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Economia ambiental: Como as Faculdades não Ensinam

31.01.2011 | Fonte de informações:

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Ronaldo Pacheco Guimarães

Todas as grandes crises mundiais tiveram sua origem na economia, que é ensinada sob uma ótica completamente errônea, beneficiando os "espertalhões" e prejudicando a maioria da população.


A economia global, conduzida corretamente, levará o mundo a um estágio de desenvolvimento impensável para a maioria mas, entra em choque direto com os interesses espúrios da minoria hoje (aparentemente) beneficiada pelo esquema vigente.
Para as pessoas entenderem o que é desenvolvimento e como deveria funcionar a e conomia, farei algumas associações de facílima compreensão de todos.


O desenvolvimento é um processo contínuo que faz com que o ser humano vá alcançando estágios de conforto físico e mental cada vez maiores. Reparem que mesmo com o sistema injusto que vigora atualmente, ainda assim todas as pessoas alcançam benefícios que antigamente não existiam, mas que poderiam ser ainda muito maiores e mais bem distribuídos, caso as políticas públicas contemplassem a economia como ela realmente é e não como os políticos querem que seja.


O primeiro estágio de conforto, para qualquer um, é ter as suas necessidades básicas atendidas, o que compreende uma atmosfera (ar) adequada, água em quantidade e qualidade suficientes para manutenção da vida na face da Terra, alimento compatível com os organismos vivos e abrigo contra as intempéries produzidas pela própria natureza.


Algumas décadas atrás, o número de seres humanos que habitavam a Terra poderiam ter suas necessidades básicas atendidas pela condições naturais do planeta, mas com o incremento populacional, faz-se necessário o emprego das tecnologias desenvolvidas pelo homem, especialmente aquelas ligadas à produção de alimentos e construção de abrigos, para poder atender as necessidades de todos.


Após o homem inventar o dinheiro como um meio facilitador das trocas, criou também uma ciência para avaliar o funcionamento das transações feitas com o dinheiro, a qual denominou de Economia e que foi espertamente conduzida para o benefício de alguns, deturpando-se os sentidos originais dos termos desenvolvimento e economia propriamente, o que nos levou a escrever este pequeno exemplar, na esperança de trazer à tona os conceitos básicos que podem equilibrar os meios de produção e troca de bens e serviços. Este conhecimento é extremamente relevante a fim de promover o real desenvolvimento para o benefício de todos os que trabalharem para construir o bem comum.

O QUE É DESENVOLVIMENTO


O des envolvimento humano está ligado diretamente à produção de riquezas e tecnologias capazes de garantir aos seres humanos uma vida mais longa, saudável e confortavelmente usufruída.


A produção de riquezas e tecnologias só acontece pelo trabalho e criatividade humanas. Sem trabalho e sem a inventividade da mente humana não existe desenvolvimento. Simples assim.


É essa simplicidade que precisa ser estendida aos conceitos econômicos, de maneira que a grande maioria das pessoas entenda e passe a trabalhar em prol do desenvolvimento real, feito por todos e em benefício de todos, que é o princípio bom do socialismo, mas com uma distribuição da riqueza produzida proporcional ao esforço de cada um, este o melhor princípio do capitalismo.


A deturpação atual dos conceitos de desenvolvimento, economia e necessidades humanas, faz com que o valor de um jogador de futebol seja muitas vezes superior ao de um cirurgião cardíaco ou de um engenheiro civil, embora estes últimos sej am muito mais valiosos para a sobrevivência humana (necessidades básicas).


A humanidade e, especialmente o povo brasileiro, precisa acordar para poder enxergar a verdade dos fatos e passar a agir em seu próprio benefício. Foi a visão da injustiça social que levou Karl Marx a procurar as causas do tratamento diferenciado entre os humanos. Acho que Marx estava certo no que concerne a haver humanos que exploram humanos principalmente nos dias atuais através da economia deturpada, mas ele errou ao apontar os culpados.


O florescer da indústria e em especial da produção em série, trouxe um ganho financeiro inimaginável aos donos do capital e aos detentores das grandes ideias, o que resultou em enormes benefícios para a humanidade como um todo, embora tenha concentrado lucro imenso para aqueles industriais.


Mesmo com a indústria pagando salários maiores (até o dobro) do que recebiam os empregados rurais, a concentração de recursos nas mãos dos industriais passou a ser v ista como uma afronta aos trabalhadores, ainda que estes estivessem ganhando mais do que percebiam em outras atividades.


Foi nesse cenário que Karl Marx desenvolveu sua militância e sua maior obra: O Capital! Embora a ideia da exploração econômica de muitos por poucos estivesse perfeita, como ainda hoje se pode constatar, o foco principal desse problema foi mal conduzido por Marx, pois apontava para o setor produtivo como sendo o principal explorador e, mesmo existindo subempregos, salários aviltantes e até alguma escravidão, no mundo todo, a grande exploração humana concentra-se internacionalmente nos setores financeiros e governamentais.


O que se necessita para promover o desenvolvimento brasileiro é: menos políticos e banqueiros com enormes possibilidades de enriquecimento (imoral), aparentemente legal e mais pessoas que percebam um valor justo pelo seu trabalho e por sua criatividade.


Não haverá desenvolvimento acelerado apenas por transferir-se indiretamen te os parcos recursos que sobram daqueles que produzem para aqueles que nada fazem (sem interessar as causas por que estes não produzem). É aqui que entra o papel do Estado, que deve prover políticas públicas para que todos produzam, sendo o melhor caminho o da educação estatal de bom nível.


A complexidade do sistema precisa ser desnudada em partes mais simples, para que todos entendam seu funcionamento e fundamentalmente, para que a maioria das pessoas seja beneficiada pelo desenvolvimento que elas mesmas irão produzir, decorrente do emprego justo das técnicas e tecnologias desenvolvidas pelos humanos.


É muito justo que aquele que se esforça em qualquer trabalho ganhe um valor maior do que o outro que produz muito menos na mesma função. É igualmente justo que o indivíduo que cria novas tecnologias seja premiado acima daquele que apenas utiliza as tecnologias desenvolvidas pelos outros. Por fim, é justo ainda que, a pessoa que se sacrificou e que fez economias e que utilizou essas economias para aumentar a produção de algum bem ou serviço necessário à comunidade seja premiada com novos ganhos, sem exageros.


O que não é justo é que os espertos que se dizem detentores do capital (banqueiros e financistas) apropriem-se do capital de outros, que foram confiados à sua guarda, e o utilizem para produzir mais capital para si mesmos através de um mecanismo artificial denominado de alavancagem.


Essa concentração de capital faz com que poucos ganhem muito e tirem a oportunidade de outros que poderiam estar produzindo novos produtos e serviços e assim se coloca muita gente no limbo social criando a desestabilização com que convivemos diariamente, levando muitos à criminalidade, especialmente quando o Estado se omite de suas funções básicas porque seus integrantes também estão preocupados apenas na manutenção dos seus privilégios e não no real encaminhamento do desenvolvimento nacional.


(Ronaldo Pacheco Guimarães - ronaldopagu@terra.co m.br - é engenheiro civil e professor em Curitiba)

 

 
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