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Ucrânia: Importante desenvolvimento para a Resistência

16.07.2014 | Fonte de informações:

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Ucrânia: Importante desenvolvimento para a Resistência. 20580.jpeg

Além do que parece ter sido ataque devastador contra uma coluna de blindados Ukies, há vários importantes desenvolvimentos que aconteceram recentemente e que acho que têm de ser reportados aqui:


11/7, Relatório de Situação (SITREP)
Importante desenvolvimento para a Resistência
Relatório da situação

 http://vineyardsaker.blogspot.com.br/2014/07/july-11th-ukraine-sitrep-important.html


Além do que parece ter sido ataque devastador contra uma coluna de blindados Ukies, há vários importantes desenvolvimentos que aconteceram recentemente e que acho que têm de ser reportados aqui:

1) Com o retorno de Strelkov a Donetsk, a ordem e a unidade de comando nas forças da Resistência parecem tem sido restauradas, e resolvidos os desacordos entre Strelkov e Alexander Khodakovskii (ex-comandante da unidade "Alpha" de Donetsk).

2) Em conferência conjunta de imprensa, Igor Strelkov , Alexander Borodai e Vladimir Antiufeev (encarregados respectivamente de assuntos militares, políticos e segurança do estado) anunciaram a formação de um conselho de comandantes militares que será encarregado de todos as unidades militares na Novorrússia. Na mesma conferência de imprensa, anunciaram também ampla evacuação (voluntária) de civis dos subúrbios de Donetsk.  A cidade, claramente, está preparando-se para um grande ataque, seguido de sítio.

3) Houve disputa feroz entre Igor Strelkov e Sergei Kurginian,[1] que acusou  Strelkov de ter abandonado Slaviansk e que disse que os novorrussos estão agora recebendo mais e melhor ajuda da Rússia, que antes. Embora Borodai tenha acusado Kurginian de espalhar propaganda pró Ukie ou EUA, eu pessoalmente acredito que o papel de Kurdinian é tranquilizar o público russo, de que a sociedade civil russa, sim, está fazendo todo o possível para ajudar a Resistência (ninguém jamais fala de qualquer ajuda oferecida pelo governo russo).

Seja qual for o caso, Alexander Borodai acertou tudo quando relatou que suas consultas e encontros em Moscou foram "muito bem-sucedidas e conto muito com o amparo da Federação Russa em futuro o mais próximo possível. No momento, o povo russo já nós está dando ajuda colossal, seja em termos de voluntários seja em termos de ajuda humanitária. Espero que essa assistência continue a crescer".  Não há dúvidas de que alguma espécie de 'acordo' foi firmado entre os líderes de Novorrússia e o Kremlin, embora, claro, os detalhes vão permanecer secretos e a assistência será apresentada como vinda do "povo russo", o que é muito diferente de vir do governo russo, apesar de haver aí a interessante questão de entender por que Borodai teria de ter longas reuniões em Moscou, para obter ajuda do povo russo [riso].  


4) Aparentemente, os Ukies estiveram reforçando sua artilharia na fronteira com a Crimeia, mas o consenso é que, embora aqueles sistemas tenham alcance para atingir cidades crimeanas, a resposta russa seria de tal ordem, que qualquer ataque dos Ukies ali sempre será movimento suicida. Os russos já reforçaram rapidamente e firmemente suas capacidades na Crimeia, as quais hoje incluem total cobertura do espaço aéreo (usaram ali a versão atualizada do sistema de defesa S-300, com um redeslocamento dos bombardeiros russos de combate).  Até o ministro Sergei Lavrov, sempre suave e contido, disse com todas as letras, sem nenhuma suavidade, que não aconselha ninguém a atacar a Crimeia, porque a Rússia retaliará.

5) A Força Aérea Ucraniana continua a perder aeronaves regularmente. Hoje, outro Su-25 Ukie foi derrubado perto de Lugansk.

6) Em outro interessante desenvolvimento recente, Igor Strelkov anunciou que os soldados que lutam com os militares novorrussos passarão a receber salário, em valor mais que adequado, pelas normas ucranianas.[2] Claramente, mais um sinal de que "alguém" está agora financiando a Resistência.

Meu palpite é que Poroshenko dirá que o Grad MLRS que hoje destruiu quase toda a 79ª Brigada Ukie teria sido disparado da Rússia. A primeira razão pela qual acho que dirá isso é que, assim, terão meios, ele, mas, sobretudo, seus patrões nos EUA, para reacender a histeria russofóbica. A segunda razão é que se esses Grads tiverem saído Rússia, nesse caso as unidades Ukies que estejam em pontos distantes da fronteira russa estariam em relativa segurança; mas, se os Grads foram disparados pela Resistência, de dentro da Novorrússia, nesse caso todas as unidades Ukies na Novorrússia são agora alvos potenciais desses ataques.

Seja como for, temos aqui duas opções: ou os russos finalmente decidiram fazer os Ukies experimentarem um pouco do próprio remédio, nesse caso, fazendo-os pagar pelos inúmeros ataques contra postos de fronteira russos, ou a Resistência realmente pôs as mãos em Grads suficientes para um ataque desse tipo. Nesse caso é bem óbvia a origem desses Grads, embora, claro, ninguém admita coisa alguma.

A fronteira russa com a Ucrânia é porosa? Sim, claro. Mas não a ponto de comboios de MLRS andarem de um lado para o outro sem serem vistos e sem o acordo do governo russo. Strelkov e suas forças poderiam ter 'nacionalizado' algum dinheiro confiscado dos bancos de Kolomoiskii. Claro que sim. Mas não o suficiente para bancar uma guerra. É possível que voluntários russos (inclusive oligarcas russos) tenham mandado dinheiro para ajudar os novorrussos? Claro que sim, mas não sem que o serviço secreto russo (FSB) soubesse e permitisse.

Portanto, o que estamos vendo é claramente o seguinte: o *governo* russo não está mandando nenhuma ajuda militar "oficial" à Novorrússia; mas a *sociedade* russa, com pleno conhecimento e as bênçãos do governo russo, está  fazendo exatamente isso. Daí o sorriso de felicidade no rosto de Borodai quando falou sobre suas "consultas" em Moscou.

Está o Kremlin expondo-se a grande risco, com essa estratégia? Não me parece que esteja. A ajuda é suficientemente pequena para ter o que a CIA chama de "negabilidade plausível"; mas, uma vez que seja contínua, pode, sim, fazer diferença crucial. Além disso, tudo que o Kremlin está *realmente* fazendo não é propriamente ajuda; apenas se pôs numa posição passiva que pode ser facilmente explicada com "tentamos", "não é fácil", "vocês conhecem os nossos problemas de corrupção", etc.

Para finalizar, arrisco uma ideia. Estou sentindo que os Integracionistas Atlanticistas no Kremlin e à volta dele não está absolutamente contentes com a ajuda que a Rússia está dando, e há boa chance de que Putin esteja usando seus antigos contatos com o serviço secreto para fazer acontecerem as coisas. Examinando as recentes ações de Strelkov, Borodai e Antiufeev, tenho a forte sensação de que essa recente "consolidação do poder" traz consigo um típico "toque KGB". E não atrapalha, é claro, nas atuais circunstâncias.

Há uma palavra em russo, difícil de traduzir, que significa, mais ou menos, "perto/em torno dos círculos do Kremlin" (околокремлевские круги).  Refere-se, basicamente, à base "silenciosa" de poder pró-Putin, que tem grande influência política, mas não é parte formal da estrutura do governo.

Esses círculos - que são o suplício dos liberais russos - têm acesso ao Kremlin e apoiam o presidente, mas não integram formalmente a administração, nem o governo nem o gabinete do presidente nem qualquer outra entidade do estado e, por isso, não podem ser controlados por ninguém, exceto, claro, o serviço secreto federal, FSB. Estou sentindo que esses círculos, que são furiosamente antinazistas e antinorte-americanos, já se organizaram informalmente para criar uma rede de assistência à Novorrússia. Que ninguém jamais subestime o poder e as capacidades desses círculos.

Por exemplo, durante o regime pró-EUA de Ieltsin, aqueles círculos não apenas organizaram assistência secreta à Transdniestria; tiveram até meios para conseguir que seus próprios aviões militares voassem para lá, sem que ninguém a bordo precisasse se identificar a nenhuma autoridade, em nenhuma escala da viagem. Sei disso, porque me ofereceram lugar num desses voos e me disseram: "Damos um uniforme a você, você veste e ninguém fará perguntas." Foi em 1993. Ninguém nem imagina o que esses sujeitos podem fazer hoje, com acesso aos Kremlin...

Que tipo de gente reúne-se nesses 'círculos'? Militares, claro, sobretudo aposentados dos serviços especiais, oficiais do FSB que não se incomodam de negar sempre, oficiais das unidades especiais GRU que negam sempre, sempre; mas também empresários, jornalistas e alguns 'inovadores', muitos deles conectados às máfias russas. É uma mistura eclética de gente, de idealistas a gente que apenas sabe que o "poder-na-sombra" [orig. "shadow power"] desses círculos também pode ser muito útil para promover seus próprios interesses.

Para concluir, digo que enquanto tudo aqui dito, até aqui, são, sem dúvida alguma, excelentes notícias, a coisa toda está longe de estar resolvida. Os Integracionistas Atlanticistas continuam muito poderosos. Putin falou abertamente sobre uma "5ª coluna", e eles resistirão com todas as suas forças. Quanto a Putin, está engajado num ato de equilibrismo difícil e perigoso, no qual qualquer coisa que saia errado lhe será atribuído, como culpa exclusiva e pessoal dele. Putin sabe disso e faz o que pode para mostrar-se o mais distante possível do dia-a-dia dos combates na Novorrússia. Seus adversários também veem claramente que, com essa guerra na Novorrússia, têm oportunidade perfeita para enfraquecê-lo e até desacreditá-lo, mas, dessa vez, de uma posição aparentemente 'patriótica'  (porque a posição pró-EUA, agora, basicamente, é fracasso garantido).

Supersimplificando muito, eu diria que essa luta envolveu "big money X serviços secretos" e que, até aqui, os serviços secretos parecem estar no controle da situação, o que é bom para a Novorrússia. Mas tudo pode mudar muito, dependendo de como a situação evolua.

[assina] The Saker

 


[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Kurginyan

[2] O anúncio foi feito dia 10/7/2014, em entrevista à TV da República Popular de Donetsk. Vídeo e trad. em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/07/entrevista-com-igor-strelkov-ministro.html

 

 
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