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Com medo e sem esperança

03.11.2008 | Fonte de informações:

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De que vale nossa combalida democracia se, por onde se olha, o eleitor votou no candidato mesmo pior? Não podemos declarar que votamos para ganhar, mas sim, para perder menos. Não comemoramos vitórias, mas a derrota de nossos anseios mais primários. Tudo, mantendo e consolidando o status quo pré-determinado. E o pior, com o silêncio aprovador de cada um de nós.

No Brasil inteiro foi isso, o povo marchou para as urnas sem motivação alguma. Fez-se luto nos corações brasileiros. Os resultados agora estão aí, e os colhemos nas sarjetas de nossas desilusões, papéis picados e jogados nas ruas de nossas esperanças como parte de um grande sonho nacional, triturado por nossas repetidas desilusões.

As renovações; nenhuma. Tudo engessado por um processo eleitoral caro e excludente. As campanhas, com suas providenciais restrições, distanciam o eleitor do processo, tornando-a fria, sem causar comoção alguma. Isso tudo, torna, cada vez mais difícil a imersão de um novo nome, de uma nova liderança. Do voto ideológico, restou apenas o religioso, pois todos os outros ficaram com medo, sem nenhuma esperança.

Nas grandes prefeituras, os cargos indicados pelos maiorais, a extensão dos gabinetes e mandatos daqueles que podem tudo, ou quase tudo. Isso, há bem pouco tempo, tinha outro nome. Agora, está tudo como sempre foi nesta terra sem Abrantes.

Dos políticos que respondem a processos ou aguardam julgamentos, amplamente expostos pelas instituições cidadãs, 60% foram reeleitos, obtendo, por força do voto, do consentimento do povo, todas as benesses, privilégios e imunidades de um novo mandato. Assim, não se constrói uma Nação, mas se destrói um sentido de povo.

A nossa decepção e a nossa reprovação não vão além dos votos brancos, nulos e abstenções, cada vez mais incorporados às votações não como forma de protesto, mas como votos perdidos no tempo e espaço, anacrônicos, destoados do processo, sem nenhuma outra razão de ser. O que deveria servir de alerta, foi sugado pela banalidade do voto, aquele que serve apenas para ratificar o que já foi acordado, dizendo ao brasileiro que hoje vivemos sobre outros cabrestos...

E assim vamos nós, elegendo nossos fantasmas, nossos algozes, tendo como última esperança a de perder menos pelos próximos quatro anos.

Petrônio Souza Gonçalves http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com

 
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