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Brasil: Dia Mundial de Luta contra a AIDS

30.11.2007
 
Pages: 123
Brasil: Dia Mundial de Luta contra a AIDS

Com o slogan "Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids", a campanha do Ministério da Saúde para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano, foi lançada em Brasília, nesta terça-feira (27/11), pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Os jovens de 13 a 24 anos são o foco da campanha, que pretende afirmar os direitos do jovem de viver sua sexualidade e de ter acesso ao preservativo e a informação. Durante a cerimônia de apresentação, José Gomes Temporão informou que serão distribuídos no país cerca de 8 milhões de preservativos.

No evento, o psiquiatra Jairo Bauer apresentou resultados de pesquisa feita sobre o comportamento sexual dos jovens na cidade de São Paulo. O estudo foi realizado com o objetivo de mapear o conhecimento e as atitudes do jovem sobre a sexualidade e prevenção, além de auxiliar os profissionais de ensino e contribuir para a criação de ferramentas voltadas à percepção de realidade da juventude.

A pesquisa, que ouviu 7.500 jovens com idades entre 13 e 16 anos, constata que 60% não conversam com seus pais sobre sexo, apesar de cerca de 20% já terem tido relações sexuais completas. Segundo José Gomes Temporão, este resultado é preocupante. “Mostra que temos que adotar estratégias, sobretudo no campo educacional, para que o tema seja abordado com mais naturalidade e freqüência no ambiente familiar, fundamental na formação dos jovens", disse o ministro.

De acordo com o Boletim Epidemiológico 2007 , de 1980 a junho de 2007, foram notificados 474.273 casos de AIDS no país – 289.074 no Sudeste, 89.250 no Sul, 53.089 no Nordeste, 26.757 no Centro Oeste e 16.103 no Norte. No Brasil, nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, a incidência de AIDS tende à estabilização. No Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos.

Para a diretora do Programa Nacional de DST e AIDS, Mariângela Simão, os números refletem o problema do diagnóstico tardio e as desigualdades regionais do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nosso desafio é reforçar a qualidade da assistência no SUS e ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV.”, afirma.

O Centro de Referência e Tratamento em DST/AIDS, órgão ligado à secretaria paulista de saúde, lança nesta sexta-feira (30/11), três publicações com estudos referentes à AIDS no estado de São Paulo. O lançamento faz parte das atividades do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, que acontece no sábado, dia 1º de dezembro.

O livro “Prevenção das DST/AIDS em Adolescentes e Jovens: Brochuras de Referências para Profissionais de Saúde” aborda justamente o tema da campanha deste ano. Escrito pelos especialistas Teo Weingrill e Gabriela Calazans, a publicação fornece subsídios técnicos, conceituais e legais para o desenvolvimento de ações de prevenção para esse grupo etário.


O acesso à rede básica pelos portadores do HIV é tratado em “DST/Aids e Rede Básica: Uma Integração Necessária”, escrito por Ivone de Paula e Ione Aquemi Guibu. Já a experiência no estado de São Paulo em relação ao tratamento de soropositivos com as medicações anti-retrovirais é abordado na publicação “Adesão: da Teoria à Prática.”, escrito por Joselita M. Magalhães e Emi Shimma.


A necessidade de agir agora

Os altos níveis de infecção pelo HIV de pessoas cada vez mais jovens apontam a necessidade estimular e manter o comportamento sexual saudável dessa faixa. Deixando de proteger os mais jovens, a sociedade coloca em risco seu futuro.

Cerca de metade dos novos casos de contaminação ocorre na faixa etária de 15 a 24 anos. Nos países mais atingidos pela epidemia, há uma projeção de que quase 75% das pessoas que hoje têm 15 anos podem vir a morrer de doenças decorrentes da AIDS. Contudo, os jovens representam uma janela de oportunidades para reverter as taxas de incidência do HIV, especialmente se tiverem conhecimento de programas de prevenção eficazes antes de assumirem comportamento de risco.

O uso de preservativos torna-se imprescindível, sobretudo com a disseminação de HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis. É preciso facilitar o acesso aos preservativos, baixar seus custos, promovê-los mais e ajudar a superar os obstáculos sociais e pessoais ao seu uso, se desejarmos reduzir as enormes conseqüências de uma contaminação.

Uma observação relevante é que os países mais pobres – e geralmente mais instáveis politicamente – terão a maior população jovem do mundo até 2020. Consequentemente, é de suma importância os esforços para ampliar programas voltados para a sensibilização desse grupo.

Para que se tenha uma resposta melhor e mais ampla é fundamental que se dê ainda mais atenção ao fortalecimento das ONGs. Em muitos países, uma das primeiras respostas à epidemia veio das ONGs, que se esforçam para assegurar que seus recursos limitados sejam utilizados de maneira mais eficiente.

A epidemia continua a crescer, sendo atualmente um dos principais fatores que limitam as possibilidades de desenvolvimento de numerosos países. Apesar do significável aumento de esforços para enfrentar seu avanço, a epidemia afeta os cinco continentes e sua expansão continua crescente frente a uma insuficiente resposta mundial.

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