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Segurança energética dos Estados Unidos - Segunda Parte

06.07.2015 | Fonte de informações:

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O processo de privatização da Petrobras para atender aos interesses dos oligopólios internacionais acelera-se enquanto o debate fica restrito a manutenção do modelo exportador com ou sem a presença da empresa.

Wladmir Coelho

Os defensores da entrega total do petróleo brasileiro aos oligopólios internacionais adotam, de forma contraditória, o discurso da livre iniciativa e deste a "salvação" da Petrobras.

Neste discurso afirmam os entreguistas que menos Petrobras significa mais petróleo para o Brasil ou, no mínimo, uma recuperação financeira da empresa possibilitando no futuro o seu retorno em condições de disputar espaço no mercado. 

Para aprofundar a confusão existem aqueles defensores da manutenção da Petrobras em sua condição atual, ou seja, uma empresa voltada para a disputa de mercado cuja maior preocupação encontra-se na valorização de suas ações controladas, em grande parte, pelos oligopólios.

Os dois grupos apresentam como ponto de partida a crença na livre concorrência ignorando os aspectos políticos existentes na campanha de destruição da empresa criada para romper com o modelo que submete o Brasil aos interesses dos oligopólios.

Os vendedores de ilusão ocultam os movimentos dos Estados Unidos em direção ao controle pleno das reservas petrolíferas existentes na América Latina escudados pelo principio da segurança energética.

Para a defesa dos interesses da segurança energética dos Estados Unidos as empresas locais contam com o apoio da estrutura estatal utilizando sem cerimônias a  diplomacia, o apoio financeiro e militar.

Vejamos o caso da OPIC - Oversesas Private Investment Corporation - uma agencia governamental  que financia as empresas privadas estadunidenses "mobilizando capital privado dos Estados Unidos para investimentos auxiliando empresas em mercados emergentes  considerando os princípios da política externa dos Estados Unidos e sua Segurança Nacional" (www.opic.gov)

Estes principios incluem de forma cristalina o petróleo existente na América Latina e ao analisarmos os estudos da The United States Association form Energy Economics (USAEE) este aspecto ganha clareza: "A única região que poderia aumentar de forma significativa a produção de petróleo para atender as expectativas do mercado dos EUA é a América Latina que possui a segunda maior reserva provada de petróleo do mundo estimada em 328 bilhões de barris ou 20% do total das reservas mundiais."

A mínima resistência dos países latino-americanos em defesa de seus recursos petrolíferos significa deste modo uma ameaça a segurança energética dos Estados Unidos e prosseguindo na leitura dos estudos da USAEE encontraremos a seguinte afirmativa: "A segurança energética [dos EUA], na prática,  é melhor entendida como um problema de gestão de riscos cujo objetivo  é reduzir  a um nível aceitável as consequências de perturbações a longo prazo." 

A gestão de riscos, neste caso, corresponde a intervenção direta nos assuntos internos dos países detentores de reservas petrolíferas e não foi sem motivos a declaração da Venezuela, detentora de 91% das reservas provadas na América Latina, como ameaça a segurança nacional dos Estados Unidos.

No plano interno os entreguistas ocupam espaços nos países da América Latina e assumem, sem pudor, o papel de agentes avançados dos interesses dos Estados Unidos. O ex-ministro argentino Domingos Cavallo, por exemplo, defendeu que "as ações do presidente Hugo Chaves criam uma sensação de insegurança nos EUA."

No Brasil a manutenção do processo de privatização da Petrobras iniciado durante a ditadura e aprofundado no período Fernando Henrique Cardoso ofereceu à empresa nacional como financiadora dos campos do pré-sal dos quais é operadora e não proprietária.

Diante da instabilidade econômica mundial a retomada do processo de proteção do mercado interno apresenta-se como possibilidade. Este discurso, embora distante das ações do governo brasileiro, constitui uma bandeira histórica dos setores políticos populares que apoiaram a eleição da presidenta Dilma Rousseff surgindo, deste modo, a necessidade de sepultar a única empresa brasileira em condições de garantir a implantação de uma política econômica nacionalista.

A formatação atual da política econômica do petróleo não atende aos interesses dos brasileiros. A simples defesa da manutenção da Petrobras como operadora do pré-sal revela-se insuficiente constituindo parte do processo de manutenção do modelo econômico de base colonial.

 

 
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