de Bolsonaro na conferência do G20, fazendo papel de bobo e constrangendo o Brasil", observa Chomsky para esta reportagem. "É difícil lembrar que, há uma década, o Brasil era um dos países mais respeitados do mundo".

 

A Lava Jato é a maior evidência do que está acontecendo no Brasil. Há muitos políticos progressistas, jornalistas e ativistas em geral sofrendo nas mãos de uma forte elite no poder, implacável guerra juridica pavimentando o caminho para o fascismo cujo palhaço estrelando, agora, chama-se Jair Bolsonaro aplaudido por obscuros grupos de manipulação em massa como a MBL, que controla milhões de cérebros lavados através do marketing, muitas mentiras e muito dinheiro não declarado. Tudo isso, subproduto da grande mídia.

 

O que está acontecendo no Brasil faz parte do plano de domínio regional e global dos EUA, através de um neofascismo generalizado.

 

O futuro preocupa Esther Solano. A intelectual espanhola aponta para o desgaste de Bolsonaro, que segundo ela não tem a governabilidade garantida. "Personagem muito drástico, tragicômico", afirma. A docente não acredita que o PT possa assumir uma oposição capaz de fazer frente a este avanço autoritário no Brasil, como consequencia incapaz de se apresentar como alternativa politica, "inclusive por problemas internos", avalia.

 

Este vazio pode ser preenchido por Doria, atraves de uma direita neoliberal na mesma linha, mas mais sofisticado, mais "vendavel" mundo afora, mais tratavel atraves do livre mercado, menos bruto, menos tosco [que Bolsonaro]. 

 

Infelizmente, a esperança de Chomsky de que aqueles com o poder de fato não consigam abafar os crimes de Lava Jato revelados por Greenwald, não deve se tornar realidade. Muito mais surpreendente do que a manipulação dos fatos neste caso por parte da mídia tradicional, é que milhões de indivíduos, em tempos de revolução da informação pela Internet, e mesmo antes disso, estando completamente cientes das características da mídia predominante - tais como Rede Globo,  Radio Jovem Pan,VejaO Estado de S. Paulo e outros lixos semelhantes - ainda formem opinião através dela, sendo tão facilmente ludibriados.

 
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