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Hollande só preparou carta de congratulações para... La Clinton!

11.11.2016 | Fonte de informações:

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Hollande só preparou carta de congratulações para... La Clinton!

Na manhã dessa 4ª-feira de ressaca globalizada, Lady Gaga recomendou que os norte-americanos rezem. 

Ninguém riu. Talvez Kim Kardashian anuncie que se recolhe aposentada a um monastério, amparada pela irrestrita solidariedade das/dos feministas à moda La Clinton. E elas não se fizeram esperar : Eva Longoria, America Ferrera, Beyoncé, Christina Aguilera, Katy Perry, Jamie Lee Curtis, Jennifer Lopez, Snoop Dogg, Bon Jovi et, bien sûr, Meryl Streep, Magic Johnson e muitos outros e muitas outras... O show-biz e Hollywood, os freaks e os chapados, e sem esquecer a mídia-empresa comercial, essa, praticamente na totalidade. E a família Obama, que correu o país, nos últimos dias, urrando sua fé inquebrantável na candidata dos Democratas, o que, desse lado francês do Atlântico, foi visto como incongruente. Ok. Essa gente já não tem qualquer importância.

Ridículo monumental. Desprezo e arrogância colossais, dessas elites e desses 'especialistas', os quais, de tal modo persuadidos de que sempre estarão 'naturalmente' do lado do bem, permanecem de olhos firmemente fechados, sem nada ver.

Verdade é que por aqui não deixamos de rir deles, e rimos insistentemente, já há meses. Claro que houve gente de bem, inteligentes, cultos, bem informados. Alguns bem que tentaram gritar "Lobo!" Mas praticamente ninguém lhes deu ouvidos. 

Dominique de Villepin, por exemplo, convidado do programa "28 minutes" (Arte) na 2ª-feira à noite, tentou meter um semitom nas caricaturas. Em vão. Por todos os lados, o mesmo concerto de lições de moral estupefacientes. Alain Minc disse em Échos: "Não se pode excluir a possibilidade de uma vitória de Donald Trump, apesar de suas chances mínimas." E, como se lesse na sua bola de cristal: "Mas será preciso que 40% dos norte-americanos votem nesse homem, quer dizer, a favor de uma América incrivelmente populista, incrivelmente isolacionista, extraordinariamente perigosa para o mundo exterior."

Sempre atento, apesar dos pesares, Sarkozy dizia na primavera passada: "Esse Sr. Trump, que é lastimável, tem sucesso porque não se peja de dizer todos e quaisquer absurdos." Quer dizer: sujeitinho inspirador. Mesmo assim, em setembro, Sarkozy fazia campanha a favor da Clinton.

Idem, na corte dos Republicanos franceses: 

Juppé: "Quando ouço o Sr. Trump, quando vejo aquela ignorância quanto ao estado do mundo, quando vejo a opinião dele sobre a Europa e a França, convoco meus amigos norte-americanos a pensar bem sobre o que farão."

Bruno Lemaire : "Donald Trump é homem perigoso, que divide. Prefiro assistir à vitória de Hillary Clinton."

Laurent Wauquiez, mais prudente : " [Trump] é prova de que os cidadãos não querem mais saber de gente que lhes diga o que estão autorizados a pensar ou dizer." 

Quanto a Mélenchon, que faz pose de bombeiro da esquerda, não faltou ao debate, com a delicadeza que lhe é habitual. No início de 2016, Mélenchon tuitava: "Trump é um idiota, disso não há dúvida." Ultimamente o apresentava como "esse cão selvagem fascista".

Em resumo, estavam todos de acordo: no pior dos casos, haveria onda de agitação e incômodos, como se viu na Inglaterra, nossa vizinha. Em seguida, tudo voltaria à boa velha ordem: camponeses nos campos, sem dentes nas barracas, desempregados nas estatísticas... Hillary bebericaria champanhe em Wall Street com seus amigos doadores, e tudo recomeçaria para não ir a lugar algum, como antes. E Hollywood já tirava o pó dos cenários daquela "campanha de ódio".

O presidente da França, que não falha nesses momentos, já havia, desde o mês passado, prognosticado que "Haverá eleições nos EUA. Uma presidenta será eleita." Satisfeito com a própria capacidade para antever o futuro oculto nas urnas, Hollande nem se deu ao trabalho de rascunhar duas cartas de felicitações. Na 3ª-feira à noite, só havia uma carta de felicitações pronta a ser despachada do Eliseu: endereçada a Hillary Clinton, claro.

Na mesma noite, um pouco mais tarde, Gérard Araud, embaixador da França em Washington, tuitava: "Um mundo naufraga diante de nossos olhos. Cataclismo." A mensagem foi apagada, tarde demais.

Sabe-se que nosso governo Hollande é campeão das retropedaladas. Mas nesse caso, vai precisar de muita perna...*****

10/11/2016, Boulevard Voltaire, Paris

 

 
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