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A peleja de NS da Vitória com o Diabo

15.11.2017 | Fonte de informações:

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Imagine uma banda que tivesse na bateria Lúcifer, na percussão Samael, no baixo Helel, na guitarra Bob Johnson, no vocal Satã e um coro de anjos decaídos e mais todos aqueles convertidos ao Demo ou que fossem o mesmo em suas várias faces: o Capitoro, o Sete capas, o Esquerdo, o Cão, o Cabrunco, o Encardido e todos os seus mais de setenta nomes. Era mais ou menos assim que eu escutava a banda - sei lá qual o nome - que tocava seus tambores como se fossem a trombeta de Jericó querendo derrubar as paredes do meu apartamento, isso em plena noite de domingo passado.

Jolivaldo Freitas

 

Era a réstia da importante e necessária Feira da Fraternidade organizada faz anos pela Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, na Graça, em Salvador, Bahia, Brasil. Imagine que a festa vinha desde a quinta-feira e no início o Demônio se comportou bem e os shows acabavam no horário certo da Lei do Silêncio, lá pelas 22 horas, mas o Mefisto nunca se conforma e já na sexta-feira o nível de som aumentou um pouco mais e o horário foi um pouco estendido. No sábado o Renegado já estava tomando conta do pedaço e assustando os bons samaritanos, os fiéis, os crédulos bem-intencionados; o som já passava dos decibéis que os incréus da Sucom determinam que seja de 70 dBs.

Mas o domingo, ah! No domingo, o dia inteiro o som martelando. A noite chegando e eu e o povo querendo descansar, ver um filme, assistir Faustão, Fantástico, Domingo Espetacular, apreciar uma série, ler, não fazer nada, olhar a paisagem, espreguiçar, sonhar, sonar, desestressar, namorar ou dormir... Dormir que segunda-feira é dia de trabalhar cedo, de acordar cedo (pároco de hoje em dia não acorda cedo, só de vez em quando) e a banda de Belzebu agitando, tocando alto como se estivesse no Rock n´Rio, num lugar ermo, numa zona desabitada própria para shows e estava previsto terminar às 20 horas, mas artista baiano tem o Senhor das Trevas no sangue e segue a festa até quase as 23 horas e tome decibéis.

Eu, como outros moradores das imediações trancado, em casa, todas as portas, janelas, basculantes, venezianas e combongós lacrados e o som invadindo os nervos. Ligar para quem se a Sucom ou Semop nunca têm equipe suficiente para atender aos chamados, dizem sempre seus agentes, diretores, secretários e superintendentes nas entrevistas e jogam na cara das pessoas que somente este ano já foram mais de 40 mil denúncias, e até lembrei que há algum tempo uns vereadores ligados ao Demogogon, queriam  aumentar para 110 decibéis a permissão para algumas áreas da cidade e que o prefeito ACM Neto tomado pelo bafejos do Tranca-Rua ia aprovar o projeto, mas o povo que tem os poderes de Deus rechaçou.

Então lembrei que a festa além de ter um caráter social é também em homenagem à Nossa Senhora da Vitória e seu nome é um título mariano e que também vem a ser o mesmo de Nossa Senhora do Livramento e eu cheguei na varanda do meu apartamento, olhei com força e lamento para as paredes caiadas (tão mal caiadas pela construtora e incorporadora que enrolaram a todos para construção do edifício Mansão Wildberg - que dizem é um escoadouro de lavagem de dinheiro - que já estão  aparecendo as paredes do século XVI) e gritei com toda fé que nem tenho:

- Valei-nos Nossa Senhora!

E esperei que pelo menos o som baixasse e foi quando ouvi que o som baixou de repente, mas logo em seguida aumentou. Baixou de novo e aumentou. Eu pensei: Nossa Senhora mandou juízo e discernimento para o padre Luiz pároco da Igreja e para o cara que estava coordenando a festa. Mas aí de repente o som subiu demais e já não se respeitou o horário acordado e a banda continuava tocando, pasme, para algumas dezenas de pessoas, uns bêbados e uns chatos que dançavam como se não tivesse amanhã.

Pensei: Nossa Senhora da Vitória bem que tentou mas, outra vez, como em todos os últimos anos, foi derrotada. E o Cramulhão mostrando para todos nós sua malvadeza, logo depois que a Feira da Fraternidade terminou, começou a fazer arrumação dos estandes e a retirar objetos e o barulho de madeira que servia de piso para as barracas sendo jogadas, cadeiras e mesas sendo arrumadas para viagem e durou até o meio da madrugada. Minha mulher (já falecida), tinha o hábito de oferecer generosos obséquios para a Paróquia da Vitória. Já suspendi a verba. Vou usar para fugir deste lugar nos dias da feira e gastar em lugares paradisíacos e de preferência pecaminosos. Estou com o Diabo no corpo. E cheio de sono. Bem que o cardeal Murilo Krieger podia esconjurar todo mundo. Se fosse no tempo da Inquisição veriam o que faria o clérigo Heitor Furtado Mendonça. E você sabia que o anjo Lúcifer era músico, fazia parte do coral celeste, antes de decair perante o Senhor? Por isso...

Jolivaldo.freitas@yahoo.com.br

 

 
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