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O inimigo do meu inimigo

30.09.2014 | Fonte de informações:

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O inimigo do meu inimigo
26/9/2014,
The Vineyard of the Saker
http://vineyardsaker.blogspot.com.br/2014/09/iraq-sitrep-update-26th-september-enemy.html


NB
: Esses Relatórios de Situação que o Saker permite que postemos aqui passarão a aparecer duas vezes por semana. Eventos significativos serão postados; os recorrentes - como repetidas tentativas fracassadas para retomar uma cidade, como Tikrit, pelo exército do Iraque, serão evitados; a menos que haja outras repercussões de um ou outro evento recorrente. Número de mortos é informação sempre deprimente para ser repetida e repetida; e outras fontes sempre distribuirão listas diárias de mais e mais mortos do Iraque.

O Saker foi muito generoso por permitir esses nossos Relatórios de Situação, desde o início. Sou muito grato aos esforços dele, ao seu comprometimento e ao seu empenho.

Como sempre, ofereço aqui compilações de matérias jornalísticas de MSM e não MSM. Todos podem questionar opinião que eu expresse, e, em alguns casos 'Takfiri' extremos, podem também questionar minha fé.


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30/8: Os iranianos dizem que está havendo progressos no desenvolvimento de uma alternativa nativa ao S300: http://rt.com/news/183856-bavar373-missile-iran-s300/

Israelenses ameaçam a Bielorrússia: http://www.jpost.com/Features/Front-Lines/Iranian-Threat-Belarus-brotherhood-with-Iran

17/9: As práticas islâmicas do ISIL/EI: Quatro meninas iazidi foram transferidas para o Hospital Mosul, com sangramento uterino severo. Soube-se que foram submetidas a assalto sexual repetido por "valentes" terroristas ISIL/EI.

18/9: Haja sangue. Veículos do ISIL/EI percorrem as ruas de Mosul pedindo doações de sangue, agora que aumentam as baixas ISIL/EI.

20/9: ISIL/EI libertou 49 reféns turcos, inclusive o cônsul-geral da Turquia no Iraque. Mas a Turquia recusa-se a participar da 'coalizão' de ataques aéreos contra o ISIL/EI.

21/9: Mais de 10 mil curdos fugiram de massacre pelo ISIL/EI no nordeste da Síria, com a cidade curda de Kobane já sob ataque. Os refugiados tomaram o rumo norte, na direção da Turquia.

22/9: Os EUA e sua 'coalizão' dos dispostos/desejantes (o Conselho de Cooperação do Golfo, exceto Kuwait e Omã; e a Jordânia, não CCG, um total de 30 países) começaram a bombardear alvos ISIL/EI na Síria. O governo do presidente Bashar Al Assad teria sido alertado, e um deputado iraniano disse que o Irã também foi informado sobre os ataques aéreos contra o ISIL/EI.

Aviões dos EUA também atacaram posições da Frente al-Nusra e de um grupo terrorista chamado "Corassão".

Autoridades dos EUA informam que uma mulher estará pilotando um dos jatos dos Emirados Árabes Unidos, "nos ataques contra ISIL/EI" ['notícia' que foi considerada tããããão importante que foi republicada no Brasil, em toooooooooooooooooodos os 'jornais' (só rindo!)[1]].

A Bélgica e a Holanda enviam seus F16 de combate; mas a Bélgica pede aos seus soldados que não usem uniformes belgas em ação no Oriente Médio, de medo de ataques de retaliação.

22/9: ISIL/EI julga e executa Samira Salih al-Nuaimi, advogada e ativista de direitos humanos, por crimes de Apostasia, porque criticou a destruição de santuários e mesquitas, pelo ISIL/EI, em Mosul. O cadáver guardava marcas de tortura.

23/9: Brigadeiro-general Ahmad Reza Bordstan, das Forças Terrestres Iranianas esclarece que o Irã lançará ataque muito mais penetrante contra posições do ISIL/EI, em resposta a qualquer ataque contra a fronteira Irã-Iraque.

24/9: ISIL/EI executa pesado assalto contra a refinaria de Baiji. Envolve três carros-bomba e um tanque-bomba, usando um suicida-bomba. O pessoal militar que protege a refinaria tem o apoio da Força Aérea do Iraque, mas sofreu pesadas baixas. Altos comandantes militares avisam sobre repetição desse tipo de ataque, se o governo não degradar a capacidade do ISIL/EI para atacar a refinaria.

24/9: A coalizão liderada pelos EUA começa a atacar posições do ISIL/EI nos arredores de Kobane, norte da Síria.

24/9: Forças curdas alertam sobre fuga de combatentes do ISIL/EI da Síria para o Iraque, e pedem que a coalizão comandada pelos EUA bombardeie os comboios do ISIL/EI que entram no Iraque.

24/9: Forças de Segurança iraquianas e guerrilheiros Peshmergas trabalham em coordenação em Qara Tapa, nordeste de Baqouba, Diyala, para limpar vilas de qualquer presença do ISIL/EI.

24/9: Hassan Nasrallah declara que se opõe à coalizão liderada pelos EUA que está atacando o ISIL/EI. Disse que o Hezbollah já combate contra o ISIL/EI "infiel" e continua a combatê-lo; disse que os EUA são "a mãe de todo o terrorismo".

24/9: Munição alemã e armas antitanques e rifles de assalto chegam ao Curdistão Iraquiano

24/9: Um grupo terrorista argeliana com conexões com ISIL/EI degola o francês Herve Gourdel, depois que o governo francês recusou-se a suspender sua participação na 'coalizão dos desejantes/dispostos'.

25/9: Rouhani culpa o ocidente e seus aliados ("algumas agências de inteligência"[2]) por terem criado o ISIL/EI; refere-se a ele como ameaça global e pede que o ocidente pare de apoiar ditadores.

25/9: Dois bombardeios contra Bagdá deixam seis mortos e 18 feridos.

25/9: França confirma que realizou seus primeiros ataques aéreos contra posições do ISIL/EI no Iraque. Aguarda-se que o Reino Unido também se una o mais brevemente possível, à coalizão dos desejantes/dispostos.

25/9: Os Emirados Árabes Unidos vangloriam-se de que sua mulher-piloto, Mariam Al -Mansouri, tomou parte no raid contra posições do ISIL/EI. ISIL/EI jura vingança.

25/9: Forças curdas na Síria repelem ataque contra Kobane.

25/9: Jassim Mohammed Hassan al-Attiyah do conselho provincial de Salah al Din, diz que são esperados mais de 13 mil soldados dos EUA na Base Militar Speicher. É o contrário do que disse Obama; é o que o primeiro-ministro Abadi  pediu; e contra o que Sadr e Sistani opuseram-se claramente.

25/9: ISIL/EI explodiram a histórica mesquita Al Arbain em Tikrit.

26/9: Bombardeio das posições do ISIL/EI no norte e no oeste de Mosul, Sinjar e Zammar, continuaram por três dias e prosseguem. A "coalizão dos dispostos/desejantes" está bombardeando o monstro que ajudou a criar.

26/9: Especialistas iranianos falam do ataque pelos EUA ao ISIL/EI, como "o Plano B" dos EUA: http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?fromval=2&cid=19&frid=21&seccatid=19&eid=172896

Noites das Arábias [orig. Arabian Nights] (...)

Análise curta: Os houthis são ligados ao Irã?

Alguns analistas têm sugerido que o Irã absolutamente nada  tem a ver com o levante dos houthis no Iêmen ou no Bahrain. Mas, embora o que jamais falte no ocidente sejam acusações de que o Irã apoiaria rebeldes no Iêmen e Bahrain, pode haver aí um grão de verdade.

O Irã foi atacado, com o pessoal de sua embaixada sequestrado e assassinado no Iêmen. O presidente hoje deposto também acusou o Irã de intromissão, acusação que o Irã negou. A Arábia Saudita também foi aliada dos Zaidis, a certa altura da história, no Iêmen, contra o sul comunista. Mais recentemente, a Arábia Saudita acusou o Irã de apoiar os houthis. Mas por que, agora, acusar o Irã de apoiá-los?

1) Um argumento religioso

O Islã em geral e a fé xiita em particular passaram por uma transformação com os eventos de Karbala. O sacrifício do Neto do Profeta lembra os xiitas de que se devem opor à opressão e que não podem ser indulgentes com a opressão. Enquanto os sunitas sempre foram em geral mais pró-establishment ao longo da história, são os xiitas que sempre resistiram, ao longo do tempo e apesar das distâncias geográficas. Uma leitura da história xiita depois dos eventos de Karbala mostrará que em apenas poucas décadas aconteceu um levante xiita contra governo opressor.

O Irã, percebendo-se como o centro da fé xiita, apoia seus co-fiéis em, só para listas alguns locais, na Cachemira, no Paquistão, no Iraque, na Síria e na Nigéria. Apoia a resistência à opressão até contra muçulmanos em geral (sunitas) em outros locais: Sudão, Bósnia, curdos no Iraque e a Aliança do Norte no Afeganistão. A luta contra a opressão é vista aí como objetivo religioso. De fato, o estado "Islâmico" revolucionário já foi mais agressivo no passado; mas tornou-se agora muito mais pragmático, mais tenaz e mais politicamente astuto.

Assim sendo, por que o Irã não apoiaria os houthis e os xiitas do Bahrain, nesse segundo caso moralmente, se não com ajuda material (restrições físicas, geográficas contra a invasão da ilha por tropas sauditas, e uma base naval dos EUA impedem que o Irã garanta apoio mais direto; mas se o Bahrain partilhasse uma fronteira terrestre com o Irã, seria possível passar armas)? O Irã não apoiar os houthis não faz sentido algum.

2) Uma compreensão prática

Nenhum movimento guerrilheiro sobrevive por muito tempo, sem apoio externo, contra governo apoiado por potência estrangeira há muito tempo. Caso clássico, aí, é o Hezbollah. Ainda que seja movimento muito poderoso, se não a mais poderosa milícia de resistência que o mundo conhece hoje, não poderia sobreviver nem acumular todo o poder que tem hoje, se não contasse com o apoio de Irã/Síria. Exemplo semelhante são os Talibã, que ninguém consegue derrotar enquanto o estado paquistanês continuar a apoiá-los.

Embora os houthis sejam considerável maioria no norte, como podem sustentar um conflito, sem ajuda material? Sim, todos no Iêmen vivem armados, mas onde se recompõem os estoques, para sustentar uma ofensiva? Por que a Arábia Saudita teria permitido que o deposto presidente negociasse um acordo, se não se sentisse ameaçada?

Considerem ainda a resistência tibetana contra a China, que se desfez depois que a Índia só lhes assegurou apoio 'vocal'. O Vietnã do Norte teve apoio de chineses e soviéticos; os rebeldes na Síria têm o apoio dos petrodólares; a guerrilha MEK teve o apoio de EUA/Israel depois que Saddam foi derrubado. De fato, é difícil encontrar um único grupo de oposição [armada] que sobreviva sem apoio externo.

3) Coincidência: não há

A primeira coincidência é o timing do levante dos houthis. Convenientemente aconteceu depois que o ISIL/EI já havia tomado quase todo o Iraque sunita. A segunda coincidência é o formato. Em artigo de 2010, MK Bhadrakumar (http://www.countercurrents.org/bhadrakumar180110.htm) menciona que os grupos armados houthis estão seguindo o modelo do Hezbollah libanês.

Finalmente, para encurtar, concordo que, sim, há remota possibilidade, completamente ilógica, de que o Irã não esteja envolvido com os houthis. É quase impossível. Mas é possível.

Para saber mais:

"No que tenha a ver com o Hezbollah, a inteligência dos EUA voa às cegas"
www.scmp.com/news/world/article/1300844/us-spies-knowledge-gaps-china-hezbollah-revealed   



 

[1] Em O Globo (http://oglobo.globo.com/mundo/primeira-mulher-piloto-dos-emirados-arabes-unidos-lancou-bombas-sobre-estado-islamico-14052557), na TV Cultura (http://cmais.com.br/noticias-jornalismo/mulher-comandou-bombardeios-dos-emirados-arabes-na-siria), dentre outros [NTs].

[2] Vide discurso traduzido em "Discurso do presidente da República Islâmica do Irã - 69ª sessão da Assembleia Geral da ONU, 25/9/2014 [tradução de trabalho, não oficial], redecastorphoto [NTs].

 

 
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