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Obama: só placebo, na violência contra as liberdades civis

30.11.2014
 
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"O policial Wilson atirou várias vezes contra Brown, inclusive um tiro mortal na testa, porque se sentiu "ameaçado" por um negro jovem desarmado. Nas palavras do próprio Wilson: "O único modo que encontro para descrever é... como um demônio, de tão furioso que aquilo parecia!", referindo-se a Brown. Reencontrado com os tempos da escravidão, Wilson, como tantos dos seus apoiadores racistas, veem os negros como 'coisas'. Por isso disse "aquilo", falando de um homem."


Barack Obama operou como placebo na situação de erosão continuada das liberdades civis nos EUA. O governo que chegou a ser antecipado como o "mais transparente" da história dos EUA, acabou sendo o mais opaco, com Obama processando número maior de funcionários públicos por violação da Lei Antiespionagem de 1917, que todos os seus antecessores somados. Os que estão sendo processados são pressupostos 'criminosos' por terem informado jornalistas sobre os malfeitos e crimes do próprio governo de Obama.

Obama também foi propagandeado como o primeiro presidente afro-americano dos EUA 'pós-racismo'. Em vez disso, o primeiro mandato de Obama assistiu à volta dos EUA aos tempos sinistros dos EUA de Jim Crow, quando adultos jovens e adolescentes negros correm alto risco de morrerem baleados na rua - ou de serem espancados até a morte - por policiais brancos racistas. Esses EUA apareceram à vista de todos, quando um Tribunal Federal no Condado de St. Louis, Missouri, absolveu o policial Darren Wilson, de Ferguson, que matou a tiros um jovem negro de 18 anos, Michael Brown. Wilson disse ao tribunal que Brown, que media 1,93m de altura, "parecia um demônio", quando Wilson, que também mede 1,93m, o encontrou, numa batida policial que, como adiante se viu, nada absolutamente teve de normal.

Wilson atirou várias vezes contra Brown, inclusive um tiro mortal na testa, porque se sentiu "ameaçado" por um negro jovem desarmado. Nas palavras do próprio Wilson: "O único modo que encontro para descrever é... como um demônio, de tão furioso que aquilo parecia...", referindo-se a Brown. Reencontrado com os tempos da escravidão, Wilson, como tantos dos seus apoiadores racistas, veem os negros como 'coisas'. Por isso disse "aquilo", falando de um homem.

Não se deve esquecer que no debate presidencial em 2008 com o então candidato Obama, o senador John McCain apontou para Obama, no palco e disse "aquele ali", referindo-se ao adversário.

Quando atirou em Brown, Wilson sabia que o 'sistema' se ergueria a seu favor. Raramente oficiais de polícia são condenados por assassinato ou crime doloso. É o que se chama "paredão azul" [referência à cor dos uniformes dos policiais], de policiais, advogados, procuradores, juízes de um lado; e os cidadãos, do lado oposto. Na verdade, Wilson lucrou bastante, pessoalmente, por ter assassinado Brown. Ele leiloou a primeira entrevista depois de absolvido, entre vários 'jornalistas' de uma 'mídia' que salivava, e pode ter acertado na roleta, se forem verdadeiros os insistentes boatos segundo os quais a rede ABC News, que pertence aos estúdios Disney, comprou, por gorda quantia de seis dígitos, os direitos àquela primeira entrevista da 'celebridade', depois de absolvido.

Em vez de questionar os jurados que lá estavam no tribunal de St. Louis County, o procurador Robert McCulloch, nascido em família de policiais; cujo pai foi morto em serviço por um negro, e que tem longa história de mentir em tribunais, decidiu só apresentar 'provas' que apresentavam o 'acusado' sob a luz mais favorável. Fotos de supostos "ferimentos" que Wilson teria recebido foram distribuídas para os jurados, embora parecessem, de fato, microcortes autoinfligidos com navalha, pelo próprio Wilson, ao barbear-se. Nenhuma das testemunhas que assistiram aos tiros foi interrogada. Na verdade, as declarações desse procurador à mídia, ao informar os jornalistas sobre a absolvição, incluíam várias referências a testemunhas que mudaram seus depoimentos ante o juiz. McCulloch parecia culpar mais a imprensa que Wilson, pela reação que o assassinato de Brown provocou nos EUA.

Em vez de enfrentar um estado policial nos EUA, cujos procuradores de Justiça e senadores são autorizados a desqualificar os cidadãos negros e mestiços, Obama delicia-se agora antecipando a luxuosa aposentadoria de ex-presidente que o espera.

Obama nada fez para mudar o curso e restaurar os direitos constitucionais dos norte-americanos, ou para livrá-los de serem perpetuamente vigiados pela Agência de Segurança Nacional, FBI, Transportation Security Administration e centenas de agências e departamentos pelo país. As polícias locais e até as escolas públicas já são armadas com equipamento militar potencialmente letal, fornecido pelo Departamento de Defesa para ser usado por civis para autodefesa. São rifles de assalto, morteiros, veículos blindados e granadas de mão.

A empresa-imprensa só fala da agitação e das depredações em Ferguson, que começaram depois da decisão do tribunal. Houve sugestões de que as polícias estadual e local saíssem de cena contra os provocadores de ações violentas. Assim o governador do Missouri, Jay Nixon, encontrou pretexto para convocar a Guarda Nacional do Missouri para restabelecer a ordem nas ruas. Os EUA de Obama, pelo menos para quem leia jornais, parecem os EUA dos anos 1970s: "Nixon ordena deslocamento de mais soldados da Guarda Nacional".


O Departamento de Estado dos EUA edita 'relatório' anual da situação dos Direitos Humanos pelo mundo. O relatório cobre todos os direitos, dos direitos de gays, a questões de antissemitismo. Contudo, por mais que se procure, não se encontra no tal 'relatório' nenhuma referência ao maior violador de direitos humanos no planeta - os EUA.

Depois da decisão do tribunal do Missouri que absolveu Wilson da acusação de assassinato doloso e também da acusação de assassinato sem intenção de matar, outro policial, em Cleveland, matou um menino afro-americano de 12 anos que carregava uma arma de brinquedo.

O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, acusou os EUA por violação sistemática dos direitos humanos de afro-americanos e de outras minorias. Disse que em muitos setores da população dos EUA, há "profunda e crescente desconfiança contra os sistemas de distribuição e de aplicação da lei e da justiça."

Konstantin Dolgov, Comissário no Ministério de Relações Exteriores da Rússia para Direitos Humanos, Democracia e Estado de Direito, escreveu pelo Twitter: "Continuam a crescer as tensões étnicas na sociedade norte-americana. É hora de as autoridades norte-americanas darem atenção ao que se passa por lá, em vez de tanto se ocuparem com aplicar sermões ao resto do mundo, sobre direitos humanos". O ministro de Relações Exteriores do Egito, antes, pedira que os EUA mostrassem contenção e moderação, no modo de enfrentar as manifestações de rua em Ferguson. Porta-voz do ministério de Relações Exteriores da China também conclamou os EUA a melhorarem seus registros no campo dos direitos humanos. A China tem sido alvo de insistentes 'protestos', por autoridades norte-americanas, por causa de políticas chinesas para os direitos humanos.

O único fator que nunca muda nos repetidos fracassos dos EUA no campo dos direitos humanos, como se comprova com os assassinatos de civis na área de St. Louis, em Cleveland, em New York e em outras cidades, é que os EUA recusam-se sempre a reconhecer que vivem uma catástrofe humanitária no campo das liberdades civis, o que faz do país alvo de condenações, ao mesmo tempo em que as autoridades norte-americanas, ensandecidamente, só fazem apresentar os EUA como exemplo a seguir, para todo o mundo.

Enquanto Ferguson queimava e soldados da Guarda Nacional eram mandados para o condado de St. Louis, Obama decidiu mudar-se para território familiar, em Chicago, onde começou sua carreira política. O dito "organizador comunitário" e "ativista social" foi vaiado por manifestantes em sua própria cidade, quando tentava inflar sua nova política para a imigração.

Obama sempre foi seletivamente surdo para todas as reclamações de norte-americanos médios, fosse um adolescente negro em ambiente racista, como em Ferguson, Missouri ou Sanford, Florida, ou um operário que vive de salário mínimo e não pode pagar para receber a assistência médica do "Obamacare".

Obama meteu-se em golpes para "mudança de regime" na Ucrânia, na Síria, na Líbia, no Egito, na Tunísia e em outros países, ao mesmo tempo em que só frustrou os clamores legítimos por mudança de regime ali dentro dos EUA, em Ferguson, no estado do Missouri, em Cleveland, Detroit, Oakland e em outras cidades.

Para os EUA, o slogan de campanha de Obama "Esperança e Mudança" converteu-se em piada macabra, com Obama sempre rindo para o lado de Wall Street, já antevendo a luxuosa aposentadoria que o espera, enquanto embolsa as gordas doações que lhe fazem empresas agradecidas, para os seus Museu e Biblioteca Presidenciais Barack Obama. *****

 

27/11/2014, Wayne MADSEN, Strategic Culture
http://www.strategic-culture.org/news/2014/11/27/obama-a-placebo-for-civil-liberties.html

 


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