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Pesquisadores defendem conhecimento de populações tradicionais no FSMBIO 2015

08.02.2015 | Fonte de informações:

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Na plenária final, pesquisadores defendem conhecimento de populações tradicionais para preservação da biodiversidade e compartilham carta final do FSMBIO 2015

Por Susana Sarmiento - Portal Setor3 (Senac SP)

Biodiversidade foi o tema central da última plenária do Fórum Social Mundial da Biodiversidade 2015 (FSMBIO 2015), em uma das salas do Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, em Manaus (AM), na última sexta-feira (30 de janeiro). Com o tema Biodiversidade, bioética e o outro mundo possível, esse debate ressaltou a valorização de produção das comunidades tradicionais da região Norte do Brasil, a necessidade de uma visão humanista em meio ambiente e a finalização com a apresentação da carta do evento e a consulta dos participantes para alterações das propostas desse documento para ser encaminhado no Fórum Social Mundial 2015, que ocorrerá em março na Tunísia. 

Para discutir essas questões, participaram os seguintes especialistas: Amyra El Khalili, da Aliança RECOS; Michael Schmidlehner, da ONG Amazonlink; Antonio Carlos Witkoski, professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais na Universidade Federal do Amazonas (UFAM); e Sérgio Uchôa, da organização do FSMBIO 2015. 

Michael contextualizou como o sistema econômico pode impactar no meio ambiente com escolhas de construções de usinas hidrelétricas nos diferentes biomas. Ele mostrou como algumas comunidades valorizam a terra e o meio ambiente como sua casa. "Eles possuem uma visão muito diferente. Ainda temos uma visão utilitarista dessas coisas". Lembrou ainda que países como Bolívia e Equador incluíram em suas políticas o reconhecimento da natureza. "A mãe terra é um ser vivo único e indivisível", defendeu. 

Antonio Carlos Witkoski, professor da UFAM, comentou que pesquisa há muitos anos comunidades ribeirinhas e caboclas, que trabalham na terra e floresta praticando extrativismo. Explicou que esse povo é fruto de europeus que ocuparam a Amazônia e os ameríndios da região. "Isso é importante dizer e pensar Amazônia. Pode definir por outras categorias e compartilhamentos, porque os ameríndios não consideram fronteiras. O território é visto por eles de outra maneira". 

Além do termo de biodiversidade, o professor também citou o conceito de sociodiversidade. Com uma visão hegemônica, ele explica que esse termo contribui para criar e até produzir o conteúdo histórico e uma racionalidade sistêmica. Um exemplo citado foi o caso da pesca comercial que não respeita o tempo de vida do piacuru, comprometendo o ciclo reprodutivo desse peixe. "A Terra é um sistema fechado e finito. Estamos num dilema e não há preocupação com o tema de reprodução da natureza, porque não acumula em todos os sentidos".

O pesquisador de comunidades ribeirinhas também criticou a democracia do Brasil: "Temos uma democracia representativa que não nos representa, e não caminhamos para a participativa, porque não participamos". Para ele, a saída é ressignificar os partidos políticos para terem um movimento democrático. 

Em relação à conservação da floresta local, o professor defendeu a criação de um "estoque" de conhecimento de populações tradicionais. Também questionou a necessidade de criação de uma embarcação fluvial na cidade de Manaus, por terem rios para mobilidade. "É necessário rever a ciência e dialogar com os povos da Amazônia". 

Antonio Carlos citou o filósofo Antonio Gramsci para chamar atenção de quem tem que controlar o seu meio é a própria sociedade. "Quando mais organizada a sociedade, menos força do Estado", afirmou baseado num pensamento do cientista político. Dessa forma, ele pontuou que é importante reconhecer primeiro a força da sociedade, caso o regime democrático tivesse avançado; a necessidade do desprivatização do Estado brasileiro e a sociedade fazendo política. 

Sérgio apresentou todos os voluntários e agradeceu o trabalho realizado durante o FSMBIO 2015, além de convocar representantes dos órgãos parceiros do evento. No final, houve leitura da carta final feita por organizações e movimentos sociais, com propostas construídas durante as oficinas, palestras, debates e as plenárias sobre agroecologia, segurança e soberania alimentar; trabalho decente e transição justa; bacias hidrográficas como base de planejamento; mudanças climáticas e direitos humanos; biodiversidade, bioética e um outro mundo é possível.

 

 
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