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A nação que se destruiu a si mesma: Um verdadeiro caso clínico

27.03.2017 | Fonte de informações:

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A nação que se destruiu a si mesma: Um verdadeiro caso clínico

Pedro Augusto Pinho*

No triunfalismo do golpe de 1964, a Seleções do Reader's Digest publicou artigo do pouco conhecido Clarence W. Hall (1902-1985), cuja obra mais notável, até então, era a biografia de Samuel Logan Brengle, um pastor metodista que trabalhara para o Exército da Salvação. O artigo tinha o título "A Nação que se Salvou a si Mesma - a história inspiradora de como um povo se rebelou e impediu os comunistas de tomarem conta de seu país" (sic, sic, sic).

Vê-se que nossa tragédia e os coxinhas de hoje não guardam qualquer originalidade. Mas, ao golpe de 1964, seguiu-se um novo golpe, dos militares  nacionalistas, que possibilitou o avanço na industrialização e nas pesquisas tecnológicas levando o Brasil a incomodar o novo dono do poder mundial que, naquele momento, já era a banca ou oligarquia financeira (conforme o Embaixador Adriano Benayon), que promoveu então o "golpe da redemocratização" (sic, duas vezes).

Este último golpe preparava o país para a nova ditadura que seria fruto da articulação da mídia com o judiciário, em benefício do sistema financeiro. Os Governos Figueiredo e Sarney não aprofundaram suficientemente a estrutura do Estado para esta dominação. Seu grande executor, eliminando e alterando as disposições nacionalistas e sociais da Constituição de 1988, foi Fernando Henrique Cardoso (FHC) que das sombras orienta atualmente os golpistas encastelados no Executivo, no Ministério Público, no Supremo Tribunal Federal (STF) e em outros órgãos da estrutura da magistratura nacional. Orienta, pois o cérebro do golpe está no exterior, nas famílias que constituem o comando da banca e, a partir daí, as ações dos países onde ela impera, como os Estados Unidos da América (EUA), desde de Ronald Reagan (1981-1989) até Barack Obama (2009-2017).

Observemos, de início, o Quadro que se segue.

                   Dívida Líquida Total da União (Interna e Externa)

 Ano

(1)

% PIB

(2)

(3)

(4)

% PIB

2011

2.600,7

59,45

12,54

7,11

131,0

2,99

2012

2.887,4

61,26

11,30

3,25

135,0

2,86

2013

3.059,6

59,32

10,76

5,25

141,7

2,75

2014

3.392,8

61,45

11,51

7,58

170,3

3,08

2015

4.055,7

68,70

14,24

3,39

208,4

3,53

2016

4.635,7

73,97

13,00

5,46

204,9

3,27

Média*/Total**

-

-

12,22*

5,34*

991,3**

3,08*

    Ano Base: 2016

    Fonte: Ministério da Fazenda

Legenda: (1) - Estoque da Dívida líquida (R$ Bilhões); (2) - Juros médio/ano de carregamento da dívida (%); (3) - Ganho real dos investidores média/ano (%); (4) - Juros e Encargos Pagos (R$ Bilhões).

O Governo Dilma durou de janeiro de 2011 a maio de 2016, mas, desde 2015, o Congresso então eleito, a pressão da mídia e as ações do judiciário assumiram efetivamente o controle das ações no País com objetivo de derrubar a Presidente Eleita. As consequências para a economia e para a sociedade brasileiras foram tremendamente danosas. Poderia apresentar diversos quadros que retratam esta situação. Escolhi a Dívida porque é com ela que a banca se locupleta e governa.

Verifique que a Dívida Líquida Total da União, desde 2011 a 2013, os três primeiros anos do Governo, oscilou em torno de 60%, o que é bastante satisfatório para um país que precisa crescer e tem enorme dívida social com a maioria absoluta de sua população. Mas esta Dívida salta, após 2015, para o entorno de 70%, dez pontos percentuais a mais, ameaçando as contas do Governo e dando maior receita à banca (Coluna 4 do Quadro).

Vejamos as notícias neste início de outono. Desembolsos do BNDES caem 16% no primeiro bomestre.Preços do e-commerce despencam em fevereiro pela expressiva queda na demanda. Preços dos imóveis recuam na maioria das capitais brasileiras e empresários do setor apontam o desemprego como causa. Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) indica o desemprego como razão de 40% dos "nomes sujos na praça". Projeto inconstitucional, de acordo com juristas, para a terceirização ampla, geral e irrestrita é aprovado em regime de urgência na Câmara. Após destruir a indústria e a engenharia brasileira, a Operação Lava Jato se lança na agropecuária, mas encontra resistência na "bancada ruralista". Brasil para de crescer no ranking de melhor Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Presidente da Petrobrás prossegue na entrega de reservas de petróleo e instalações industriais e comerciais da empresa a terceiros, de preferência estrangeiros e por pouco dinheiro. Febre amarela volta a assustar o Rio de Janeiro. Pedro Parente vende sondas da Petrobrás por valor 1.700% inferior ao da compra.

E você ainda acha que é o comunismo ou o bolivarianismo a grande ameaça ao Brasil? Ou já descobriu que é a banca, o sistema financeiro internacional que controla tudo, até o que você pensa?

Não satisfeita com o desmanche que os golpistas já vinham provocando para aplicação do golpe e prosseguem agora no Governo, a banca pretende mudar o Presidente; deste fragílimo Temer para um troglodita mais atuante. E os coxinhas que até achavam Temer bonito já se lançam para um multimidiático Ministro do STF, em eleição indireta, que passaria a ser o padrão a partir deste ano. Primeiro federal, depois estadual e, finalmente, para que eleições se os políticos são todos corruptos e o povo não sabe votar?

E com as passeatas e as panelas, sob a batuta da mídia, a nação vai se destruindo, a si mesma.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

 

Fonte

 

 
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