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Matéi Visniec: dramaturgo romeno em Portugal‏

25.05.2015 | Fonte de informações:

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O dramaturgo romeno Matéi Visniec vem a Portugal no início de Junho, a convite do Instituto Cultural Romeno. O pretexto é a reposição do mais recente espectáculo d'A Escola da Noite, "Da sensação de elasticidade quando se marcha sobre cadáveres". O programa inclui ainda a apresentação nas duas cidades de um outro texto seu - "A história dos ursos panda contada por um saxofonista que tem uma namorada em Frankfurt" - pela companhia romena Unteatru e duas conversas com o público e a comunidade teatral.


Nascido na Roménia em 1956, Matéi Visniec destacou-se na paisagem literária da Roménia dos anos 80. A sua obra foi proibida pelo regime de Ceausescu em 1987 e exilou-se em França, onde reside até hoje e trabalha como jornalista para a Radio France Internacionale. Tem mais de 30 peças editadas e já foi representado em países como Itália, Grã-Bretanha, Polónia, Turquia, Suécia, Alemanha, Israel, Estados Unidos Canadá, Japão e Brasil. É o autor dramático vivo mais representado na Roménia e foi recentemente distinguido com o Prémio Europeu 2009 da SACD e com o Prémio "Coup de Coeur" (imprensa) no Festival Off de Avignon, em 2008 e em 2009.

"Um artista engajado"
Cedo encontrou na literatura um espaço de liberdade e de resistência contra os totalitarismos. Admira e deixa-se influenciar por autores como Kafka, Dostoievski, Camus, Beckett, Ionesco e Lautréamont e por correntes artísticas como o surrealismo, o dadaísmo, o teatro do absurdo e do grotesco. Nos dias de hoje, continua a acreditar que o teatro e a poesia podem denunciar as tentativas de manipulação das pessoas através das "grandes ideias". Assume que continua a sentir-se um "autor engajado" e a sentir necessidade, enquanto artista, de combater "o mal": "Na França, como em outras sociedades democráticas, identificar o mal exige um trabalho maior de reflexão. O artista tem de ser subtil para reconhecer as formas de manipulação por meio da publicidade, da moda, da indústria de entretenimento, da sociedade de consumo, dos slogans do comércio e da linguagem dos meios de comunicação". E acrescenta, numa entrevista recente a um jornal brasileiro: "nesses países 'livres', onde o ditador é o mercado, descobre-se que a lavagem cerebral se esconde atrás da máscara da liberdade".

Duas cidades, dois espectáculos e conversas com o público
O programa da passagem de Matéi Visniec por Portugal inclui a reposição do espectáculo "Da sensação de elasticidade quando se marcha sobre cadáveres", pel'A Escola da Noite (Coimbra, TCSB, 28 de Maio a 6 de Junho), a apresentação do espectáculo "História dos ursos panda contada por um saxofonista que tem uma namorada em Frankfurt", pela companhia Unteatru, de Bucareste (Lisboa, Teatro da Comuna, 5 de Junho; e Coimbra, TCSB, 7 de Junho) e dois momentos de encontro do autor com o público e a comunidade teatral, nestas duas cidades.

Os espectáculos
"Da sensação de elasticidade..." teve estreia mundial em Coimbra em Dezembro do ano passado, com encenação de António Augusto Barros. Conta a história de Sérgiu Penegaru, um escritor que se recusa a escrever poemas patrióticos e admira o surrealismo. Na Roménia comunista do final da década de 50 do século XX, isso é suficiente para que entre na "lista negra". As suas obras são proibidas e é preso em Sighet - a penitenciária que realmente existiu, por onde passaram e onde morreram dezenas de presos políticos nesse período. Como forma de resistir ao cárcere, Penegaru e os seus três companheiros de cela divertem-se a representar "A cantora careca", de Eugène Ionesco.
O teatro - e, em particular, o teatro do absurdo de Ionesco - não só ajuda os quatro homens a distanciarem-se do horror com que são confrontados como acentua o absurdo da própria realidade em que vivem.
"A história dos ursos panda..." é uma história absurda e muito bem-humorada. Dois jovens acordam uma manhã na mesma cama. Não se lembram como foram lá parar nem do que poderá ter acontecido, mas decidem iniciar uma relação. O acordo é passarem apenas nove noites juntos e separarem-se de seguida. As nove noites passam lentamente e parecem uma vida inteira: os dois reconstroem novos e velhos rituais de amor, descobrem-se e estudam-se mutuamente, oferecem-se um ao outro, começam a fazer coisas juntos, a trocar experiências, e depois zangam-se, ficam sós e começam a prestar mais atenção ao que os rodeia.

Matéi Visniec em Portugal

 

Teatro da Cerca de São Bernardo

 

Pedro Rodrigues
A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra

 

 
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