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Estados Unidos: dinheiro, um importante eleitor

30.12.2015
 
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Havana (Prensa Latina) Dom dinheiro é o principal eleitor nos Estados Unidos, onde 158 famílias, evidentemente multimilionárias, são os principais doadores na atual campanha dos democratas e republicanos para ganhar a Casa Branca em 2016.

Recentemente Juan Williams, um analista político da Fox News Channel, no título de um artigo, "Política, um esporte para multimilionários", resume a imagem que ilustra a atual disputa pelo governo.

Segundo Tom Perkins, um capitalista multimilionário republicano, você paga um milhão de dólares em impostos e obtém um milhão de votos.

Williams amplia em seu comentário que desde 2010 só 195 indivíduos e seus comparsas deram quase 60 por cento dos bilhões de dólares canalizados a super-PAC.

Isto é algo possível logo que a Corte Suprema estadunidense opinou que as contribuições ilimitadas estão protegidas por segredo, por um problema de liberdade de expressão.

O próprio primeiro lugar nas pesquisas entre os aspirantes republicanos, Donald Trump, calcula que esse dinheiro que chega aos candidatos por meio de grupos de apoio é uma fraude.

Até agora o dinheiro carcome o sistema político estadunidense, ao mesmo tempo que viola a lei e os direitos de milhões de pessoas que procuram ser representadas por políticos honestos, algo raro no país.

Em Iowa, a concorrente e favorita entre o eleitorado democrata, Hillary Clinton, lançou uma advertência: "Farei tudo o que puder para nomear os juízes do Tribunal Supremo que protejam o direito a votar e não protejam o direito dos multimilionários para comprar eleições".

O papel do dinheiro nas eleições é recorrente nos meios de imprensa estadunidenses, em cujos artigos são protagonistas assíduos magnatas como os irmãos Charles e David Koch.

Os Koch são donos de uma ampla fortuna que impulsiona candidatos republicanos tanto para a presidência como para todo cargo eletivo nas eleições de novembro.

Segundo defendeu Williams em seu comentário sobre o esporte dos milionários, o problema é uma tempestade a ponto de estourar.

Um artigo do jornal The Washington Post assinala que as grandes doações dos super-ricos têm o potencial de deformar o sistema político, entre outras coisas porque são pessoas que veriam afetados seus capitais por governos que não respondam a eles e querem ter "fazedores de políticas" que os representem.

Dos candidatos republicanos, o que supostamente tem mais dinheiro é Trump, quem qualifica de "fantoches" seus concorrentes que procuram o apoio dos Koch, entre outros grandes doadores.

Uma investigação da Pew Research registrou que agora um por cento das pessoas controlam mais de 80 por cento da riqueza nacional e muitos investem esse capital para se protegerem e ampliarem suas fortunas.

Ao mesmo tempo, pesquisas de 2012 mostraram que os eleitores com receitas anuais familiares menores de 51 mil dólares, pobres e de classe média, compõem 41 por cento do eleitorado do país e votaram pelo presidente Barack Obama 22 por cento mais que pelo republicano Mitt Romney.

Isso logicamente preocupa os republicanos e as grandes famílias desse partido político, que não poupam recursos para mudar a situação.

Documentos fiscais mostram como o dinheiro secreto infecta as campanhas de ambos os lados, republicanos e democratas, segundo comentários da imprensa.

Os referidos documentos confirmam que operadores políticos continuam utilizando falsas organizações de bem-estar social para bombear dezenas de milhões de dólares anônimos nas eleições.

Algumas fontes assinalam que o segredo da despesa torna mais difícil que os servidores públicos eleitos rendam contas ao interesse público e respondam aos eleitores em lugar de aos doadores de campanha que só eles conhecem.

Neste parágrafo destacam os mencionados irmãos Koch, quem por meio de uma sofisticada malha preparam-se para passar cerca de 889 milhões de dólares e favorecer interesses nas batalhas políticas até novembro de 2016, usando organizações independentes não sujeitas às leis como os comitê dos partidos.

A mesma configuração do processo eletivo nos Estados Unidos é algo que favorece estas práticas, pois obriga que os candidatos procurem dinheiro para poder avançar em seu empenho.

Para estar nas cédulas eleitorais de cada estado, um candidato enfrenta uma tarefa "cara e complexa", pois algumas demarcações necessitam de milhares de assinaturas a fim de qualificar e outros cobram dezenas de milhares de dólares.

Em termos nacionais, o preço para o acesso à cédula pode ser elevado bem acima de um milhão de dólares.

Não há dúvida de que os republicanos de primeiro nível com grandes operações de dinheiro, Jeb Bush, Marco Loiro, Ben Carson, Ted Cruz e Donald Trump, estarão na cédula eleitoral em todo o país.

Mas para todos os demais, incluindo Chris Christie, John Kasich e Rand Paul, o acesso ao voto é um desafio caro.

Conquanto os candidatos não tenham que competir em todos os estados para ganhar a nomeação, a realidade política é que a cada fracasso em aparecer em uma cédula socava a credibilidade de um candidato como uma figura nacional.

Neste cenário conturbado, os que mais têm saem para pescar e o peixe se vende ao melhor concorrente.

*Jornalista da Redação América do Norte da Prensa Latina.

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